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"Messi japonês" não gosta de apelido e fica tímido com assédio no Brasil

Takefusa Kubo participa de treino da seleção do Japão em São Paulo - Miguel Schincariol/AFP
Takefusa Kubo participa de treino da seleção do Japão em São Paulo Imagem: Miguel Schincariol/AFP

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

19/06/2019 04h00

Contratado pelo Real Madrid com apenas 18 anos, disputado por PSG e Barcelona, habilidoso, driblador, baixinho, bom de bola, sobram motivos para que Takefusa Kubo, do Japão, tenha recebido o apelido de "Messi japonês". Mas a comparação ao argentino desagrada o jovem que tenta fugir dos holofotes que ganhou na Copa América.

Kubo é um menino. Como tantos outros atletas, a vida de celebridade do esporte se confunde com a pouca idade. Mas não há como fugir do posto de principal atração entre os japoneses no Brasil.

Apesar da derrota por 4 a 0 para o Chile na estreia, Kubo foi elogiado. E o que se disse dele no Brasil, repercutiu na Ásia. "Se falou muito bem dele", comentou um jornalista japonês que fazia cobertura da seleção nacional.

Mas o jovem não gosta de chamar atenção. Enquanto corria com os demais atletas no campo do SESC, utilizado para treinamento da equipe na noite de terça-feira, em Porto Alegre, o atleta fugia de fotos, ficava mais longe, não olhava ou mesmo atendia os chamados dos fotógrafos presentes.

Os japoneses o acompanhavam praticamente a cada passo. Todas as câmeras eram viradas para Kubo, todos queriam saber onde ele estava, qual ângulo poderiam pegar, qual o próximo passo do jogador.

E não é apenas a pressão ou a vida de celebridade no time - que não é o principal - do Japão que o incomoda. O apelido de "Messi japonês" o deixa desconfortável. Mais de uma vez em entrevistas coletivas, o jogador mostrou que não quer saber de comparação. À imprensa japonesa, chegou a dizer que, mesmo sendo uma honra, o apelido não traria qualquer benefício à sua carreira.

Entre os brasileiros, a curiosidade sobre Kubo também é grande. Era o "japonês que foi para o Real Madrid" o assunto entre os torcedores que acompanharam a atividade, a maioria jovens com poucos anos a menos que a sensação nipônica.

"Não sei quem é ele, mas se foi para o Real Madrid deve ser bom", disse Jonathan Ribeiro, de 14 anos, ao UOL Esporte. "Mas não sei quem ele é", completou. Os amigos, da mesma forma, não conheciam o japonês e se surpreenderam ao ver quem era. "Ele é muito pequeno", completou Michel Silveira, de 15 anos.

Se de fato confirmar a qualidade que gera a comparação a Messi, certamente em breve todos conhecerão melhor Takeusa Kubo, que também vai se acostumar com a vida de celebridade.

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