Topo

Como jovem de 21 anos mudou a característica do meio-campo do Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

20/05/2019 04h00

Nonato mudou a cara do meio-campo do Inter. Titular desde o jogo contra o River Plate pela Libertadores, o jovem de 21 anos deu mobilidade e posse e um setor que antes pouco trabalhava a bola. E os resultados tornam cada vez mais difícil a volta de Patrick aos 11 titulares.

Pendurado em razão dos cartões amarelos, Patrick começou no banco contra o River. Nonato agarrou a chance. Diferente do que havia feito no clássico Gre-Nal da primeira fase do Gauchão, quando foi expulso após uma série de faltas, ele controlou o ímpeto e entregou em campo o que tinha de melhor.

O Colorado, já ali, criou mais. Com toques curtos e aproximação, vencia a equipe argentina fora de casa até os acréscimos, quando numa falha de Marcelo Lomba veio o empate.

Patrick entrou no fim do jogo e bastaram alguns minutos em campo para sofrer uma lesão muscular na coxa esquerda. Nonato ganharia sequência.

E logo de cara sobraram boas atuações. O que antes eram participações eventuais durante o jogo tornaram-se passagens vitais pelo setor de criação a partir do entrosamento com o restante do time.

Nonato, ainda, se transformou o perfil do setor. Em vez do jogo físico, de força e drible, retardando o andamento da jogada, proposto por Patrick, vieram toques rápidos e trocas de posição com Edenílson, D'Alessandro e até Nico López. A criação deixou de ser através de choques contra os oponentes e passou a ir de pé em pé até encontrar as brechas na zaga rival.

Um dos pontos de crítica logo que ele subiu ao time principal aos poucos teve fim. Nonato tinha dificuldades em entrar na área, preferia ficar na intermediária e criar vindo de trás. Mas graças ao trabalho proposto pela comissão técnica, passou a frequentar zonas de conclusão com frequência e logo os gols apareceram. Um contra o Cruzeiro, outro contra o CSA. Os dois de dentro da área.

"É um jogador de qualidade. Bom passe. Movimentação. Ele é meio-campista e se adapta rápido. Ele vem construir, pode jogar como meia. Isso é ótimo para ele e para nós. Eu costumo dizer que eles são meio-campista, o meia direita do 4-3-3 antigo. Ele tem essa facilidade de jogar", elogiou o técnico Odair Hellmann.

A partir da entrada de Nonato, jogadores como D'Alessandro e até mesmo Rodrigo Lindoso, que substitui Rodrigo Dourado durante a lesão no joelho esquerdo, cresceram de rendimento. E quem mais sentiu a nova parceria foi Iago.

Pelo lado esquerdo, seja quando Nonato atua por dentro ou aberto, o lateral foi quem recebeu a maior contribuição do novo colega. Com tramas mais rápidas e trocas de posição, o lateral passou a frequentar mais o campo de ataque e inclusive deu assistência para o gol que abriu a vitória sobre o CSA, de Nonato.

O Inter encara o Paysandu na quinta-feira pela Copa do Brasil. O jogo de idas das oitavas de final da competição será disputado no Beira-Rio, às 20h (de Brasília).