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Incêndio no CT do Flamengo: Negociações avançam e nova audiência é marcada

Ninho do Urubu após incêndio que acabou resultando na morte de 10 garotos - Thiago Ribeiro/AGIF
Ninho do Urubu após incêndio que acabou resultando na morte de 10 garotos Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Alexandre Araújo

Do UOL, no Rio de Janeiro

12/08/2019 11h57

Uma reunião entre Flamengo e Ministério Público do Trabalho aconteceu na manhã de hoje (12) para discutir um possível bloqueio de R$ 100 milhões do clube, que visa a garantia do pagamento de futuras indenizações das vítimas no incêndio no CT Ninho do Urubu. Segundo Mucio Borges, coordenador do CJUS da 1ª Região de 1ª Instância, houve um avanço nas conversas.

Uma nova audiência foi marcada para o dia 29 deste mês e há a expectativa de que o Flamengo possa apresentar uma proposta. Neste, também estarão presentes representantes do Ministério Público Estadual e Defensoria Pública do Estado.

"Esta é a quarta reunião que mediamos entre Flamengo e Ministério Público do Trabalho visando uma composição em relação àquele evento que aconteceu com os atletas do Flamengo, naquele lamentável evento. Negociações assim são muito difíceis, mas as coisas estão evoluindo. Hoje tivemos uma reunião bem proveitosa e remarcamos essa audiência para uma outra data também com MPT, procuradoria do estado e defensoria. Talvez, com esses outros órgãos, consigamos fazer uma composição", disse Mucio Borges, que completou:

"São vários entraves porque, realmente, foi um evento atípico, uma fatalidade sem precedentes. São várias questões envolvidas. Tem famílias, empregados... Vários nortes a serem aparados. É uma negociação difícil, mas aqui temos por hábito esse tipo de demanda e conflito e estamos tentando chegar a um denominador comum".

Alexandre Araújo
Imagem: Alexandre Araújo

Segundo Mucio, o fato de já ter passado seis meses da tragédia não tem uma influência direta na decisão final em relação à conciliação entre as partes, mas pondera que o ideal seria que os acordos já pudessem ter sido fechados.

"Acho que o pior é ficar sem a mediação. Acho que sempre temos de tentar resolver de uma maneira consensual porque se a questão for para o judiciário, vai haver todo o procedimento de um processo que geralmente é longo, traumático para todo mundo. Então, óbvio que o ideal seria que as tratativas e os acordos tivessem sido realizados antes, mas acho que nunca é tarde para tentar solucionar qualquer demanda. E o objetivo aqui é esse, tentar restaurar a relação entre as partes para que se chegue um acordo, seja hoje ou amanhã. Agora, como disse, não é um acordo fácil porque envolve várias situações. Acho que, apesar de já se ter passado seis meses, se conseguirmos chegar a um acordo, ainda que seja na próxima audiência, será mais rápido e eficaz que uma decisão judicial".

O incêndio, que atingiu o alojamento das categorias de base deixou 10 jovens mortos e outros três feridos, aconteceu no dia 8 de fevereiro. Até o momento, em relação às famílias das vítimas, foram fechados três acordos, com as famílias de Athila Paixão e a de Gedson Santos, o Gedinho, além do pai de Rykelmo. Com a mãe de Rykelmo e os familiares de Arthur Vinícius, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Samuel Thomas e Vitor Isaías não houve um denominador comum em relação a valores.

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