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Copa do Mundo Feminina - 2019


Formiga celebra 'mudança' no futebol feminino, mas torce por seu legado

Aos 41 anos, volante disputa sua sétima Copa do Mundo; contra a Itália, porém, é desfalque - Naomi Baker - FIFA/FIFA via Getty Images
Aos 41 anos, volante disputa sua sétima Copa do Mundo; contra a Itália, porém, é desfalque Imagem: Naomi Baker - FIFA/FIFA via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

18/06/2019 08h00

Formiga não entrará em campo na partida de hoje entre Brasil e Itália, pela terceira rodada do Grupo C da primeira fase da Copa do Mundo feminina 2019, na França. Suspensa após os cartões amarelos recebidos nos compromissos contra Jamaica e Austrália, a volante acompanhará como torcedora o jogo que define a classificação brasileira às oitavas de final da competição - ou uma possível eliminação.

No entanto, aos 41 anos, a meio-campista do Paris Saint-Germain e da seleção brasileira já tem motivos para comemorar no Mundial. Em entrevista à DAZN e ao site Goal.com, Formiga vê o futebol feminino mudando, mais consolidado. Não apenas entre as profissionais, como também entre as jovens que se identificam com a modalidade.

"A mudança no futebol feminino é a procura, no aumento de meninas jogando futebol. É a família incentivando, isso é bom demais. O pai levando sua filha na escolinha, levando para um time e você tendo esse apoio da família, você fica tranquilo para jogar", disse Formiga, que disputa sua sétima Copa do Mundo.

"A gente tem sempre que estar provando que somos capazes de realizar tal tarefa. E mesmo assim, provando que você é boa, que você realmente tem capacidade, você ainda é taxada de tantas coisas, você ainda não tem o respeito. Me entristece bastante e a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco, o da mulher", declarou também.

A situação das garotas hoje, para Formiga, é bem diferente da que ela experimentou quando começou a se interessar pelo futebol. Embora tenha vivido uma infância descrita como "boa", jogando "bastante com os meninos", encarou pessoalmente o preconceito nos campos.

"Meus irmãos não gostavam de me ver jogando bola com os meninos. Tinha que ir escondida jogar bola, e ouvia que isso não era coisa de menina, que deveria ficar em casa, lavar louça, cuidar dos meus irmãos. Eu não passei por isso por acaso, apesar de não ter que provar nada para ninguém, as únicas pessoas que eu queria e deveria provar eram meus irmãos e eu consegui", contou Formiga, que espera que seu legado no futebol não se perca.

"Eu sofri bastante e eu não tenho por que relaxar. Toda dificuldade faz com que os fracos desistam; os fortes, não. Eu não quero ser reconhecida por ter jogado muito tempo, mas sim por ter batalhado, trabalhado muito e sempre buscado melhorias para o futebol feminino", acrescentou.

A partida entre Brasil e Itália acontece hoje, às 16h (horário de Brasília), em Valenciennes. Sem Formiga, a seleção brasileira terá Andressinha na posição.

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