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Conheça o zagueiro do Corinthians fã do Boca que joga na base da Argentina

Thomas Agustin é nascido na Argentina e radicado no Brasil desde 2010; ele atua como zagueiro e volante na base do Corinthians  - Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Thomas Agustin é nascido na Argentina e radicado no Brasil desde 2010; ele atua como zagueiro e volante na base do Corinthians Imagem: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

04/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Thomas Agustin nasceu na Argentina e chegou no Brasil em 2010 com a família
  • Aos 12, garoto assinou com Corinthians. É campeão paulista sub-13 contra o Palmeiras
  • Hoje, é zagueiro e volante e está na seleção argentina sub-15 em treinos e amistosos
  • Ele só assinará contrato profissional em março, com 16 anos. Clube confia na renovação
  • Pai de Thomas diz que o futebol ajudou o filho a se integrar ao país. Ele já fala português

Há um jogador do Corinthians entre as principais promessas do futebol argentino na atualidade.

Thomas Agustin Fretes, que joga como zagueiro e volante, vive um período de treinos e amistosos com a seleção sub-15 da Argentina desde a semana passada. Ele e mais um menino, que atua pelo Mallorca (ESP), são os únicos de fora do país sul-americano na lista de convocados. "Ele é muito apaixonado pelo futebol argentino, que tem uma característica parecida com a do Corinthians, de raça, entrega até o fim e futebol físico. Tudo se encaixa", conta Daniel, pai da promessa estrangeira de 15 anos, ao UOL Esporte.

Foi o pai quem mudou a história de vida do filho. Casado com Sol, Daniel recebeu uma proposta de emprego no Brasil em 2009. Veio, trabalhou por seis meses sem a companhia familiar e depois mandou trazer todo mundo. Ao lado da mãe, Thomas desembarcou em São Paulo aos 6 anos, apaixonado pelo Boca Juniors e sem falar nada de português.

Sol, Thomas, Valentim e Daniel. Só o caçula da família Fretes é nascido no Brasil - Acervo pessoal
Sol, Thomas, Valentim e Daniel. Só o caçula da família Fretes é nascido no Brasil
Imagem: Acervo pessoal

"Ele sofreu bastante, porque ninguém o entendia e nem ele entendia ninguém. Percebemos que ele estava mal emocionalmente por causa de um problema nas unhas, que não cresciam. Achávamos que era alergia, levamos em médicos, trocamos tapete de casa... Aí ele começou a jogar bola na escola, passou a falar português, fez amigos. Nós fizemos amizade com os pais dos coleguinhas também. E quando vimos, ele passou a entender e se integrar ao Brasil através do futebol. Os problemas acabaram", relembra Daniel Fretes, que trabalha com importação.

No Corinthians desde 2016

Thomas atuou por três anos no time do colégio, entre amigos. Aos nove, foi convidado para jogar na escolinha do Barcelona, no bairro da Barra Funda. Chegou a viajar duas vezes à Espanha para torneios internos e começou a se destacar. Aos 12, foi convidado para fazer uma peneira no Corinthians e acabou aprovado. No ano seguinte já foi campeão paulista sub-13 em final contra o Palmeiras. Daí começou a trajetória que chamou atenção do mercado, como conta Felipe Strutz, um dos empresários do garoto.

"Ele chegou a fazer futebol freestyle por um período. Fez aulas e se desenvolveu. O Diego Freestyle, que dava as aulas, tinha contatos no Corinthians e viu nele um estilo de jogador de campo. Rapidamente aprovaram ele, principalmente pelo porte físico. Correram atrás de documentação por uns cinco ou seis meses. Assim que saiu, ele começou a jogar. Fechamos com ele aos 14 anos, é um menino super do bem e com grande projeção."

Thomas Agustin e Tobias Medina, da seleção da Argentina sub-15, durante treinos no país - Reprodução/Stories
Thomas Agustin e Tobias Medina, da seleção da Argentina sub-15, durante treinos no país
Imagem: Reprodução/Stories

A empresa que agencia Thomas chegou a enviar material em vídeo para a AFA (Federação Argentina de Futebol) avaliar. Também teve contatos com membros da CBF, mas não houve convocação para a seleção brasileira. Se houvesse, o garoto daria preferência aos argentinos, segundo contam pessoas próximas. "A convocação dele teve uma repercussão grande na Argentina. O Corinthians tem uma camisa que pesa", resume Cesar Soler, outro representante do zagueiro.

Na Argentina, o time comandado pelo técnico Alejandro Saggese disputou amistosos contra o Newell's Old Boys, tradicional clube local, e a seleção do Peru. Ganhou os dois jogos. Thomas foi titular em um deles. A equipe se prepara para o Sul-Americano da categoria, que será disputado entre novembro e dezembro na Bolívia.

Futuro no Corinthians?

Thomas tem contrato de formação com o Corinthians válido até maio de 2021. Ele pode assinar um vínculo profissional a partir do ano que vem, em março, quando completar 16 anos. Ainda não existe negociação pela renovação, mas o clube está tranquilo porque há bom contato com pais e empresários e o garoto está feliz na base do clube - apesar de ser torcedor do Boca na infância, se encantou pelo Corinthians no país.

Tendência é que Thomas se firme como volante na sequência do período na base - Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians
Tendência é que Thomas se firme como volante na sequência do período na base
Imagem: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Nos bastidores, as impressões são de um garoto tranquilo, sem problemas de relacionamento e que dentro de campo tem se adaptado bem às mudanças de categoria. Talvez futuramente se firme como volante, pois chegou a 1,77m sem grande tendência de espichar mais.

O pai, é claro, só tem elogios: "Ele é um cara sossegado, critica as pessoas que se acham, não vê como algo positivo. Eu tenho certeza que antes de um jogador estamos com a responsabilidade de formar um grande ser humano e está dando certo." Thomas tem um irmão, Valentim, de seis anos, que já treina em escolinha como lateral-direito. Quer seguir o sonho que já é do irmão.

Quanto à língua portuguesa, é como se Thomas tivesse nascido no Brasil, como explica Felipe Strutz: "O português dele é perfeito hoje em dia. Nem sotaque. Você não sabe que ele é argentino."

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