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Cicatriz na cabeça vira marca de superação de Telles, nova aposta de Tite

Divulgação
Imagem: Divulgação

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

21/03/2019 04h00

Ao caminhar pelo estacionamento do Estádio do Dragão, que receberá o amistoso entre a seleção brasileira e Panamá no próximo sábado, diversas conquistas do dono da casa Porto surgem retratadas em suas paredes. Em uma delas, está Alex Telles com o seu inconfundível visual. No lado esquerdo de sua cabeça, um 'risco' grande chama quase sempre a atenção. Para os mais desavisados, poderia soar como parte de seu corte de cabelo, mas não é nada disso: a cicatriz é a marca de sua superação.

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Novidade de Tite para o lugar de Filipe Luis, lesionado, o lateral de 26 anos nunca fez questão de esconder a marca.

A cicatriz costuma ser citada com frequência em transmissão dos jogos do Porto e é motivo de curiosidade entre os torcedores. Em um primeiro momento, ela chega a causar espanto, porém, nem por isso o atleta cogita cobri-la.

Em entrevista à revista oficial dos portugueses, Telles já falou sobre a cicatriz e revelou a sua origem: uma dividida durante clássico Gre-Nal quando ainda atuava pelo Grêmio, em fevereiro de 2013. Na ocasião, o lateral protagonizou uma cena forte e teve de deixar o estádio de ambulância.

"Nesse dia, tive uma lesão na cabeça, afundei a frente, num choque cabeça com cabeça com o Gabriel. Era um clássico, a família estava toda no campo assistindo porque o jogo era na minha cidade, em Caxias do Sul. Foi um trauma muito forte, fiquei três meses afastado", afirmou.

"Muitas pessoas perguntam pela minha cicatriz, se é corte de cabelo, mas não tenho vergonha dela, porque simboliza a minha carreira e a minha história. Se não fosse ela talvez não estivesse aqui hoje, nunca se sabe. Tive muita força de vontade, uma família que apoiou sempre, a minha mulher sempre a me dar força. É também por eles que estou aqui hoje e isto serve-me de motivação", completou.

Em vídeo publicado após a conquista da Liga Portuguesa na última temporada, Telles narrou a sua história e ressaltou que aquele domingo ficou marcado para sempre em seu percurso.

A partir dali, não pararia mais.

Revelado pelo Juventude, Alex Telles chegou ao Grêmio a troco de R$ 300 mil no começo de 2013. Praticamente um ano depois, tendo superado a lesão, arrebentou em campo, encerrou a temporada como melhor lateral esquerdo do Brasileiro e foi vendido ao Galatasaray, da Turquia, por R$ 23 milhões.

Passou ainda pela Inter de Milão, emprestado, antes de desembarcar no Porto em 2016 por 6,5 milhões de euros (R$ 27 milhões) e virar o rei das assistências em campanha que pôs a equipe nas quartas de final da atual Liga dos Campeões.

Com o Atlético de Madri em seu encalço no mercado, multiplicou o seu valor por seis e está cotado em 40 milhões de euros (R$ 166 milhões), cifra de sua multa rescisória. Deverá bater asas neste verão.

A convocação para a seleção foi o coroamento de uma história simbolizada através de sua cicatriz e que teve em seu princípio o impulso de Júnior Chávare, então diretor da base do Grêmio.

"Sempre foi um jogador aguerrido, com muita disposição, se caracterizando pela alma. Esse espírito guerreiro somado principalmente à sua técnica fez com que virasse titular absoluto e um nome perseguido no mercado", contou Chávare ao UOL Esporte.

"A chegada dele à seleção brasileira é motivo de muito orgulho para todos nós que de uma forma direta ou indireta, por pouco ou muito tempo, compartilhou com ele a sua carreira. A gente imaginava que era possível isso porque ele tinha um perfil de futebol europeu de primeira linha. A seleção é consequência do que ele vem apresentando", prosseguiu.

Hoje trabalhando como diretor da K2 Soccer, empresa que administra o Atlético Tubarão, de Santa Catarina, o cartola quase o levou para a Itália antes como olheiro.

"Já acompanhávamos ele há muito tempo pela Juventus por ser comunitário e ter um perfil de jogo interessante", concluiu.

O camisa 13 está cotado para começar atuando o amistoso da seleção contra o Panamá neste fim de semana, diante da família que o abraçou no Porto. Dessa vez, não quer pregar sustos em ninguém. Carregando a sua cicatriz, pretende apenas mostrar o empenho de sempre para brigar por um lugar em 2022.

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