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Festas, atrasos e discussões. Não é só Neymar que irrita direção do PSG

Julian Draxler e Marco Verratti seriam dois dos jogadores que andam abusando das noitadas no PSG - Lionel Ng/Getty Images
Julian Draxler e Marco Verratti seriam dois dos jogadores que andam abusando das noitadas no PSG Imagem: Lionel Ng/Getty Images

João Henrique Marques e Pedro Lopes

Do UOL, em Paris (FRA) e em São Paulo

25/06/2019 04h00

O posicionamento público de Nasser Al Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, que recentemente exigiu comprometimento dos jogadores ainda ecoa no clube. Segundo apurou o UOL Esporte, a bronca que carrega alusão a Neymar, em razão do emprego do termo "popstar", tem também direcionamento a um grupo de atletas que tumultua os vestiários com relatos de festas, atrasos e discussões durante os jogos.

Fontes ligadas ao clube ouvidas pela reportagem contam que Nasser está enfurecido com o que foi avaliado internamente como "clima de férias" no PSG. Foram os três meses finais da temporada passada em que diversas queixas comportamentais do elenco foram apresentadas ao presidente.

O período começa logo após a inesperada eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões para o Manchester United, no começo de março. Naquela altura, a equipe tinha larga vantagem na liderança do Campeonato Francês e, notoriamente, caiu de rendimento.

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Neymar está no pacote de jogadores que apresentaram problemas por discussões de vestiários e presença recorrente em festas durante os dias finais da temporada. Mas, junto com o brasileiro, por exemplo, quase sempre estava o francês Kylian Mbappé.

Os relatos de festas em excesso também atingem outros jogadores solteiros do elenco, como o alemão Julian Draxler, e o italiano Marco Verratti. Foi comum a diretoria do clube tomar conhecimento da presença de ambos em casas noturnas mesmo em noites de antevéspera de partidas.

O cenário para Verratti ainda tornou-se crítico no clube pela avaliação de que o apreço pela vida noturna dificilmente será contornado. O italiano chegou a ser preso no final do ano passado por dirigir bêbado, em Paris, às 3h da madrugada. O jogador foi levado para uma cela sendo liberado após o efeito da bebida passar, mas ainda responde processo pelo fato. Na época, o PSG multou o atleta sem revelar o valor.

Liberdade de Tuchel não vingou

FRANCK FIFE / AFP
Imagem: FRANCK FIFE / AFP

No quesito atrasos, a avaliação dos dirigentes é de que o elenco não soube adaptar-se à liberdade concedida pelo alemão Thomas Tuchel. Uma mudança promovida pelo técnico inspirada em Josep Guardiola foi o fim da concentração dos jogadores, com cada um se apresentando no Parque dos Príncipes duas horas antes dos jogos.

Não há queixas de Neymar para cumprir com os horários. Já o goleiro francês Alphonse Areola e o argentino Angel Di Maria sofrem várias críticas por conta de atrasos. A justificativa deles sempre gira em torno do tradicional trânsito na cidade de Paris.

Ver jogadores se atrasando para o treinamento também foi comum nos dias finais da temporada. Os relatos são de mais de 15 minutos, com atletas já em atividade no campo enquanto outros sequer chegaram.

Nas diversas queixas comportamentais do elenco do PSG ainda aparecem relatos de discussões excessivas nos vestiários. No caso, a ala francesa encabeçada pelo zagueiro Presnel Kimpembe e o atacante Mbappé é considerada intransigente.

Leonardo é aposta contra indisciplina

BERTRAND GUAY-18.jul.2012/AFP
Imagem: BERTRAND GUAY-18.jul.2012/AFP

Recentemente, o jornal francês Le Parisien trouxe reportagem em que narrava uma forte discussão entre Neymar e Draxller no vestiário: "você só toca para trás", gritou o brasileiro após ser chamado de "fominha" pelo alemão.

Com tantos problemas comportamentais apresentados, a decisão de Nasser Al Khelaif logo ao fim da temporada foi a demissão do antigo diretor de futebol, o português Antero Henrique, e a contratação do brasileiro Leonardo para o cargo. A análise é de que o perfil linha dura do novo dirigente fará com que os jogadores sejam punidos em caso de abusos.

"Os jogadores terão que assumir responsabilidades muito maiores do que antes na próxima temporada. Tem que ser completamente diferente. Terão que fazer mais, trabalhar bem mais. Não estão aqui no Paris-Saint Germain para se divertirem. E se não concordarem com este ponto de vista, as portas estão abertas. Adeus! Não quero continuar a ter jogadores com comportamentos de popstars", foi o recado do presidente do PSG em entrevista à revista France Football.

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