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Seleção Brasileira


Renovação de Tite começa a dar frutos, mas ainda precisa de novos testes

Danilo Lavieri, Léo Burla, Marcel Rizzo, Pedro Lopes e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

08/07/2019 12h00

O título da Copa América consolida o acerto de algumas tentativas de renovação de Tite após o Mundial da Rússia. Com o término deste período que a comissão classificava como médio prazo, o técnico da seleção brasileira já tem alguns nomes que provavelmente o acompanharão no ciclo até o Qatar, mas ainda precisa de mais testes.

O primeiro acerto na ótica da comissão técnica é Arthur. O volante só não jogou a estreia porque estava com dores no joelho, mas é tratado pelo Brasil como um dos titulares absolutos no meio-campo. Ele é, inclusive, um dos pontos que motivaram Tite a mudar o esquema tático, colocando como segundo homem à frente de Casemiro e atrás de Philippe Coutinho.

Também na parte da frente, Everton Cebolinha aproveitou muito bem as chances nos amistosos de março, conquistou a vaga de titular no decorrer da competição e caiu no gosto da torcida. Ele ouviu seu nome aplaudido pelos estádios onde passou e se consolida como a primeira opção para a seleção quando Neymar não puder atuar.

Richarlison chegou em alta, mas perdeu espaço - Thiago Calil/AGIF
Richarlison chegou em alta, mas perdeu espaço
Imagem: Thiago Calil/AGIF

Richarlison é uma aposta bem-sucedida, mas que ainda passará por mais alguns testes. Chamado para todos os amistosos após a Copa da Rússia, ele perdeu a vaga de titular no decorrer da competição. Muito elogiado pela comissão pelo "seu instinto goleador", ele normalmente ouve de Tite que "é muito vertical" e que "fede a gol". Além disso, sua polivalência no ataque, para atuar aberto pela ponta e como referência, é outra característica que o coloca na lista dos que devem continuar com chances.

David Neres é mais um que começou muito bem após ser destaque nos amistosos de março, mas parece ter sentido a pressão da competição. Substituído no decorrer da Copa América, ele brigará para continuar com espaço em um setor que ficará ainda mais concorrido com a volta de Neymar e com a provável convocação de Vinícius Júnior, do Real Madrid.

Mais atrás, no meio, Lucas Paquetá perdeu bastante espaço. Depois de ser sempre elogiado pela comissão como o homem com grande capacidade de mudar o ritmo do meio-campo, ele quase não entrou em campo na Copa América e ouviu de Tite que "só de ser chamado estava muito bom". Criticado por agredir o árbitro, ele precisa voltar a atuar bem para continuar nas listas.

Na competição no mesmo setor, Allan saiu à frente. O meio-campista do Napoli foi usado por conta das más condições físicas de Fernandinho e agradou. Seu principal contraponto é que, ao entrar em campo, ele atrapalha a subida dos laterais, especialmente a de Daniel Alves. Como o lateral direito ainda é uma incerteza para o futuro, a situação dos dois precisará ser acompanhada passo a passo.

Na zaga, Éder Militão fez a sua estreia na final, mas pouco mostrou. Apesar disso, ele agrada nos treinos e deve continuar sendo chamado como alternativa para a renovação do setor. Miranda é o primeiro que deve perder espaço, e o tempo mostrará se Thiago Silva continuará com capacidade para estar ao lado de Marquinhos entre os titulares em 2022. Marquinhos, aliás, falou sobre a renovação.

"Creio que uma base já existe. Ano após ano, o futebol muda bastante coisa, uns melhoram, outros não. Se todos se mantiverem, podem se manter independente da idade, como Dani e Thiago Silva que são jogadores mais experientes e vêm fazendo grande trabalho", analisou.

É provável que alguns jogadores que não estiveram na conquista da Copa América também comecem a ganhar mais espaço nas próximas convocações de Tite e sejam mais testados nos amistosos antes do início das Eliminatórias. O volante Fabinho e os atacantes Vinicius Junior e Dudu são exemplos de atletas que podem aparecer nas próximas listas do treinador, caso ele permaneça à frente da seleção brasileira.

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