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Caso Daniel: Celular de Cristiana Brittes teve apps de mensagens apagados

O casal Brittes na loja de assistência de celular em 31 de outubro de 2018 - Reprodução
O casal Brittes na loja de assistência de celular em 31 de outubro de 2018 Imagem: Reprodução

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

10/07/2019 04h00

O laudo da perícia no celular de Cristiana Brittes, presa acusada de envolvimento no assassinato do jogador Daniel Correa, em outubro de 2018, foi finalizado e juntado aos autos do processo, e mostra que todos os aplicativos de trocas de mensagens e redes sociais foram excluídos do aparelho dias depois do crime.

A mulher de Edison Brittes Júnior, réu que confessou ter matado Daniel, levou o celular a uma assistência técnica em Curitiba no dia 31 de outubro, quatro dias após o assassinato, para conserto no microfone do aparelho.

Foi o dono da loja que entregou o objeto à polícia ainda na fase de investigações, em 7 de novembro. Ele também testemunhará sobre o episódio na terceira fase de audiência de instrução entre 13 e 15 de agosto, quando os réus falarão à Justiça.

Um último laudo, sobre o local do último sinal emitido pelo celular de Daniel, ainda está pendente.

O UOL teve acesso ao laudo, que mostra exatamente os dias e horários em que os aplicativos de redes sociais foram usados pela última vez. Não foi possível, no entanto, determinar os dias das desinstalações.

O objetivo da perícia era verificar se havia trocas de mensagens ou elementos relacionados à morte do jogador. Porém os peritos não conseguiram acessar as mensagens antigas dos aplicativos por terem sido desinstalados.

O Instagram foi utilizado pela última vez em 27 de outubro, 12h22; o aplicativo de mensagens do Facebook, dia 27 de outubro, às 14h33; o Facebook, dia 27 de outubro, às 16h10; o Whatsapp, dia 31 de outubro, às 16h55.

Cristiana foi presa no dia 31 de outubro, à noite. Ela é ré por homicídio, coação de testemunha e fraude processual. Além do marido dela, a filha Allana também está presa, assim como outras três pessoas acusadas de envolvimento no assassinato, que aconteceu após um 'after party' na casa da família, são elas: Ygor King, David Vollero e Eduardo Henrique da Silva.

A perícia confirmou que o aparelho apresentava problema no microfone, portanto não era possível efetuar gravações de áudio ou vídeos com áudio pelo telefone de Cristiana. A família Brittes alegou em novembro que esse foi o motivo de terem visitado a loja de celular. As câmeras de segurança da loja mostraram o casal Cristiana e Edison na loja às 17h26 de 31 de outubro.

Há dois prints de tela de conversas relacionadas a Daniel. As capturas são do dia 23 de agosto de 2017, mais de um ano antes do crime. No primeiro trecho, Allana conversa com Daniel; e na segunda conversa, Allana fala com o pai, Edison Brittes Júnior, sobre o jogador.

O trecho da conversa com Daniel mostra o que pode ser o início da amizade entre ele e Allana. Daniel diz que "só queria conhecer Allana". Não é possível saber quem começou a conversa pelo Whatsapp por se tratar de um print e não da imagem completa.

Outro print entre Allana e Edison Brittes mostra que a filha de Juninho Riqueza pediu permissão ao pai para sair com Daniel. "Hoje não", responde Brittes ao pedido da filha.

Duas sincronizações do celular também foram feitas em datas não determinadas, uma delas com um computador da loja de assistência.

A perícia concluiu que o exame foi "parcialmente prejudicado devido à exclusão de aplicativos de redes sociais e comunicações instantâneas". Mais informações poderiam ser fornecidas pela fabricante do aparelho mediante a solicitação judicial, completou o laudo. Mesmo com o fim da perícia, o celular continua lacrado e apreendido até o fim do processo.

O que dizem as partes

Em contato com a reportagem, o advogado de defesa dos Brittes, Renan Pacheco Canto, ressaltou que em nenhum momento sua cliente quis "apagar provas".

"O laudo corrobora o que foi alegado pela Cristiana, de que o aparelho foi levado a assistência porque tinha um defeito no microfone. Os dados não foram apagados do celular, os aplicativos foram apenas desinstalados. O celular tinha 18 gigas de conteúdo entre fotos, vídeos e áudios pessoais".

Renan também afirmou que a troca de mensagem entre Allana e Edison com o pedido da filha para sair com Daniel demonstra que Juninho não conhecia o jogador. "Edison nem sabia quem era o Daniel. E a mensagem entre Allana e Daniel demonstra uma investida de Daniel em Allana".

Advogado da família do ex-jogador, Nilton Ribeiro declarou que "o print da conversa entre Daniel e Allana demonstra o respeito que o Daniel tratava a Allana".

"O fato da Cristiana ter desinstalado o Face, o Instagram e o Whatsapp, ao meu modo de ver, demonstra a tentativa de apagar provas e atrapalhar as investigações do mesmo modo que fizeram quando lavaram a casa para esconder o sangue", completou Nilton.