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Maxwell analisa amizade com Ibra, assume ser vascaíno e fala sobre o 7 a 1

Maxwell concede entrevista ao jornalista Thiago Asmar, do canal Pilhado - Reprodução/Youtube
Maxwell concede entrevista ao jornalista Thiago Asmar, do canal Pilhado Imagem: Reprodução/Youtube

Do UOL, em São Paulo

01/10/2019 12h39

O ex-lateral Maxwell, que atuou por clubes como Barcelona, Internazionale e PSG, além da seleção brasileira, falou um pouco sobre sua carreira e sobre a relação de amizade que tem com o atacante Ibrahimovic. E não faltaram histórias curiosas envolvendo o sueco, que é uma das maiores estrelas do futebol mundial.

Apontado como "melhor amigo de Ibrahimovic", Maxwell explicou, em entrevista ao canal Pilhado no Youtube, como começou sua relação com o talentoso atacante, que atualmente joga no Los Angeles Galaxy, na Major League Soccer.

"Tudo começou quando chegamos em Amsterdam. Chegamos juntos e a gente começou a abrir conta juntos, comprar telefone juntos, morávamos muito perto um do outro, o Ajax tinha nos colocado próximos. A gente tinha a mesma intérprete, então a gente fazia tudo juntos. Até o momento em que ele gastou todo o dinheiro da transferência dele comprando um carro, e ele ficou sem dinheiro para as outras coisas. Aí ele chegou um dia indo pro treino e falou: 'pô, Maxwell, preciso dormir na sua casa umas duas semanas até o Ajax pagar. Eu posso?' Eu falei claro!", revelou Maxwell, que acrescentou.

"Isso nos uniu muito, porque realmente passávamos o dia inteiro juntos. Ele até reclama que eu botei ele no chão em um colchão lá em casa, era o que tinha na época. Aí a amizade começou assim. Ficamos 15 dias juntos em casa, e eu conheci realmente, fora o personagem do futebol, aquela pessoa que é muito parecida comigo: coração grande, é muito família, é um cara que tem valores importantes, e que sai um pouco do personagem que ele vive no futebol. Eu procurei ser sempre leal também, isso faz com que o Ibra se aproxime das pessoas que são leais a ele também."

Ibrahimovic e Maxwell chegaram juntos ao Ajax - VI Images/Getty Images
Ibrahimovic e Maxwell chegaram juntos ao Ajax
Imagem: VI Images/Getty Images

Maxwell citou a infância do Ibrahimovic para explicar o comportamento do atacante. Segundo o ex-lateral, a origem humilde do sueco faz com que ele seja focado em seus valores e dê muita importância para seus familiares.

"Ele tem uma história bonita, como muitos brasileiros, vindo de um bairro difícil na Suécia e conquistando coisas, mas nunca perdendo o valor familiar. Um cara amigo, divertido, e aprendi tudo isso em pouco tempo, porque ele viu que podia se abrir, que podia confiar, e a gente dividia coisas nas épocas difíceis. Talvez um cara que no falecimento do meu irmão me ajudou mais por essa proximidade também. A partir daí ficou um laço muito forte", explicou.

Jeito marrento de Ibrahimovic

Maxwell comemora com Ibrahimovic após sueco marcar para a Internazionale - New Press/Getty Images
Maxwell comemora com Ibrahimovic após sueco marcar para a Internazionale
Imagem: New Press/Getty Images

A alcunha de "melhor amigo" de Ibrahimovic não é gratuita. Ao longo de sua vitória carreira, Maxwell dividiu vestiário com o astro sueco em diversas oportunidades. Eles chegaram juntos ao Ajax na temporada 2001/2002, se reencontraram na Internazionale, tiveram passagem pelo Barcelona e, por fim, encerraram a jornada como companheiros no Paris Saint-Germain.

"Todos os vestiários que passei ele estava presente, e eu via muito essa diferença da pessoa que é fora do mundo do futebol e o cara que vive realmente na competição. (Ele é) Competitivo, um ganhador que quer ganhar todos os jogos e todos os treinos. Então, é um cara que tem esses dois lados, mas que aprendi a separar os dois lados dele, saber lidar com isso", declarou Maxwell, revelando uma história entre eles.

"A gente ganhou um título na Itália, a gente sai do título e tinha uma viagem de pesca no dia seguinte já pela manhã, e ele sai idolatrado na Itália pelo título italiano. No dia seguinte pela manhã a gente viaja, vamos pescar em um lugar completamente isolado, e ali eu realmente noto a diferença de um cara idolatrado pelo esporte, vencedor, que não aceita perder nunca, que brigava por isso, por um cara que estava tranquilo, pescando comigo, tomando cerveja e comendo pão jogado no meio do nada na Suécia. Pude perceber muito esses dois lados dele."

Brigas entre Ibrahimovic e companheiros de vestiário

Maxwell teve boa relação com Ibrahimovic dentro e fora dos vestiários - John Berry/Getty Images
Maxwell teve boa relação com Ibrahimovic dentro e fora dos vestiários
Imagem: John Berry/Getty Images

Com experiência de quem dividiu vestiário por muitos anos com Ibrahimovic, Maxwell fala com propriedade sobre o estilo marrento do colega.

"Ele nunca erra, né? O cara que nunca erra é difícil de lidar. O cruzamento não era bom, o passe era muito pro lado. Se ele erra um chute, é porque você falou no ouvido dele. Alguma coisa ele encontra (para culpar), o campo ou algum jogador. É difícil nesse momento, mas quando você começa a aprender, nem todo mundo tem essa oportunidade de jogar tanto tempo com um cara assim. Eu pude ter o tempo de conhecê-lo. Eu já nem escutava mais. A hora que ele errava, eu já saia correndo para trás, deixava ele falando sozinho e continuava a jogar tranquilo", explicou Maxwell, antes de falar sobre as brigas do sueco.

"Tiveram várias discussões e brigas, mas principalmente discussões no vestiário. Eu até falava com ele: 'calma'. Ele dizia: 'Maxwell, fica quieto, não se mete'. Mas tiveram várias. Isso a gente deixa porque acontece. Tudo que ele falava, ele discutia, era realmente pro bem da equipe no sentido de vencer. Ele é muito competitivo, não aceitava corpo mole ou outro tipo de comportamento que não fosse pela vitória"

Maxwell revela torcer para o Vasco e diz que recusou voltar ao Brasil

Maxwell assumiu cargo de dirigente no PSG após pendurar as chuteiras - FRANCK FIFE/AFP
Maxwell assumiu cargo de dirigente no PSG após pendurar as chuteiras
Imagem: FRANCK FIFE/AFP

Já ao falar sobre sua carreira, Maxwell revela que é torcedor do Vasco. O ex-lateral, que atualmente trabalha como dirigente no PSG, afirmou que gostaria de ter defendido o clube carioca em algum momento da carreira, mas que optou por ficar na Europa quando teve a chance de voltar ao Brasil.

"Tive oportunidade de ir pro Brasil no final da minha carreira, conversei com alguns clubes. Depois, obviamente, pesei de um lado pra minha família, para mim, a oportunidade de continuar em um projeto que comecei como atleta e continuar numa parte administrativa do que voltar, jogar e não saber mais o que fazer. Então, eu preferi, mais do que voltar a jogar e ter uma oportunidade no Brasil, seguir uma nova carreira".

"Tive oportunidade de outros clubes, de voltar pro Cruzeiro, outros clubes. Sou torcedor do Vasco, então eu iria sofrer no campo... acho que gostaria de um dia ter defendido o Vasco, clube que eu torço, mas quando a gente é atleta não fecha a porta e a gente defende aquele projeto que acredita que é o melhor. Tive outros clubes no Brasil, mas preferi foi ficar por aqui mesmo. Assim não entra em polêmica, não entra mais no coração, faz o trabalho e vamos pra casa torcer", resumiu Maxwell.

Lembrança amarga do 7 a 1

Maxwell conversa com Felipão em jogo da seleção brasileira - Joel Auerbach/Getty Images
Maxwell conversa com Felipão em jogo da seleção brasileira
Imagem: Joel Auerbach/Getty Images

Maxwell relembra que teve sua primeira oportunidade na seleção brasileira nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006. Contudo, sua lembrança mais dolorida é de outro Mundial: o de 2014, quando integrava o elenco que sofreu uma das derrotas mais duras da história da seleção brasileira.

"(O clima no vestiário) Era silêncio, tristeza, sem entender. É difícil você entender um 5 a 0 numa semifinal, no Brasil, sem poder de reação. Porque a gente sabia que fazer cinco gols no segundo tempo era quase impossível, não era um sentimento que passava no coração de cada um. E a frustração de ter se preparado, treinado muito e estar naquela posição sem saber o que fazer", ressaltou Maxwell, que acrescentou

"Dificilmente alguma coisa explica a frustração de cada um. Não tem como explicar aquilo que a gente sentiu já no intervalo do jogo, o clima de derrota instalado em todos e a frustração. Foi um período muito difícil. Difícil analisar o jogo por tudo que aconteceu, o que ficou marcado de uma maneira negativa. Uma derrota que dificilmente vai sair da memória de nós que passamos por aquele grupo. Muito difícil já desde o intervalo continuar jogando até o final sabendo que já não tinha mais condição, com esse sentimento de humilhação, frustração, e dividir isso com familiares, amigos, torcida do Brasil, era muito difícil para todos nós. Mas infelizmente, ou felizmente, a vida continua, e o esporte te dá novos desafios. Torço pra que um dia a gente consiga esquecer de uma maneira positiva ou transformar isso num aprendizado para o Brasil", concluiu.

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