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Platini acusa Infantino de ser presidente ilegítimo e promete voltar

Presidente da Fifa, Gianni Infantino concede entrevista  - Rhona Wise/AFP
Presidente da Fifa, Gianni Infantino concede entrevista Imagem: Rhona Wise/AFP

Jamil Chade

Do UOL, em Paris

03/06/2019 10h05

Gianni Infantino havia programado uma semana sem polêmicas para ser reeleito presidente da Fifa, sem oposição e no apogeu de ser poder. Mas velhos fantasmas voltam a assombrar a entidade. Nesta manhã, Michel Platini convocou jornais europeus para fazer seu maior ataque contra seu ex-braço direito, às vésperas do Congresso da Fifa na capital francesa.

Enquanto isso, Joseph Blatter ameaça abrir um processo contra a Fifa por difamação. A entidade havia declarado à Justiça americana e à imprensa que o suíço teria fechado um acordo para receber US$ 12 milhões em bonus pela Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Blatter ainda diz que seus relógios de luxo que ele guardava na Fifa jamais foram devolvidos.

Platini era o presidente da Uefa e, em 2016, caminhava para ser o novo presidente da Fifa. Mas a descoberta de pagamentos suspeitos o afastou do futebol. Em seu lugar, seu aliado e secretário-geral na Uefa, Gianni Infantino, se apresentou para uma eleição incerta. Acabou vencendo.

Mas a suspensão de Platini acaba em outubro e ele deixa claro que quer acertar as contas com seu ex-aliado. "Eles pagarão pelo que fizeram", disse.

Pela primeira vez, o francês saiu ao ataque contra seu ex-fiel escudeiro. "Ele foi um ótimo secretário-geral da Uefa. Mas como alguém que vomitou durante dez nos sobre a Fifa, todos os dias, pode ser presidente da Fifa?", questionou.

Platini o acusa ainda de criticar o futebol feminino, de "tirar sarro sistematicamente" e de "não gostar de ver as jogadoras atuar pode fazer a promoção do futebol feminino?". Nesta semana, começa em Paris o Mundial de Futebol Feminino.

O francês revela que jamais defendeu Infantino para a presidência da Fifa, mesmo quando foi afastado. "Ele não tem qualquer legitimidade para representar o futebol", insistiu. "Não é porque você tirou bolinhas (em sorteios) que você pode representar a Fifa", disse, numa alusão ao fato de Infantino ser a pessoa que organizava os sorteios na Uefa.

Platini ainda apresenta uma suspeita sobre um eventual acordo entre o procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, e Infantino. Três reuniões secretas teriam ocorrido entre os dois homens, levando Lauber a passar a ser investigado na Fifa.

"Uma vez presidente, ele (Infantino) fez de tudo para que eu não voltasse. Ele poderia ter retirado a suspensão do comité de ética, nomeado por ele mesmo, no momento que eu fui inocentado pela procuradoria suíça", disse. "Por coincidência, minha suspensão acaba quatro meses depois das eleições".

O francês ainda acusa a existência de um "complo que vem da Suíça", envolvendo Infantino, Lauber e o próprio Joseph Blatter, todos suíços. "A administração (da Fifa) queria me matar", disse. "A Fifa tem sua justiça e ela a usa politicamente", acusa. Segundo ele, todos os candidatos à presidência, como Ben Hammam, Mayne-Nicholls e Chung Mong-Joon, foram suspensos do futebol antes de poder participar das eleições.

"No meu caso, eu tinha o apoio de 150 presidentes de federações. Mas, ao final, três funcionários da Fifa me mataram e ganharam", disse.

Platini ainda aproveitou para atacar algumas das decisões de Infantino, entre elas o VAR e a expansão da Copa para 48 seleções.

O francês garante que quer voltar a atuar no futebol a partir de outubro. Mas não sabe ainda de que forma. Seu temor é de que, até la, a Fifa crie uma lei que proíbe que pessoas punidas voltem a ocupar cargos na entidade.

Mas garante que ainda voltará. "Eu quero ser inocentado e aqueles que me fizeram coisas ruins terão de pagar", completou.

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