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Visita de enviado de Guaidó faz técnico da Venezuela cogitar demissão

Rafael Dudamel, técnico da seleção da Venezuela, já foi pressionado por crítica a Maduro em 2017 - Divulgação/LaVinotinto
Rafael Dudamel, técnico da seleção da Venezuela, já foi pressionado por crítica a Maduro em 2017 Imagem: Divulgação/LaVinotinto

Do UOL, em São Paulo

23/03/2019 11h04

Apesar da surpreendente vitória por 3 a 1 sobre a Argentina de Messi, em amistoso disputado na Espanha nesta sexta-feira, o técnico da seleção venezuelana, Rafael Dudamel, não tem permanência garantida no cargo após o jogo da próxima segunda-feira, contra a Catalunha. O ex-jogador de 46 anos, ídolo do país, colocou seu cargo à disposição por conta de uma visita que a delegação recebeu antes de enfrentar a Argentina. Segundo Dudamel, a presença de Antonio Ecarri, embaixador designado por Juan Guaidó, representa uma tentativa de "politização" da seleção venezuelana.

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Guaidó foi líder da oposição ao presidente Nicolás Maduro e em 23 de janeiro deste ano se autoproclamou presidente interino do país diante do que classifica como "usurpação de poder" por parte de Maduro. Desde então a Venezuela vive em constante estado de tensão e disputas políticas. Razão pela qual Dudamel não aprovou a visita.

"Recebemos a visita do embaixador na Espanha de Guaidó e isso foi politizado de maneira lamentável. Atendemos os embaixadores do governo de Maduro e hoje recebemos Ecarri de maneira gentil e respeitosa. Mas infelizmente politizaram a visita e foi uma visita antiética e muito desrespeitosa, uma experiência desagradável utilizada de forma muito pobre. Nós vivemos em águas muito turvas porque estamos sendo muito politizados. Agora vou sentar para conversar, friamente, com os dirigentes, dentro da minha decisão e posição", relatou Dudamel, que mostrou incômodo com as postagens da Embaixada espanhola e do próprio Guaidó no Twitter.

"Representando o presidente Guaidó fui dar boas vindas à Espanha à seleção e desejar-lhes os maiores êxitos em seus amistosos. Até o Mundial do Qatar 2022", escreveu Ecarri. A Embaixada postou uma frase do representante: "O presidente Guaidó mostrou sua solidariedade à seleção. Vocês representam a alma de todos os venezuelanos. Em nome da Venezuela quero desejar felicidades no jogo de hoje". Guaidó compartilhou a publicação com uma frase: "Muito êxito à nossa seleção em seu jogo de hoje. Cada vez que vão para o campo vocês representam a força e determinação de todo nosso país, representam a alma da nação."

Dudamel não gostaria que os registros da visita fossem divulgados justamente para que a crise política do país não invadisse o futebol.

Não é a primeira confusão envolvendo política em que Dudamel se envolve. Em 2017, o técnico comandava a seleção sub-20 venezuelana que se classificou às finais do Mundial da categoria e fez uma crítica pública ao presidente Nicolás Maduro. "Presidente, paremos com as armas. Hoje um garoto de 17 anos nos deu alegrias, mas ontem morreu um da mesma idade nas ruas. Esses garotos que vão às ruas querem uma Venezuela melhor" foi a declaração, ao vivo para todo o país. O técnico não havia se manifestado sobre política desde então, após forte pressão da federação e patrocinadores.

Curiosamente, circulam imagens nas redes sociais de uma premiação entregue por Maduro a Dudamel em 2014, quando ele comandava a seleção sub-17.

"No dia de amanhã poderemos conversar com Rafael Dudamel fora dos gramados, então saberão qual é minha posição política, não tenho razão para esconder. Mas hoje sou o técnico da seleção de um país", disse. A Federação Venezuelana de Futebol ainda não se manifestou sobre o caso.

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