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Caso Neymar: MP de São Paulo pede arquivamento de inquérito de estupro

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

08/08/2019 16h20

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça o arquivamento do caso em que Neymar era acusado de ter estuprado a modelo Najila Trindade, em Paris, na França. A decisão foi anunciada pelas promotoras Flávia Merlini e Estefânia Paulin, em entrevista coletiva hoje (8), no centro de São Paulo.

"Após mais de um mês de exaustiva diligência feita pela delegacia e pelo acompanhamento do MP, decidimos pelo arquivamento por não haver provas suficientes do que foi alegado pela própria vítima", explicou a promotora Flávia Merlini.

A decisão do MP-SP, no entanto, não significa que Neymar foi considerado inocente. Caso haja novas provas, o inquérito poderá ser reaberto a qualquer momento. "Importante deixar claro que o arquivamento não implica em absolvição do acusado. O arquivamento pode ser reaberto a qualquer momento, é uma previsão legal, desde que haja novas diligências ou surjam novas provas. Isso não implica em uma absolvição do averiguado", explicou.

Questionada sobre as acusações de agressão feitas por Najila, a promotora Flávia Merlini afirmou que os laudos do Instituto Médico Legal (IML) não constataram nenhum sinal de violência. O único presente seria uma lesão no dedo, ocorrida no dia seguinte ao suposto estupro, quando a modelo brigou com Neymar no quarto do hotel.

"O MP entendeu que essa agressão narrada pela vítima fazia parte de um contexto. Das provas analisadas, não se apurou que seria um crime à parte. Os laudos do IML não constataram nenhuma lesão na vítima, a não ser no dedo, por causa da briga ocorrida no dia seguinte e que foi amplamente divulgada pela mídia."

As contradições apresentadas por Najila foram levadas em conta pelo Ministério Público para a tomada da decisão. "Não dá para se dizer qual a prova que faltou. Por todos os elementos colhidos, pelas contradições existentes no inquérito, optamos pelo arquivamento".

Na sequência, a promotora Estefânia Paulin explicou os motivos de o Ministério Público não ter aguardado a chegada das imagens do hotel em que o caso teria acontecido para tomar a decisão. De acordo com ela, a gravação seria desnecessária por não mostrar o que aconteceu no quarto.

"Ao acompanhar as investigações, entendemos que havia uma relação de afeto entre as partes, ainda que rápida. Sobre as imagens, não foram anexadas nos autos. Entendemos ser desnecessário o aguardo delas para o nosso parecer. As imagens do hotel seriam sobre a área externa do hotel. O crime de estupro é sobre o que aconteceu entre quatro paredes, no interior do quarto. Por isso, essas imagens seriam desnecessárias e decidimos por não as aguardar para dar o nosso parecer", salientou a promotora.

A posição segue a linha adotada pela delegada responsável pela investigação, Juliana Bussacos, da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher. No fim do mês passado, ela anunciou que não indiciaria o jogador por não ter encontrado provas que sustentassem um indiciamento contra ele.

Desde então, o Ministério Público passou a ter um prazo de 15 dias para dar seu parecer. A data limite seria no próximo dia 13 de agosto. O órgão esteve envolvido no caso durante as investigações, trabalhando em parceria com a delegada Juliana Bussacos, para garantir a agilidade do processo.

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