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Galiotte e presidente do Conselho são investigados por contrato com Crefisa

Seraphim Del Grande (centro) e Maurício Galiotte (dir.) são investigados por irregularidades no contrato da Crefisa - Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Seraphim Del Grande (centro) e Maurício Galiotte (dir.) são investigados por irregularidades no contrato da Crefisa Imagem: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

08/03/2019 04h00

O Palmeiras tem o seu presidente executivo, Maurício Galiotte, e o presidente do Conselho Deliberativo, Seraphim del Grande, investigados por uma suposta irregularidade nos contratos aditivos com a Crefisa. As investigações estão sendo feitas pelo DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais), da Polícia Civil. Os dois sustentam que tudo não passa de um movimento político orquestrado pela oposição, que tem como um dos líderes o ex-presidente Mustafá Contursi.

O objeto central da análise é a assinatura de Galiotte que transformou os aportes da patrocinadora para contratações em uma dívida de R$ 120 milhões. O valor é corrigido diariamente e só passa a ser cobrado quando os atletas contratados com essa verba terminarem seu contrato ou forem vendidos. A lista dos que tiveram suporte da Crefisa tem nomes como Dudu, Bruno Henrique, Deyverson e Borja, que tiveram propostas recusadas. 

Segundo a investigação, Galiotte teria assinado o documento datado de dezembro de 2017 apenas em janeiro de 2018, ou seja, de forma retroativa. Além disso, essa assinatura, como já havia revelado o Blog do Perrone, teria sido feita em um momento em que o cartola estava licenciado do clube. Na ocasião, especialistas chegaram a afirmar que a ação não configurava irregularidade. Agora a Polícia vai apurar. Naquele período, o presidente em exercício era o antigo 1º vice e hoje opositor, Genaro Marino. 

O DEIC já convocou Galiotte e Seraphim para prestar esclarecimentos no início do mês, mas a dupla solicitou uma nova data para o depoimento por conta de compromissos particulares. Os responsáveis pela investigação informam ainda ser cedo para falar em possíveis enquadramentos e penas.

Em contato com o UOL Esporte, eles afirmaram que o inquérito tem motivação política e que todo o procedimento respeitou o estatuto, com aprovação do Conselho Deliberativo (veja a declaração na íntegra no fim da reportagem). 

A oposição, por sua vez, afirma que Seraphim havia convocado a reunião apenas para discutir a estrutura do novo contrato e não para deliberar a aprovação da mudança. No encontro, no entanto, o presidente do Conselho colocou a pauta em votação e teve a maioria dos votos, uma vez que seu grupo político domina o clube atualmente. 

O autor do pedido de investigação junto à Polícia Civil é Paulo Jussio, que também é conselheiro do Palmeiras. Tradicionalmente ligado ao ex-presidente Mustafá Contursi, ele solicitou esclarecimentos no dia 21 de novembro de 2018, três dias antes da eleição presidencial. Só agora o processo teve andamento.

Também em contato com o UOL Esporte, Jussio disse não ter nenhuma motivação política e que solicitou esclarecimentos em nome dos sócios que o elegeram. Atas de reuniões passadas mostram que Jussio já havia feito este questionamento ao lado de outros conselheiros durante as reuniões no clube. Ele ainda admite que sua família tem ligação com Mustafá, mas que seu questionamento foi feito de maneira individual e que faz parte de sua obrigação como conselheiro.

Aditivo imposto pela Receita Federal

O aditivo foi uma imposição da Receita Federal, que considerou irregular a aplicação da verba como marketing no balanço da Crefisa. A empresa presidida por Leila Pereira foi multada e obrigada a alterar todo o acordo com o Palmeiras. O Alviverde não fez a mesma alteração no seu balanço e chegou a ser acusado de fraude pela oposição.

Parte do Conselho contesta a mudança e diz que foi consultada sobre a troca depois de a assinatura já ter sido feita. Por isso, o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) aprovou as contas de 2018 sob o comando de Galiotte com ressalvas. Ainda de acordo com os cofistas, a operação desrespeita o estatuto palmeirense.

Confira a resposta conjunta de Galiotte e Seraphim ao UOL Esporte:

"Como Presidente da Diretoria Executiva e Presidente do Conselho Deliberativo do Palmeiras, lamentamos profundamente que questões políticas tenham se sobreposto aos interesses da instituição, a ponto de se tentar colocar sob suspeição a imagem de gestão responsável pela qual nosso clube passou a ser reconhecido.

Os novos contratos com a Crefisa foram amplamente debatidos e aprovados pelo Conselho Deliberativo, órgão máximo do Palmeiras. Portanto, a atitude oportunista de alguns membros da oposição ao levarem a outras esferas um assunto interno do clube, nada mais é do que uma tentativa de conturbar um ambiente limpo, democrático e transparente.

Atuamos seguindo rigorosamente todas as regras estatutárias, por isso, estamos absolutamente seguros sobre todos procedimentos adotados nesse, e em todos outros casos que envolvem o nome de nosso clube. Dessa forma, quando necessário, prestaremos todos os esclarecimentos às autoridades sobre a lisura na condução dessa questão."

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