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Del Valle forma jogadores com inspiração do Barcelona e com colégio próprio

Independiente Del Valle: jogadores da base frequentam escola no clube e atuam com a mesma proposta do time profissional - Divulgação
Independiente Del Valle: jogadores da base frequentam escola no clube e atuam com a mesma proposta do time profissional Imagem: Divulgação

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Adversário do Corinthians na semi da Sul-Americana, o Independiente Del Valle tem um centro de excelência localizado próximo a Quito.
  • No espaço, 120 jovens entre o sub-12 e o time B vivem e estudam em uma estrutura de destaque no futebol equatoriano.
  • Os adolescentes estudam no próprio centro e têm aulas de inglês, por exemplo. Quem vai mal na escola, não joga.
  • Uma das referências no trabalho do Del Valle é o Barcelona. Assim como na Espanha, todos os times jogam sob o mesmo sistema tático.
  • O UOL Esporte conversou com Ivan Vazquez, coordenador da base: "Devemos ajudá-los a se preparar não apenas para o futebol, mas sim para a vida"

Craque e cidadão, o Independiente Del Valle faz em casa. Em alta no Brasil depois da atuação envolvente contra o Corinthians em Itaquera, o rival da equipe alvinegra hoje (25), pela segunda eliminatória da semifinal da Copa Sul-Americana, leva a sério o projeto de formar jogadores. De lá vem a sustentação da equipe profissional e do clube em si, que revelou para o continente o meia Junior Sornoza, atualmente no lado corintiano do confronto.

A filosofia se divide entre formar atletas de alto nível no Equador e cidadãos melhores. Tanto que no centro de alto rendimento localizado na cidade de Sangolqui, próxima à capital Quito, o Del Valle reúne 120 garotos do sub-12 ao time B para educá-los: em campo, com a filosofia espanhola e do Barcelona como exemplos, e fora em um colégio interno.

"Há inspiração nas pessoas que formam o clube, tanto por sua formação quanto pelas experiências. Sempre que há uma experiência positiva [como no Barcelona] e possa se adaptar ao nosso contexto, creio que há melhora e crescimento. Devemos sempre estar abertos a conhecer outros métodos e criar novas conclusões, sempre querendo melhorar como instituição", contou ao UOL Esporte Ivan Vazquez, coordenador da base do Del Valle.

Dentro do centro de alto rendimento, os jovens convivem com a exigência de manter o equilíbrio entre o estudo e o trabalho no gramado. Notas ruins impedem os garotos de treinar por pura filosofia do clube. As aulas ocorrem no período da tarde, geralmente após os treinamentos, e contam com cursos como inglês, além das disciplinas básicas como o espanhol e matemática.

"O mais destacado aqui é a relação direta entre colégio e futebol. Se o rendimento ou a ida às aulas não são adequadas, isso terá impacto direto na parte do futebol. Consideramos tanto ou mais importante a parte acadêmica, quando à esportiva", acrescenta o dirigente, assegurando que o clube dá a estrutura, mas quer mostrar outra realidade aos garotos que sonham em ser profissionais.

Divulgação
Imagem: Divulgação

"Tentamos ajudar os meninos tanto a nível esportivo como pessoal. Muitos saem de lugares complicados, assim como têm dificuldade de virarem profissionais. É efêmero ser profissional. Devemos ajudá-los a se preparar não apenas para o futebol, mas sim para a vida. Nossa formação é integral", diz.

Em campo, o Del Valle se coloca como um clube formador. Dos 29 pré-convocados para o Mundial Sub-17 que será disputado no Brasil, oito fazem parte da academia do adversário corintiano. A ligação com o futebol da Espanha e do Barcelona está no modo de jogar e até na conexão com o técnico do profissional.

O espanhol Miguel Ángel Ramírez começou no Del Valle pela base e usa um padrão de jogo adotado a todas as categorias, marca justamente do clube catalão que leva a valorização da bola e o 'tiki-taka' de Messi ao sub-12 mais jovem.

Marcello Zambrana/AGIF
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

O potencial esportivo e as conquistas, como o vice-campeonato da Libertadores em 2016, são valorizados. Entretanto, durante a conversa com a reportagem, Vazquez por seguidas vezes valorizou o papel do Del Valle fora das quatro linhas. Afinal, dos atuais 120 meninos, poucos vão ter o sucesso profissional alcançado, por exemplo, pelo corintiano Sornoza.

"Poderíamos diferenciar duas vias: encontrar o êxito com contratações e potencializar a equipe, com base na intervenção econômica, ou trabalhar na formação e desenvolvimento de jogadores que fazem parte da estrutura. É o caminho a longo prazo, mas em minha opinião garante maior segurança pensando em um futuro próximo", encerra o dirigente do Del Valle.

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