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Na TV, na arquibancada e no campo, Everton vira "o cara" da seleção

Everton comemora o gol contra o Peru pela Copa América - Henry Romero/Reuters
Everton comemora o gol contra o Peru pela Copa América Imagem: Henry Romero/Reuters

Bruno Grossi, Danilo Lavieri, Marcel Rizzo e Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

23/06/2019 04h00

A atuação de gala na goleada do Brasil sobre o Peru ontem por 5 a 0, na Arena Corinthians, foi o estopim da meteórica ascensão de Everton com a camisa da seleção. Depois de chegar à Copa América com status de reserva, o atacante do Grêmio - único do setor ofensivo que atua no país de origem - assumiu a posição e se tornou xodó em todos os ambientes que cercam o time brasileiro.

Everton começou a conquistar a torcida antes de ser o melhor em campo ontem. Já na partida diante da Venezuela, teve seu apelido, Cebolinha, gritado na Fonte Nova. Na Arena Corinthians, marcou um golaço ao receber na esquerda, cortar para o meio e finalizar de fora da área.

Depois do gol, passou a ser ovacionado a cada drible e jogada ofensiva criada. Gritos de "é, Cebolinha", aplausos e reconhecimento pela fase. Inicialmente contestado nas convocações, o gremista é hoje o mais aplaudido no anúncio das escalações e unanimidade entre os torcedores nas arquibancadas da Copa América.

A torcida nas arquibancadas não não está só entre quem foi "conquistado" por Everton. Durante a transmissão da partida pela Globo, Galvão Bueno se derreteu pelo atacante. O bordão clássico "vai pra cima deles", já gritado para nomes como Ronaldinho, Ronaldo e Neymar, virou quase exclusividade do Cebolinha.

"Ele é o cara! O cara pode ser rápido, o cara pode ser bom, o cara pode ser forte, mas quando ele puxa essa bola para dentro e bate de direita, amigo, ele é o cara", exclamou Galvão. A empolgação gerou brincadeiras na rede, com internautas chegando a dizer que Everton estava roubando o lugar de Neymar no coração do narrador.

Companheiros exaltam gremista

Mais importante do que conquistar a mídia ou a torcida, o camisa 19 começa a ganhar o respeito e admiração dentro de campo. Questionados pela imprensa, vários companheiros fizeram questão de ressaltar a importância da fase do atacante para o desempenho da equipe e resgate da relação com a torcida.

"Ele está jogando muito, jogando demais, merece toda essa exaltação. Entrou bem contra a Bolívia, fez gol, entrou bem no jogo passado e foi o melhor em campo hoje. O Brasil precisa disso, um time forte, todo mundo jogando, quem entra jogando bem", disse Willian.

A ascensão de Everton chega em um momento em que a seleção tenta preencher um vácuo deixado por Neymar, cortado com ruptura dos ligamentos do tornozelo direito. O atacante do Grêmio, inclusive, vem atuando pela esquerda, cortando para o meio, função exercida pelo craque do PSG durante a maior parte de sua trajetória na seleção.

Se por um lado Neymar viveu um desgaste de imagem nos últimos anos, culminando com a acusação de estupro feita pela modelo Najila Trindade, Everton começa a dar os primeiros passos no sentido inverso, e já é a grande atração do Brasil na Copa América.

Se será capaz de preencher o vácuo deixado pelo ex-camisa 10 - ou, como brincam os internautas, roubar o lugar no coração de Galvão Bueno - a sequência brasileira na competição irá dizer.

Depois de golear o Peru, a seleção segue para Porto Alegre, onde enfrentará o melhor terceiro colocado vindo do grupo B ou do grupo C, na quinta, pelas quartas de final. O jogo será na Arena Grêmio.

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