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Por que o Flamengo entregou camisa 17 e homenageou deputado do PSL

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

09/04/2019 04h00

Política. A palavra é ouvida diariamente nos bastidores do Flamengo e norteia a administração do presidente Rodolfo Landim. E foi por isso que o diretor de marketing do Rubro-negro Aleksander Santos entregou a camisa com o número 17 ao deputado Rodrigo Amorim (PSL-RJ). O clube atua em diversas frentes de discussão em busca da aprovação para os seus projetos e está alinhado com as autoridades que governam atualmente o Rio de Janeiro.

Se na época do presidente Eduardo Bandeira de Mello, o Flamengo confrontou políticos em algumas ocasiões, além de Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) e CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o cenário sob a direção de Landim é oposto. O clube prega a boa relação com as autoridades - independentemente de partido - com o objetivo de debater e aprovar projetos para o CT Ninho do Urubu, o Maracanã e a sede da Gávea.

Anda assim, o ato de entregar uma camisa para Rodrigo Amorim dias depois de negar participação na homenagem ao ex-atleta Stuart Angel, torturado e morto na ditadura, causou controvérsia interna e longo debate nas redes sociais. O deputado estadual em questão pertence ao partido do presidente Jair Bolsonaro e ficou conhecido antes mesmo de ser eleito, já que quebrou uma placa que homenageava a vereadora assassinada Marielle Franco e mantém parte do objeto em seu gabinete.

Acontece que Rodrigo Amorim é rubro-negro declarado, braço direito do vice-governador Cláudio Castro e ligado diretamente ao governador Wilson Witzel, que entregou o Maracanã provisoriamente nas mãos de Flamengo e Fluminense na última semana. O deputado está de frente nos processos que envolvem a regularização do CT Ninho do Urubu e possui trânsito importante com a cúpula da Gávea.

Rodrigo Amorim (d) ficou em centro de polêmica após quebrar placa em homenagem a vereadora assassinada Marielle Franco - Reprodução
Rodrigo Amorim (d) ficou em centro de polêmica após quebrar placa em homenagem a vereadora assassinada Marielle Franco
Imagem: Reprodução

Hoje, o Flamengo está muito mais próximo das autoridades do que nos últimos anos. Um braço importante no processo é justamente o diretor de marketing não remunerado Aleksander Santos, responsável pela entrega da camisa ao deputado estadual. O executivo é a ligação do Flamengo com os políticos e tem trabalhado desde o início da gestão na tentativa de resolver as pendências do Rubro-negro junto aos órgãos públicos.

Aleksander, inclusive, levou deputados da comissão do esporte ao CT Ninho do Urubu para uma visita técnica. O espaço foi aprovado pelas autoridades após as melhorias exigidas pelos fiscais e realizadas em virtude do trágico incêndio que matou dez jovens das categorias de base. A expectativa é a de que o centro de treinamento esteja liberado em todas as esferas nos próximos dias.

Além disso, o clube sonha em participar da escolha definitiva para a administração do Maracanã e reformar a sede da Gávea, de forma que - se for o desejo - possa definitivamente erguer um "miniestádio" no local para a realização de jogos menores.

Ainda que tenha emitido nota afirmando não se envolver em assuntos políticos, já que é estatutariamente vedado, o Flamengo não deixa a política de lado, estando alinhado com as autoridades do Estado do Rio de Janeiro de forma a obter sucesso em seus projetos. Apesar da revolta de parte da torcida e de conselheiros com o fato envolvendo Rodrigo Amorim, o cenário não mudará. O Rubro-negro atual está convicto do caminho para os seus objetivos.

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Errata: o texto foi atualizado
Diferente do informado anteriormente nesta notícia, Marielle Franco era vereadora no Rio de Janeiro, e não deputada. O erro foi corrigido.
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