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Caso Neymar: Najila diz que é tratada com machismo e ataca ex

Modelo Najila Trindade, que acusa Neymar de estupro, em entrevista ao SBT - Reprodução/SBT
Modelo Najila Trindade, que acusa Neymar de estupro, em entrevista ao SBT Imagem: Reprodução/SBT

Felipe Pereira e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Paulo

26/07/2019 12h00

A modelo Najila Trindade abandonou o silêncio de mais de um mês e voltou a se manifestar em entrevista exclusiva ao UOL Esporte. Considerável parte das respostas se dirigiram ao ex-marido, Estivens Alves, que disse à imprensa nesta semana que não teria ocorrido estupro na noite em que ela passou com o jogador Neymar em Paris. Ela afirmou que o ex não estava no quarto do hotel onde teria acontecido a agressão e, por este motivo, não tem a menor condição de avaliar se houve crime.

Najila também adotou um discurso engajado de combate ao machismo. Usou o termo cultura do estupro e argumentou que a luta dela é igual a de muitas mulheres que são vítimas de violência sexual. A modelo ainda falou do desafio de proteger o filho do turbilhão em que a vida da mãe dele se transformou. Uma das táticas é evitar televisão e internet.

Ela ainda afirma que estava "extremamente dopada" quando concedeu entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, do SBT, em sua primeira aparição pública. Sem voltar atrás no que disse, ela prometeu manter a acusação contra Neymar. Veja abaixo quatro tópicos sobre as declarações de Najila ao portal.

A íntegra da entrevista exclusiva de Najila Trindade ao UOL Esporte será publicada amanhã (27). Não perca.

Ex-marido

Najila Trindade e Estivens Alves se separaram em 2017 e tiveram um filho que completou 7 anos na segunda-feira. A relação não era das mais próximas e ficou abalada depois que o ex-marido afirmou em entrevista nesta semana à "IstoÉ" que não houve estupro. A declaração irritou a modelo.

"Estivens não pode afirmar nada com total convicção porque ele não estava lá, portanto, nada viu, nada sabe e nada prova. Deve ser levado em consideração que ele é meu ex e não sabe da minha vida, sequer sabia que eu ia viajar o que já demonstra que da minha vida ele não tem conhecimento."

A modelo contou que falou com Estivens no dia seguinte ao suposto estupro, mas que o ex-marido não demonstrou interesse na situação. Najila ainda acrescentou que ele é um pai que participa pouco da criação do filho. As visitas seriam esporádicas e a ajuda financeira nula nos últimos dois anos. Para finalizar, citou dois supostos casos de violência doméstica cometidos pelo ex.

"Por outro lado, como acreditar no Estivens, que é uma pessoa que têm ficha na polícia por agressões a mulheres em dois relacionamentos, e ele ter mais credibilidade e voz do que a vítima agredida e violentada sexualmente? Ainda falando sobre o tal ex. Ele não é meu porta-voz, até pelo desenlace amoroso".

A reportagem procurou Estivens e questionado sobre a competência para afirmar que não houve estupro, disse: "Eu detalhei o que assisti no vídeo. E essa é a verdade." Em seguida, completou: "Eu não estava em Paris, realmente não posso afirmar o que houve ou não, mas assim como a investigação também não estava e terá que apurar as provas. Acredito em um desentendimento na cama entre um casal, e que para alguns pode até ser características de um estupro, no meu ponto de vista não."

Sobre as acusações de Najila pela falta de auxílio com o filho, ele se defendeu dizendo que não há pensão estipulada e que acionou sua advogada, pois "até então não definimos nem a guarda do nosso filho". Estivens não quis entrar em detalhes sobre os casos de agressão, apenas afirmou haver dois BOs registrados.

Machismo

Najila adota uma nova postura em relação à maneira como a acusação que fez contra Neymar vem sendo tratada. A modelo reclama de machismo e fala em cultura de estupro.

"Depois que toda essa tragédia veio a público, percebo com clareza que a forma com que ela está sendo conduzida e me dá mais certeza de que precisamos falar urgente da cultura do estupro e do machismo".

Ela se coloca como a pessoa humilde lutando contra um jogador de futebol milionário e famoso. Ainda na linha feminista, compara sua situação à de mulheres que tentam se livrar de traumas causados por violência sexual.

"Não tive apoio em nenhum momento, só porque se trata de uma celebridade com poder aquisitivo e econômico, circunstância esta que está me sufocando. Posso afirmar, deve ser o mesmo grito de socorro sem eco da mulher que está sendo violentada agora, ou daqui a alguns minutos. O que quero realmente, agradando ou não quem não acredita em mim, é lutar em defesa das mulheres e não contra elas".

Entrevista dopada

Na primeira semana após a revelação feita pelo UOL sobre o boletim de ocorrência e o outro do caso, a modelo concedeu uma entrevista ao SBT em que apresentou sua versão da história. Ocorre que Najila afirma agora que não estava em condições ideais para falar publicamente porque havia tomado muitos remédios.

"Salientando que quando 'dei entrevista' ao [Roberto] Cabrini estava extremamente dopada."

Najila afirmou que está recebendo ajuda profissional para lidar psicologicamente com a situação. A modelo contou que melhorou em relação aos primeiros dias, mas que seu cotidiano ainda é difícil.

"Estou me recuperando fisicamente, mentalmente e psicologicamente. Resolvi me afastar com meu filho, assim me recupero e privo ele dessa situação terrível que está me matando."

Filho

As preocupações com o filho são grandes. A mãe saiu de São Paulo para cuidar do garoto em outra cidade. Ele ficou sem frequentar a escola e teve a rotina alterada. Momentos em frente à televisão e internet saíram do cotidiano.

"Tenho poupado ele disso tudo. Aqui não acessamos internet e nem vemos televisão. Mas agora ele volta à escola e é essa minha preocupação. Quero que ele cresça como um homem honesto."

O medo da criação ser atrapalhada existe porque Najila se tornou um rosto conhecido no Brasil inteiro. A reação das pessoas ao ver a modelo, nas ocasiões em que vai de fato à rua, é uma incógnita.

"Eu saí essa semana para conhecer umas escolas e matricular meu filho, comprar uniforme, materiais didáticos etc. Saio às vezes para ir ao mercado. Algumas pessoas reconhecem, batem foto, algo bem invasivo, inclusive. Umas sorriem, outras olham com indiferença, enfim, eu não observo muito."

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