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Conhece Matheus Cunha? Ele é artilheiro da seleção e estreará na Champions

Brasileiro Matheus Cunha recebe o troféu de artilheiro do Torneio de Toulon 2019 - Fernando Torres/CBF
Brasileiro Matheus Cunha recebe o troféu de artilheiro do Torneio de Toulon 2019 Imagem: Fernando Torres/CBF

Marcello De Vico

Do UOL, em Santos (SP)

04/08/2019 04h00

No último mês de junho, a seleção olímpica brasileira venceu o Torneio de Toulon, tradicional competição de seleções de base, depois de superar o Japão na grande decisão. Jogadores já conhecidos do futebol nacional, como Antony, do São Paulo, Pedrinho e Mateus Vital, do Corinthians, e Matheus Henrique, do Grêmio, estiveram presentes e deixaram a sua marca. Mas ninguém foi mais às redes no torneio do que um outro atleta, ainda pouco conhecido no Brasil: Matheus Cunha, de 20 anos, que deixou o Brasil aos 17 para se arriscar no futebol europeu.

Atacante nascido em João Pessoa (PB), Matheus Cunha começou cedo nas categorias de base do Coritiba. Passou pelo sub-15, sub-17 e sub-19 e deixou a equipe paranaense ainda antes de se profissionalizar. O destino foi o Sion, da Suíça, onde chegou para integrar, inicialmente, a equipe sub-20. Mas foi por pouco tempo. As boas atuações renderam chances no time de cima, e Matheus acabou chamando a atenção do ascendente RB Leipzig, da Alemanha, um dos times administrados pela Red Bull espalhados pelo mundo.

O brasileiro chegou ao time alemão aos 19 anos e logo teve a oportunidade de disputar a Liga Europa. Porém, o grande sonho será realizado nesta próxima temporada (2019/20), quando Matheus terá o prazer de disputar o maior torneio de clubes do mundo, a Liga dos Campeões. Na última Bundesliga, o time alemão só ficou atrás dos gigantes Bayern de Munique e Borussia Dortmund e, desta forma, conseguiu a classificação direta para a fase de grupos da Champions.

Divulgação/Coritiba FC
Imagem: Divulgação/Coritiba FC
"Joguei por dois anos a Liga Europa e deu para ter noção um pouco do que me espera. É a maior competição de clubes do mundo e para mim será mais um sonho realizado aqui na Europa. Todo garoto que entra no futebol sonha em um dia jogar a Champions. Que possamos fazer uma boa campanha e estamos confiantes de que isso é possível", disse Matheus em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"Nosso objetivo era conquistar uma vaga na Champions 2019/20 indo diretamente para a fase de grupos. Conseguimos. E, além da vaga, conquistamos uma classificação excelente. Brigamos de igual para igual com os principais times nos confrontos diretos. A meta do clube não é parar por aqui. Temos metas ainda mais ousadas para essa temporada e temos a certeza que estamos cada vez mais preparados para bater de frente com Bayern e Borussia. Sempre respeitando, claro. Organização, profissionalismo... O clube é simplesmente espetacular e a cidade tem nos abraçado cada vez mais", acrescentou.

Divulgação/RB Leipzig
Imagem: Divulgação/RB Leipzig

Na temporada 2018/19, a primeira pelo Leipzig, Matheus Cunha foi um dos destaques do elenco - com oito gols em 39 jogos - e ajudou o time não só a ficar com a terceira colocação da tabela do Campeonato Alemão, mas também a alcançar a decisão da Copa da Alemanha pela primeira vez na história do clube. Na final, porém, acabou derrotado pelo Bayern de Munique.

"O clube é totalmente voltado para o lançamento de jovens jogadores e com uma filosofia única. Só cresce. A minha primeira temporada aqui foi muito boa. Em termos individuais e também coletivamente falando. Fiz boas partidas, gols e deis algumas assistências. Coletivamente melhor ainda. Atingimos nosso objetivo de classificação para a Champions e chegamos na decisão da DFB Pokal [Copa da Alemanha]. Queríamos um título, mas assim é o futebol. Para os próximos anos a meta é ainda maior. E, na parte individual, quero seguir evoluindo e crescendo", disse.

Protagonismo no Torneio de Toulon

Fernando Torres/CBF
Imagem: Fernando Torres/CBF
Com o bom desempenho no futebol alemão, Matheus Cunha foi lembrado pelo técnico André Jardine e apareceu na lista de convocados da seleção brasileira para a disputa do Torneio de Toulon, na França. Além de ajudar o Brasil a ficar com o título, o atacante paraibano mostrou seu faro de goleador e terminou a competição como artilheiro, com quatro gols marcados: um na goleada sobre a França por 4 a 0, dois na vitória por 5 a 0 sobre o Qatar e outro nos 2 a 0 sobre a Irlanda, já nas semifinais.

"A sensação é simplesmente fenomenal. Quem me conhece sabe o quanto gosto e tenho prazer de representar a seleção brasileira. Seja no sub-20, Torneio de Toulon.... Vestir a amarelinha é diferente. Eu, sinceramente, não consigo encontrar palavras pelo título e pelo fato de ter sido artilheiro do torneio. Uma felicidade enorme. Um orgulho e prazer por ter vivido esses momentos com a seleção brasileira", disse o atacante, que, apesar do sucesso em Toulon, evita encarar a competição como uma vitrine.

"Não vejo a seleção como vitrine. Sinceramente. Vejo como um grande patriota que sou. Sinto um orgulho imenso. Mas, sem dúvida nenhuma, que bons momentos com a seleção nos fazem ainda mais reconhecidos mundialmente", acrescentou.

Matheus presenteou mãe com um gol, mas levou 'bronca'

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Quando ainda defendia o Sion, da Suíça, Matheus Cunha viveu uma situação, no mínimo, curiosa. O momento era especial: a mãe, Luziana, assistiria a um jogo seu, no estádio, pela primeira vez. O atacante fez bonito, marcou um gol e dedicou à mãe... Mas nem isso impediu uma tremenda bronca depois do apito final.

"Olha, rapaz... A marcação em casa é acirrada. Pressão. Marcação alta [risos]. Ela foi, pela primeira vez, ver um jogo meu no estádio. Jogava no Sion. O futebol europeu é pegado demais e estava só no meu primeiro ano. Ganhando corpo, entendendo que o jogo tem mais contato, os espaços são curtos... Mas ela não quis saber, não. Eu fiz um gol nesse jogo que ela esteve. Saí todo bobo para perguntar se ela havia gostado e, ao invés de parabéns, veio uma chegada [risos]. Disse que eu precisava ser mais forte e que estava caindo muito", brincou.

VEJA MAIS TRECHOS DA ENTREVISTA:

Início no Coritiba e saída do Brasil aos 17 anos

O tempo que estive no Coritiba foi simplesmente sensacional e me fez crescer demais. Tenho um carinho grande pelo clube. Deixar o Brasil cedo foi um desafio monstruoso quando decidimos por deixar o país. Mas, sinceramente, não foi uma novidade para mim. Estive afastado dos meus pais desde o primeiro dia que resolvi me dedicar ao futebol. Meu pai me acompanhava muito e minha mãe nos dava todo suporte de Cabo Branco (PB). Me adapto rápido aos lugares e, hoje, vejo que essa transição foi mais tranquila do que se apresentava.

Passagem pela Suíça marcou o começo da carreira na Europa

Foi espetacular. Fui contratado inicialmente para participar da equipe sub-20 do Sion. Mas, em virtude das minhas boas atuações, logo subi ao profissional e de lá não saí. Fiz gols, tive boas atuações e chamei a atenção do RB Leipzig. O clube me acolheu muito bem, tive uma parceria com os brasileiros que lá estavam, como o Adryan, ex-Flamengo, e pude render o meu melhor. Foi um ano apenas, mas um ano de muito crescimento como atleta e ser humano.

Ascensão do RB Leipzig surpreende?

Para nós que estamos de dentro, essa ascensão não surpreende. E pelo que o clube tem feito, investido e crescido, a tendência é evoluir a cada temporada. Neste ano já temos a Champions League pela frente. Mantivemos o grupo, chagaram peças em posições que precisávamos.... É um clube com uma estrutura muito bem montada e pronto para grandes conquistas.

Sonho de voltar ao Brasil, mas não agora

Eu sou louco para jogar no meu país. Tenho esse desejo e, com certeza, irei realizá-lo. Claro que não será agora. A meta traçada agora é me firmar ainda mais na Europa e conquistar voos ainda maiores. Depois, mais para frente, me realizo jogando em terras brasileiras.

Ronaldinho Gaúcho é o 'grande ídolo' no futebol

Arquivo pessoal/Matheus Cunha
Imagem: Arquivo pessoal/Matheus Cunha
Procuro sempre dizer em minhas entrevistas que o meu grande ídolo no futebol é o Ronaldinho Gaúcho. Era um fenômeno com a bola nos pés e um cara que tive o prazer e privilégio de conhecer. O tenho como grande ídolo. Mas quero trilhar meu caminho. Sem querer ser igual a ninguém. Cada um tem sua história e que quero escrever a minha da melhor maneira.

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