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Em alta em Portugal, Henrique Almeida constrói complexo que atraiu até CBF

Gualter Fatia/Getty Images
Imagem: Gualter Fatia/Getty Images

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

26/01/2019 04h00

Bola de Ouro (melhor jogador) e Chuteira de Ouro (artilheiro) do Mundial Sub-20 de 2011, o nome de Henrique Almeida está há tanto tempo por aí que a impressão que se tem às vezes é de que o jogador é mais velho do que realmente é. Não é esse o caso, como fica claro ao se verificar que o atacante tem apenas 27 anos. Nada que o impeça, contudo, de já projetar o seu pós-carreira.

Hoje defendendo os Belenenses SAD, em Portugal, ele atravessa a melhor fase desde que chegou ao clube por empréstimo do Grêmio. Nos últimos cinco jogos, balançou as redes três vezes e entrou na seleção da última rodada do campeonato com uma nota de 7.2 no site Goal Point, referência local.

Na próxima quarta-feira, 30, terá pela frente o Porto, do amigo de longa data e conterrâneo de Brasília, Vaná, com quem chegou a atuar na base do Athletico-PR. Será mais uma chance para Henrique provar que retomou o seu namoro com as redes agora no exterior.

Em paralelo a isso, o atleta, que iniciou a carreira como uma das grandes promessas da base do São Paulo e tem passagens ainda por times tradicionais como Botafogo, Coritiba, Vitória, Bahia e Sport, ainda se mantém ligado ao Brasil através dos projetos que administra pensando no dia em que se aposentar dos gramados.

"Como a gente vê, o jogador de futebol aposenta cedo. Ou melhor, cedo, entre aspas. Mas se você tem 35, 36 anos, um pouco mais, é considerado velho em campo. Mas você está apenas no começo da vida, tem muita coisa pela frente, não é nem metade", afirma Henrique, em entrevista ao UOL Esporte. "Então, eu penso no que tenho pela frente, muito importante ter o que fazer e poder usufruir tudo o que conquistamos".

Entre suas apostas para o futuro, está a construção de um complexo de campos em Brasília, a Arena 61, cujas obras se encontram na reta final. Para promover a nova empreitada, ele contou com o apoio, inclusive, de ex-companheiros do Grêmio, como Geromel, Maicon e Kanneman, nas redes sociais.

"Agora estou construindo essa arena para aproveitar essa nova onda do futevôlei, do crossfut, que é uma mistura de crossfit com futebol, teremos lugares para ginástica funcional, futmesa e também campos de futebol para jogar society. A própria CBF terá a sua escolinha dentro do complexo. Não tenho dúvida de que será um sucesso", explica.

Ele tenta diversificar os investimentos. "Eu ainda tenho uma grife de roupas com um primo meu e estou atento ao ramo da construção", completa.

Futuro em Lisboa?

Em seu horizonte imediato, Henrique Almeida tem de planejar o seu próximo passo a partir de junho, quando se encerra o seu empréstimo aos Belenenses. Existe o interesse dos portugueses em seguir com o seu futebol, mas ele precisa resolver antes a sua situação com o Grêmio, com quem tem contrato até o fim deste ano.

"O meu vínculo com eles acaba em dezembro, a gente está vendo propostas, incluindo os Belenenses, que tem interesse que eu fique. Mas tudo vai ser conversado, essa janela de transferências deverá ser movimentada, é preciso pensar no futuro. Tem a chance de chegarmos aqui à Liga Europa, por exemplo", analisa.

"Ainda é cedo para cravar algo. Quero cumprir o contrato que tenho e fazer o meu melhor", acrescenta.

Henrique Almeida - Gualter Fatia/Getty Images - Gualter Fatia/Getty Images
Imagem: Gualter Fatia/Getty Images

Entre os seus companheiros no tradicional time de Lisboa, está o goleiro Muriel, um dos destaques da campanha na Liga Portuguesa. Eles ocupam o quinto lugar na tabela.

"Não conhecia Lisboa ainda, quase tinha vindo para os Belenenses antes, mas não acertamos e fui para a Turquia. Conhecia o Muriel ainda da passagem dele no Inter, eu no São Paulo e liguei para ele para perguntar sobre como era aqui. Ele me disse que teríamos grandes objetivos e comprei a ideia", conta.

"A vida está maravilhosa, um país incrível, cidade muito boa de morar. Para a gente que é brasileiro, tem tudo. É como se vivesse num Brasil um pouco mais distante", continua, sorrindo.

Fazer frente ao Porto

Mesmo com pouco tempo, Henrique já viu que os jogos contra os grandes são um capítulo à parte na Liga Portuguesa, com uma pressão gigantesca que inclui até mesmo suspeitas que são levantadas em cima de eventuais falhas como nunca se viu em outro lado. Ainda assim, com a experiência acumulada que tem, o camisa 17 assegura que tira isso de letra.

"Não é assim tão diferente do Brasil para quem atuou por São Paulo, Grêmio e Botafogo, por exemplo. Tudo que faz repercute naturalmente mais contra esses três e o Braga. Mas estamos preparados para enfrentar o Porto", relata.

"Nos outros confrontos que tivemos contra essas equipes, fomos de igual para igual e quase conseguimos um resultado melhor, foi por pouco. Faltou um 'detalhezinho' para ganharmos. Quero que seja diferente dessa vez", completa.

Em Portugal, o atacante tem tido o aprendizado de fazer outras funções na linha de frente. "O Silas é um excelente treinador. É novo, com ideias novas, traz uma metodologia diferente a cada treino. Quem entra no time vai preparado para fazer o que precisa, temos duas ou três táticas distintas por partida. Mudou minha maneira de atuar. Às vezes, jogo como centroavante aqui, outras mais recuado como um '10' e ainda aberto", descreve.

"Como ele mesmo falou quando cheguei, tem que ter a mente aberta, fazer uma, duas, três funções", conclui.

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