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Mesmo bancado, ideologia de Carille gera críticas internas no Corinthians

Segunda passagem do treinador pelo Corinthians começou em janeiro e o contrato tem duração até dezembro de 2020 - Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Segunda passagem do treinador pelo Corinthians começou em janeiro e o contrato tem duração até dezembro de 2020 Imagem: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

Gabriel Carneiro e Samir Carvalho

Do UOL, em São Paulo

27/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Corinthians não tem planos de demitir Fábio Carille, que tem contrato até 2020
  • Entretanto, ideias e decisões do técnico têm sido questionadas internamente
  • Rodagem do elenco entre mesmos nomes, alterações e teimosia são os motivos
  • Declarações sobre meninos e veto à dupla Boselli/Love também desagradaram

A eliminação nas semifinais da Copa Sul-Americana e o atual quinto lugar na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro, com 13 pontos a menos que o líder, não irão causar a demissão do técnico Fábio Carille do Corinthians. Com contrato até o fim de 2020, ele está respaldado pelo presidente Andrés Sanchez. Mesmo que a troca no comando não seja uma opção neste momento, decisões e ideias do treinador têm sido discutidas e questionadas internamente, em especial na gestão do elenco.

Segundo apurou o UOL Esporte, a principal fonte de reclamações é o grupo de jogadores. Existe a impressão dentro do elenco que Carille dá poucas oportunidades a um número excessivo de jogadores. Ou seja, roda o elenco entre os mesmos nomes e banca algumas peças mesmo em má fase técnica, a exemplo de Júnior Urso, Clayson, Vagner Love e até Jadson. Em contrapartida, Boselli, Gustavo, Régis, Renê Júnior, Matheus Jesus e Bruno Méndez são exemplos de jogadores com pouco espaço.

Na eliminação para o Independiente del Valle, Carille surpreendeu e começou sem Júnior Urso e Clayson, dois dos titulares questionados, trocados por Ramiro e Boselli. Mas, no segundo tempo, ambos entraram em campo. Inclusive, ao sacar Ramiro para a entrada de Clayson, aos 16 minutos do segundo tempo, o técnico perdeu força na marcação e viu os equatorianos aproveitarem a falta de cobertura compensando Fagner para marcarem o primeiro gol do empate em 2 a 2.

Há, entre profissionais do clube e dirigentes, a ideia clara de que Carille errou nesta alteração. E mais: que ela simboliza justamente a teimosia do treinador em determinadas convicções em relação a jogadores e ideias de jogo. O comportamento do técnico do Corinthians em declarações públicas, como no dia em que elegeu os "meninos" como responsáveis por uma derrota, ou quando disse que não pretende usar Vagner Love e Boselli como dupla de ataque, também não foi bem recebido.

Outro elemento que conta negativamente é a condução de um momento de insatisfação de Mateus Vital e Pedrinho - o primeiro, que foi informado de que viraria reserva antes de um treino, nem sequer saiu do banco no Equador. Assim, uma das missões do Corinthians para terminar o Campeonato Brasileiro em uma posição melhor do que está hoje é que o técnico reconquiste a confiança do grupo de jogadores, que se sentiu exposto.

Protesto Corinthians - Flavio Latif/UOL - Flavio Latif/UOL
Protesto na última semana na porta do CT teve Carille como um dos alvos
Imagem: Flavio Latif/UOL

Entre os principais alvos de um protesto realizado por torcedores corintianos na última semana, quando foi chamado de "retranqueiro", Carille está na berlinda como nunca antes, questionado por jogadores, dirigentes e torcida. Até mesmo Andrés Sanchez, que tem por política a manutenção do trabalho de treinadores e confia em Carille, expôs publicamente o treinador por más atuações e declarações fora do tom.

O desgaste atual do Corinthians com Fábio Carille não tem relação com o interesse do Tianjin TEDA FC, da China, divulgado no início de setembro e que causou irritação na cúpula do clube brasileiro. O assunto esfriou. Agora, a tensão é mesmo pelas preferências do treinador e como ele comandará o trabalho nos próximos 18 jogos do Brasileiro, a começar pelo duelo de domingo, às 11h, contra o Vasco, em Itaquera. É um momento de pressão que não vai gerar demissão. Mas não deixa de ser um momento de pressão.

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