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"My name is Mano": auxiliar de Ceni motivou ironia de técnico do Palmeiras

Rogério Ceni e Mano Menezes tiveram discussão durante jogo da Copa do Brasil 2017 - Thomás Santos/AGIF
Rogério Ceni e Mano Menezes tiveram discussão durante jogo da Copa do Brasil 2017 Imagem: Thomás Santos/AGIF

Enrico Bruno e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

14/09/2019 12h00

Palmeiras e Cruzeiro encerram hoje, às 19h, as suas participações no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Na beira do gramado, os holofotes estarão voltados para o reencontro de Mano Menezes com seu ex-clube, assim como para o comportamento de Rogério Ceni, que já tem de contornar situação delicada em Belo Horizonte. Há duas temporadas, os treinadores protagonizaram um duelo tenso que terminou com uma famosa frase: "My name is Mano Menezes" ("Meu nome é Mano Menezes"), dita pelo então comandante celeste em ironia a um auxiliar gringo do São Paulo.

O ano era 2017. Mano estava em sua segunda passagem pelo Cruzeiro, mas ainda não havia se consolidado como especialista em mata-matas, tampouco levantado títulos pela Raposa. Valendo vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil, sua equipe tinha pela frente o São Paulo, então comandado por Ceni. Durante a semana, muito se falou sobre a filosofia que estava sendo implantada pelo emergente técnico e como isso poderia surpreender o Cruzeiro de Mano

Ao seu lado, Rogério contava com Michael Beale, auxiliar técnico inglês que dividia a responsabilidade de elaborar os treinos do São Paulo. A expectativa era enorme em torno da dupla. Enquanto um iniciava a carreira como técnico, após ganhar praticamente tudo como goleiro pelo Tricolor Paulista, o outro era autor de livros sobre métodos de treinamento e já havia passado pelo Chelsea e Liverpool antes de desembarcar no Brasil.

De fato, no confronto de ida, no Morumbi, o São Paulo de Ceni foi mais presente no campo de ataque e superior em quase todas as estatísticas da partida. Fora das quatro linhas, o confronto também teve discussões acaloradas entre técnicos e membros das duas comissões. No final, o Cruzeiro provou que já se mostrava um time cirúrgico: finalizou duas vezes ao gol e venceu nas bolas paradas com Lucas Pratto, marcando contra, e Hudson. Então, veio a famosa frase do comandante, recebida com bom humor na imprensa, mas que também carregava uma ironia com as boas-vindas para quem ainda não conhecia sua capacidade de ganhar jogos decisivos.

"Penso que o jogo foi disputado dentro das características que nós imaginávamos que seria. Acompanhamos bem o nosso adversário, o São Paulo. O Rogério [Ceni] introduziu uma filosofia de jogar e propor o jogo dentro do campo do adversário, com volume e muita ação. E para enfrentar uma equipe como essa, num primeiro jogo fora de casa e num sistema de mata-mata, você tem que traçar uma estratégia para saber enfrentar isso. Como vocês sabem, minhas equipes não gostam muito de tomar gols, vocês já me conhecem. 'My name is Mano Menezes', para quem não me conhece. Historicamente, essa é a característica do trabalho que eu acredito. Não acredito em equipes que tomam muitos gols para conquistar títulos", comentou Mano, em abril de 2017.

O episódio também foi registrado no livro "Caminhos do Penta", escrito pelo jornalista Gilmar Laignier e por Bruno Vicintin, ex-vice presidente de futebol do Cruzeiro.

"Fizemos um belo jogo, ganhamos por 2 a 0, e o clima no vestiário depois da vitória era o melhor possível. Mano estava tão feliz que brincou em sua coletiva pós-jogo dizendo 'My name is Mano Menezes', em uma clara provocação ao auxiliar de Rogério Ceni, que era inglês", diz um trecho da obra.

No jogo da volta, o Cruzeiro perderia no Mineirão por 2 a 1, mas deixou o campo classificado para as oitavas de final devido ao placar agregado. Naquela campanha, a equipe ainda passaria por Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Flamengo antes de ser campeão pela quinta vez.

Papéis invertidos?

Desta vez, Mano Menezes e Rogério Ceni voltam a se encontrar, agora com o ex-cruzeirense no Palmeiras e o ex-tricolor no Cruzeiro. Apesar dos estilos opostos, é possível que as equipes também invertam os papeis se comparados os estilos dos treinadores. Por mais que goste de atacar a todo instante, Rogério Ceni admitiu que, pelo menos por enquanto, não será possível jogar com o Cruzeiro da maneira que ele prefere, totalmente ofensivo.

Depois de a Raposa levar sete gols nos dois últimos jogos, há chances reais de o time ganhar algum reforço na marcação, como a entrada de um segundo volante de origem, algo que não estava sendo feito. Por outro lado, Mano chegou à Academia prometendo um futebol mais ofensivo. Nas duas primeiras partidas, virou contra o Goiás (2 a 1) e venceu o Fluminense (3 a 0). Além disso, chamou atenção pela posse de bola superior ao adversário ou pelo alto número de finalizações a gol, algo pouco costumeiro em sua passagem por Minas Gerais.

Os extremos que separam os dois clubes também estão presentes na tabela de classificação. As duas últimas vitórias reaproximaram o Palmeiras dos primeiros colocados, agora a um ponto do segundo Santos e a três do líder Flamengo. Já o Cruzeiro ainda não conseguiu se desgarrar da zona da degola. Com 18 pontos, está três acima do Fluminense, o primeiro time do Z-4, e pode até dormir no rebaixamento caso seja derrotado no Allianz Parque e o time carioca vencer o Corinthians, no domingo.

PALMEIRAS x CRUZEIRO

Motivo: 19ª rodada do Brasileirão
Data/Hora: 14/09/2019, às 19h (de Brasília)
Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Árbitro: Rodolpho Toski Marques (PR)
Assistentes: Bruno Boschilia (PR) e Victor Hugo Imazu dos Santos (PR)
VAR: Paulo Roberto Alves Junior (PR)

Palmeiras: Weverton; Marcos Rocha, Luan (Gustavo Gómez), Vitor Hugo e Diogo Barbosa; Felipe Melo, Bruno Henrique e Gustavo Scarpa; Dudu, Willian e Luiz Adriano. Técnico: Mano Menezes.

Cruzeiro: Fábio; Orejuela, Léo, Fabrício Bruno e Dodô (Egídio); Henrique, Ariel Cabral (Jadson); Robinho (Thiago Neves ou David), Marquinhos Gabriel, Pedro Rocha; Fred (David). Técnico: Rogério Ceni.