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Pia usa desenho de pipoca e até samba para falar com jogadoras da seleção

Formiga comemora gol do Brasil contra a Argentina - Marcello Zambrana/AGIF
Formiga comemora gol do Brasil contra a Argentina Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

30/08/2019 12h00

A auxiliar técnica Beatriz Vaz é uma peça essencial para ajudar a sueca Pia Sundhage a se comunicar com as jogadoras da seleção brasileira feminina na hora do jogo. A treinadora gesticula e lá está Beatriz aos berros falando com as jogadoras na beirada do campo. Mas, no dia a dia, além da profissional, Pia interage por outros meios, o que inclui fazer desenhos e até analogias. Samba e pipoca já foram usados como tática para facilitar a compreensão do elenco.

Como? A zagueira Erika contou que Pia desenhou uma pipoca com um X para explicar o que não queria no setor defensivo: que as jogadoras ficassem paradas após perder a bola. "Ela quer que sempre volte para marcar e isso a gente pecava, a gente perdia a bola e ficava lamentando. Ela fala que nada de ficar ali parada comendo pipoca. Ela colocou uma pipoca e um X desenhados, e a gente ficou se perguntando o que era".

A sueca admitiu a dificuldade de comunicação na hora do jogo contra a Argentina ontem (29), estreia no comando da seleção. "É muito difícil a mensagem. Algumas vezes podemos ter uma jogadora fora de campo para passar a mensagem. É um processo complicado, tem muitas jogadoras. O processo vai melhorar", disse Pia.

Aos poucos Pia também vai aprendendo as principais palavras que precisa usar em campo para orientar suas jogadoras como "sobe e desce" na hora de falar com as defensoras. "Agora lascou. 'sobe, sobe'! Ela vai passando para a gente. Ela pega os mínimos detalhes", brincou Erika.

Nos setores de campo, Pia Sundhage pede proximidade entre as jogadoras, compactação. Beatriz até usou o termo em inglês usado pela sueca para explicar os pedidos. "Ela cobra muito a compactação. Ela disse que eu e a Lud (Ludmila) temos que ser 'best friends' [melhores amigas, em inglês], porque temos que estar sempre pertinho assim como meio campo, zagueira. Para fazer a composição de ataque e defesa".

Até a analogia com o samba, o ritmo pelo qual o Brasil é mais conhecido no exterior, entrou nas orientações. "Ela fala muito de samba. Ela sabe que a gente tem facilidade no pé de trocar muito rápido e a gente não fazia isso. Ela fala 'vocês conseguem, vocês conseguem sambar, tem molejo pra esquerda e pra direita'", comentou Erika.

Marcello Zambrana/AGIF
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Beatriz e Andressa Alves não esqueceram da ajuda da comissão técnica. "Tem gente que fala na comissão técnica. A gente se reuniu no final do jogo, ela deu os parabéns, falou que a gente fez excelente jogo e que está feliz com o desempenho", disse Andressa.

"A comunicação com a Bia [Beatriz Vaz, auxiliar] tem ajudado. Como ela está sempre do lado pra falar algo específico, ela chega pra orientar. Ela gosta de interagir com a gente. A gente fez a chegada dela, dançando. Foi muito legal, a gente sente uma energia", explicou a atacante Beatriz.

Os gestos na beira do campo são compreendidos pelas jogadoras quando conseguem ver e alguns até foram combinados com a treinadora, que avisou as jogadoras sobre quando vibrar de alegria por algo bom que as atletas tenham feito em campo. "Ela sempre fala: well done! [bem feito, em inglês] E pula. Ela fala que se for bem, ela vai fazer o gesto e vibrar", ressaltou Erika.

O Brasil disputará a final do Torneio Uber de futebol internacional no domingo (1º), contra o Chile, no Pacaembu, em São Paulo.

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