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Áudio com Argel criticando elenco e diretoria vaza: "muito cabeça de bagre"

Augusto Oliveira/RCortez/Ascom CSA
Imagem: Augusto Oliveira/RCortez/Ascom CSA

Do UOL, em Santos (SP)

02/09/2019 17h44

Vice-lanterna do Campeonato Brasileiro e dono do pior ataque da competição, com apenas cinco gols em 17 jogos, o CSA teve mais um problema para lidar nos últimos dias: um áudio vazado de Argel em uma reunião com diretoria e torcedores em que detona contratações feitas pelo clube, critica jogadores, a estrutura do CT e até o ex-treinador Marcelo Cabo, hoje no Vila Nova.

O áudio vazado foi gravado no dia 16 de agosto, uma sexta-feira, quando torcedores do time alagoano foram ao CT - autorizados pela diretoria - para conversar com o técnico Argel Fucks e o diretor executivo de futebol, Fabiano Melo. O tom era de cobrança pela má fase da equipe e precedeu a vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, no Maracanã, pela 15ª rodada do Brasileirão.

Com os dois tropeços seguintes, porém, o clima voltou a piorar e o áudio acabou vazado. Nele, Argel Fucks comenta a real situação do clube, critica a diretoria por ter contratado 'muito jogador cabeça de bagre' e diz que falta qualidade ao time.

"O Campeonato Brasileiro é difícil, o salário em dia é obrigação. Eu sei que vocês se acostumaram a ganhar, vocês saíram da Série D, subiram pra C, subiram pra B, só que a Série A é outro nível. É outro nível, gente. Foi feita muita coisa errada por aqui, se contratou muito jogador cabeça de bagre. Quando a gente veio pra cá, a gente sabia que era difícil, agora ninguém se entregou, não. Eu não sou cara de me entregar. Eu trabalho pra c.... todo dia aqui, por falta de trabalho que não é", diz trecho do áudio.

Sobrou até mesmo para Marcelo Cabo, antigo técnico do CSA e hoje no Vila Nova, e alguns jogadores do antigo elenco, como Julian Benítez e Robinho - que também estão no Vila. Madson, meia que não entra em campo há quase três meses e ainda está no elenco, também foi citado por Argel Fucks.

"Dos jogadores que estavam aqui, o seu Benitez não tem condições nenhuma de jogar na Série A. Nem o baba que nós fizemos aqui, só dos véio, ele consegue jogar. Não tem condição. Como Robinho não tem, como "seu" Madson não tem, vocês tão vendo. Então, na montagem do grupo no começo foi errado, essa é a verdade. A responsabilidade é da diretoria, do treinador, do clube. Era do Cabo, agora é minha. O time estava mal fisicamente, o time não treinava de manhã. Como que um time de Série A não treina de manhã, só pra terminar. Nós tivemos uma folga na Copa América... Como é que tu vai dar folga com o time na zona do rebaixamento? Se a gente tivesse aqui, nós não teríamos folga, nós íamos aproveitar isso", acrescenta.

Em nota oficial (leia mais abaixo na íntegra) divulgada ontem (1), o CSA diz que 'algum integrante dessa reunião gravou na íntegra toda conversa' e 'agiu de extrema má fé' ao vazar o áudio.

VEJA MAIS TRECHOS DO ÁUDIO DE ARGEL:

Críticas à estrutura do clube

O CSA não tem essa estrutura toda que vocês acham que tem, não. Vamos ali dar uma volta no campo... Vocês viram onde eu tive que treinar hoje? Eu tive que fazer uma área, um clube da Série A fazer uma área de fita. Nós não temos campo, porque tá chovendo pra c... aqui. Estamos na Série A, é diferente. Sabe por que é diferente? O Grêmio vem de voo fretado. Aluga um avião pra vir jogar com a gente, os caras pagam 200 paus pra vir. Então, nós estamos numa realidade diferente.

Pede a palavra para o executivo

Fabiano, deixa eu falar, porque eles tão batendo em você e tão batendo em mim, então deixa eu falar. É muito fácil colocar a culpa no treinador, então deixa eu falar, eu tô há cinco jogos aqui, então o que que eu tô dizendo pra vocês... Quando a gente veio pra cá, a gente sabia que era difícil, agora ninguém se entregou, não. Eu não sou cara de me entregar.

Folha salarial baixa

Do Alagoano pra cá, a nossa folha é de 1 milhão e meio. Você acha que com esse valor a gente consegue montar um grupo para a Série A? A folha dos caras é R$ 12 milhões, R$ 14 milhões, R$ 4 milhões e 800 mil do Fortaleza

Testes no ataque

Eu trouxe o João Vitor, o Alan Costa, o Euller, o Alecsandro. Nós precisamos de no mínimo dois centroavantes pra jogar Série A. O Fortaleza tinha Wellington Paulista e o Kieza no banco. ''Ah! Mas não pode jogar com dois centroavantes''... Gente, nós temos três gols no campeonato [hoje são cinco]. Nós temos que tentar qualquer coisa. Eu tentei com o Robinho não deu, eu tentei com o Cassiano e não deu, eu tentei com o Gamarra e não deu, eu tentei com o Maranhão e não deu. Tem que tentar.

Treinos pela manhã

Outra coisa, estamos num lugar de praia. Num lugar de praia tu tem que botar treino de manhã, porque senão o cara vai pra bar, ele vai dormir até 10 horas da manhã... Agora se tu bota o treino de manhã, o cara vai pensar ''car..., se eu sair, amanhã eu não aguento''. E aqui era só treino a tarde.

Jogar a toalha?

O dia que o clube pensar isso, o primeiro a ir embora sou eu. No dia que a diretoria pensar "nós já caímos", eu vou ser o primeiro a sair. Eu não vou ficar trabalhando num time onde a diretoria não acredita. O resultado é ruim? É. Por vários problemas. Por montagem de grupo, por contratação errada, por não se preparar para a Série A, por não ter campo para treinar. Eu cheguei aqui, nós fomos na AABB e não tinha água e nem luz.

Manga Escobar

Eu gostaria de contar com o Manga, tanto que o Manga estava convocado pra esse jogo [contra o Fluminense], tá?. O Manga tava convocado pra esse jogo, e a diretoria me chamou e disse "Argel, o Manga tá fora", por vários problemas que o Manga teve aqui e vocês sabem. Por causa da noite, por causa da cachaça, porque não queria nada com nada, certo? Outra coisa, o contrato dele vence segunda, então, se a gente leva e ele se machuca, fica deitado aí até dezembro, com o clube pagando.

LEIA A NOTA OFICIAL DO CSA:

No último dia 16/08, antes da partida contra o Fluminense, foi realizado, no CT Gustavo Paiva, uma reunião entre um grupo de torcedores, nosso Executivo de Futebol Fabiano Melo e o Treinador Argel Fucks.

Nessa conversa, foi debatido algumas circunstâncias adversas que culminaram a campanha abaixo do esperado no primeiro turno do Campeonato Brasileiro 2019.

O encontro foi realizado na sala da direção do clube. Agindo de extrema má fé, algum integrante dessa reunião gravou na íntegra toda conversa. E resolveu viralizar o conteúdo em um momento de derrota, simplesmente com intuito de tumultuar. O CSA repudia essa atitude, uma vez que recebeu a todos e ouviu cada uma das reivindicações.

Todos que fazem o Centro Sportivo Alagoano estão trabalhando incansavelmente para tirar o clube mais tradicional do estado dessa situação. O maior dos desafios é disputar um dos campeonatos mais concorridos do mundo, tendo a menor folha salarial dentre os 20 clubes que compõem a Série A, abaixo até de alguns times da Série B.

Confiamos na força de nossos verdadeiros torcedores, que não buscam em um momento de fraqueza desestabilizar um trabalho que vem sendo revolucionário em um curto espaço de tempo. Fomos o único clube do Brasil a sair de um período sem calendário para elite do futebol nacional.

A força que vem das arquibancadas sempre foi o maior combustível, não apenas para os jogadores, mas sim cada funcionário que compõe o CSA. Confiamos no poder dos verdadeiros torcedores, que não buscam se promover em um momento de derrota e sim, apoiar o Azulão, incondicionalmente. São para esses torcedores que trabalhamos incansavelmente todos os dias.

A parte de baixo da tabela está "embolada" e temos totais condições de sair da zona de rebaixamento. No próximo domingo temos um confronto direto, a fim de tirar o CSA dessa situação incômoda. Contamos, mais uma vez, com a presença e apoio de toda Nação Azulina.