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Amor e ódio: o dilema que envolve Neymar e nem Tite sabe explicar

Neymar em treino da seleção brasileira - Lucas Figueiredo/CBF
Neymar em treino da seleção brasileira
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Bruno Grossi

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

10/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Neymar carrega famas negativas de parte da imprensa e do público
  • Mas seus companheiros de time são praticamente seus fãs
  • O técnico Tite admite que já tentou entender esse dilema sobre o astro
  • Imagem de Neymar está arranhada por episódios fora dos gramados
  • Resposta pode vir em campo, hoje, contra o Peru

Você certamente já ouviu torcedores, jornalistas ou adversários tachando Neymar de cai-cai, arrogante, mimado, popstar e outros carimbos negativos. Você também já percebeu, provavelmente, que aqueles de convívio mais próximos ao craque são quase unicamente admiradores, fãs. O elenco da seleção brasileira é exemplo disso. É só você perguntar o que eles acham de Neymar que aparecem exaltações a simpatia, a simplicidade e ao comprometimento do astro no dia a dia. Mas por que existem interpretações tão antagônicas sobre Neymar?

Esse é um questionamento que o próprio Tite admite que já se pegou fazendo. O técnico, que muitas vezes é criticado por abraçar demais a causa de Neymar, acredita que esse conflito de impressões tem culpa dos dois lados. O treinador crê que a opinião pública poderia se abrir mais para entender a realidade e as atitudes de Neymar, que por sua vez poderia mostrar mais ao mundo essas facetas que são tão destacadas por quem está por perto.

"Não sei, não sei explicar [essa diferença]. Mas também vejo desta forma. O presidente da Federação de Rondônia (Heitor Costa), que é chefe da delegação, fez este comentário ontem mesmo. Reparou como é agradável o convívio, como gostam dele. Às vezes, parece que é troca de interesses o técnico falar bem do atleta, como é quando eu falo do Neymar. Isso é um desafio que ao longo do tempo pode ser mais clareado. Vocês conhecerem mais, eles conhecerem mais vocês. Tem um espaço grande de compreensão das duas partes, tem sim. Sinto isso. Tem espaço para convergir numa situação dessa", opinou Tite.

Lucas Figueiredo/CBF
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

O treinador se mostrou intrigado com a pergunta e seguiu refletindo sobre o tema após a entrevista coletiva de ontem, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A certeza que ele tem, por enquanto, é que Neymar segue gozando de prestígio e admiração dos colegas de seleção. E que isso pode ser importante para que o camisa 10 volte a ser destaque pelo que faz nos campos.

Para entender o tamanho do respeito dos jogadores a Neymar, basta reparar nas declarações dadas por veteranos como Daniel Alves ou novatos como Samir. Todos tratam o fato de compartilhar o ambiente da seleção com Neymar como um privilégio. "Para mim é uma oportunidade única estar aqui com Neymar e outros grandes jogadores. É muito importante para mim. E para o time também, porque ele impõe respeito em campo", destacou Samir. Neymar está sempre animado, nos treinos ou na concentração, e se mostra disposto a ajudar na ambientação dos mais novos.

Mas se para os íntimos Neymar é unanimidade, para o "mundo exterior" a imagem é cada vez mais arranhada e carrega a fama de imaturo. E boa parte das críticas passa, talvez, pela forma como o entorno do craque o blinda excessivamente ou conduz negociações.

O protagonismo polêmico de Neymar no mercado da bola arrastou uma série de jornalistas europeus para os amistosos em Miami e Los Angeles. Franceses e espanhóis disputaram espaço em coletivas, treinos e zonas mistas à espera de declarações do atacante. Mesmo assim, com um batalhão de jornalistas esperando por uma frase sua, Neymar não disse nada.

Os torcedores que se informam pelo que esses profissionais reportam tiveram de se contentar com as palavras de apoio dos companheiros de seleção. O atacante chegou quieto aos Estados Unidos, permaneceu assim ao ser decisivo contra a Colômbia na última sexta-feira e não dá pinta de que falará hoje após o duelo com o Peru.

Segundo quem o cerca, ele quer responder em campo, onde as impressões quase sempre foram boas. Pensando no que Tite disse, que é preciso que Neymar se abra mais ao outro lado, a atual viagem para os EUA com a seleção é o maior exemplo de como isso (não) acontece.

BRASIL X PERU

Local: Memorial Coliseum, em Los Angeles (EUA)
Data/Hora: 11 de setembro de 2019, à 0h (de Brasília)
Árbitro: Jair Marrufo
Assistentes: Frank Anderson e Corey Rockwell

Brasil: Ederson, Fagner, Militão, Marquinhos e Alex Sandro (Jorge); Casemiro, Allan e Philippe Coutinho; David Neres, Neymar e Roberto Firmino. Técnico: Tite.

Peru: Gallese, Corzo, Zambrano, Abram e Trauco; Tapia e Yotún; Costa, Cueva e Flores; Ruidíaz. Técnico: Ricardo Careca.

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