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Cruzeiro evita chutões, mas saída de bola vira pesadelo em momento delicado

O dilema de Ceni no Cruzeiro: time carece de resultados urgentes, mas técnico tenta implantar novo modelo de jogo - Fernando Moreno/AGIF
O dilema de Ceni no Cruzeiro: time carece de resultados urgentes, mas técnico tenta implantar novo modelo de jogo Imagem: Fernando Moreno/AGIF

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

24/09/2019 04h00

O Cruzeiro de Rogério Ceni está vivendo um dilema neste momento da temporada. Enquanto o treinador tenta fazer com que a equipe se adapte ao novo método de trabalho o mais rápido possível, a situação alarmante do clube não permite que todo esse tempo seja utilizado sem que o clube não some ponto dentro de campo, o que é o mais importante e emergencial neste momento no Campeonato Brasileiro. Adepto da posse de bola, uma das propostas do comandante é que a equipe saia jogando de pé em pé, sem dar chutões ao campo adversário. Como o elenco ainda não está afiado neste quesito, no entanto, algumas falhas já ocasionaram gols e prejudicaram a equipe que já não pode mais se dar ao luxo de sair de campo sem as vitórias.

A mais recente falha do sistema defensivo do Cruzeiro aconteceu no último sábado, na derrota para o Flamengo. O gol rubro-negro que abriu o marcador foi consequência de uma saída de bola perigosa do goleiro Fábio, que acabou complicando o zagueiro Cacá. Gérson ficou com a bola e cruzou na medida para Gabriel marcar de cabeça.

Situações parecidas também aconteceram diante do Internacional, na eliminação na Copa do Brasil, e na goleada contra o Grêmio, pelo Brasileiro. Em outras partidas, a equipe acabou não levando gols decorrentes de erros na saída de bola, mas passou alguns sustos ao seu torcedor e contou com a sorte para não colecionar mais tentos dessa maneira.

"Eu mesmo, contra o Inter, errei muita bola. O lance do gol se caracterizou por uma má decisão minha. Mas é um erro consertável. Contra o Flamengo, tivemos um erro mais próximo e o time deles foi muito cirúrgico. Com a experiência que tenho, acho que não podemos dar chance para o azar e margem para o erro. Sei da qualidade que temos para sair jogando, mas acho que temos que estar firmes para fazer uma saída de bola, tem que ser mais seguro. Estamos trabalhando e melhorando nesse fundamento, com o tempo vamos ter essa situação um pouco melhor", comentou o zagueiro Dedé.

O problema é justamente a falta de tempo para melhorar alguns quesitos, já que o time precisa pontuar imediatamente. Depois de encerrar o turno na zona de rebaixamento, o Cruzeiro desceu mais uma posição e agora está no 18º lugar. Derrotado nos últimos três jogos do Brasileirão, a equipe pegou apenas adversários que brigam pelos principais torneios do país ou do continente. A partir de agora, serão dois duelos diretos contra times que lutam para se afastar da degola. Amanhã, o jogo será no Castelão, contra o Ceará, equipe que está a quatro pontos da Raposa. Já na próxima segunda (30), a equipe receberá o Goiás, atualmente com 24 pontos.

"Temos que começar a vencer, não tem outra saída. Nosso time tem que brigar pela vitória neste jogo [contra o Ceará] que será muito difícil. São adversários que estão acima da gente, mas próximos. A tabela está muito apertada naquela parte. É o momento de darmos essa reviravolta. É o segundo jogo do segundo turno. Como fomos muito mal no primeiro turno, estamos tendo essa chance de fazer um segundo turno muito bom. Vimos isso ano passado, com o próprio Ceará dando essa reviravolta no segundo turno. A gente vai sair dessa situação", acrescentou o zagueiro.