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Há 20 anos, Inter 'batizou' palco da primeira final da Copa do Brasil

Claiton é técnico de futebol e foi autor do gol da vitória do Inter contra o Athletico em 1999 - Divulgação/Cruzeiro-RS
Claiton é técnico de futebol e foi autor do gol da vitória do Inter contra o Athletico em 1999 Imagem: Divulgação/Cruzeiro-RS

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

10/09/2019 04h00

Um ano difícil na história do Inter, com time que trocou de treinador várias vezes ao longo do Brasileiro e por pouco não foi rebaixado. Mas um dos impulsos que evitou a queda em 1999 foi uma vitória ímpar. O Colorado foi o primeiro a bater o Athletico Paranaense (na época sem h), em sua casa após uma reforma no estádio.

Ainda distante do campo sintético, a Arena da Baixada foi inaugurada em 24 de junho de 1999. O estádio Joaquim Américo ganhou a alcunha após a reforma que começou a transformá-la no que é hoje.

Dois meses invicto, o Athletico encarou o Inter pela 25ª rodada do Brasileirão daquele ano. E o time, mesmo claudicante, conseguiu a vitória de virada. Quem foi o responsável por "batizar" a Arena foi Claiton, autor do segundo gol do Inter. Celso havia feito o primeiro, e Kelly fez o do time paranaense.

Revista da Federação Gaúcha de Futebol nº13 p.32, 1997/Acervo Internacional
Imagem: Revista da Federação Gaúcha de Futebol nº13 p.32, 1997/Acervo Internacional

"Entrei no segundo tempo, me lembro muito bem deste jogo. Foi o campeonato que escapamos do rebaixamento na última rodada, gol do Dunga, no Beira-Rio, contra o Palmeiras. Começamos o ano bem com o Paulo Autuori de técnico, mas houve um transtorno muito grande quando perdemos por 4 a 1, em casa para o Juventude na Copa do Brasil e ficamos fora na semifinal. Perdemos o Gauchão para o Grêmio naquele jogo em que o Ronaldinho Gaúcho deu show, com lances contra o Dunga", recordou Claiton ao UOL Esporte.

"O Autuori pediu para ir embora, entrou o Valmir Louruz. Estávamos muito pressionados, o time do Athletico era muito bom, com Gabiru, Kleber, Kléberson, vinham numa sequência de vitórias. Eu tive a felicidade de fazer o gol", acrescentou o ex-volante, que atualmente é técnico de futebol.

Mesmo que tenha sido importante, aquele jogo não conseguiu evitar a campanha ruim do Colorado. O Inter venceu, mas depois trocou mais uma vez de técnico, sofrendo até o fim.

"A coisa não estava acontecendo. Nosso momento era um momento diferente do deles, era muita tensão, um momento em que uma vitória fora de casa daria um ânimo. Mesmo assim, ainda tropeçamos muito. Trocou o treinador de novo, veio o Leão, foi um campeonato complicado. Mas, para mim, que fui um jogador de poucos gols, este jogo ficou marcado", disse.

O tempo se encarregou de levar Claiton para o Athletico anos depois. Revelado pelo time gaúcho, o ex-volante jogou no Colorado de 96 a 99. Depois, passou por Vitória, Bahia, Servette (Suíça), Santos, Nagoya Grampus, Botafogo e Flamengo antes de desembarcar em Curitiba para defender o Rubro-Negro, em 2007. Mesmo assim, o gol de 99 ainda era lembrado.

"Muita gente lembrava disso quando cheguei lá. Foi algo muito bacana. Fico feliz de ter marcado história nos dois clubes. Essa final me deixa muito feliz. O Odair [Hellmann, atual treinador do Inter] foi meu colega de faculdade, meu colega de time, estou muito feliz pelo Inter e acredito que até é um pouco favorito. Vai passar muito pelo primeiro jogo, os dois são muito fortes em casa", analisou.

Convidado pela direção do Athletico Paranaense, Claiton estará na Arena da Baixada na partida desta quarta. E o coração está dividido entre o clube que o formou, pelo qual sempre torceu, e outro que também lhe abriu as portas.

"Eu sou colorado, mas sempre falei que depois do Inter, o time que aprendi a torcer e gostar por tudo que fez por mim, o respeito, as pessoas, tudo, é o Athletico. Eu até liguei para o Petraglia [Mário Celso, dirigente do clube paranaense] para parabenizar depois do jogo com o Grêmio [pela semifinal da Copa do Brasil]. Ele me convidou e estarei lá. Estou bastante dividido na torcida para que ganhe o melhor, o que for merecedor, que tenha justiça nesta final. Essa é minha ideia, estou muito feliz de ver na final duas equipes que tive o orgulho de fazer história, ser reconhecido, é muito bacana", finalizou.

Inter e Athletico Paranaense abrem a final da Copa do Brasil, às 21h30 (de Brasília), nesta quarta-feira. O jogo de volta será no dia 18, no Beira-Rio.