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Técnico até paga contas de atletas e sai consagrado como Felipão da várzea

Ivo (de azul) tem Felipão como exemplo e perfil de paizão na várzea - Divulgação/Taça Kaiser
Ivo (de azul) tem Felipão como exemplo e perfil de paizão na várzea Imagem: Divulgação/Taça Kaiser

José Edgar de Matos

Do UOL, em Curitiba (PR) *

21/01/2019 04h00

Virou clichê no futebol. Aquele treinador mais atencioso e carinhoso com os comandados automaticamente se torna o paizão de uma equipe. Um dos maiores exemplos vivos na cabeça de quem acompanha o esporte é Luiz Felipe Scolari, comandante da "família" pentacampeã mundial com a seleção brasileira. No amador, o Felipão se chama Ivo Petry. Campeão da Taça Kaiser com o Trieste-PR, ele adota os jogadores até nos momentos mais difíceis.

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Ivo Petry é descrito como "paizão". O maior exemplo desta paternidade para com os seus jogadores vem da relação dentro e fora do trabalho de campo com o time paranaense, que conquistou o torneio ao vencer o Atlético de Blumenau-SC por 6 a 0. O goleador do título, Marcelo Soares, surge como um dos exemplos de filho adotivo.

"O Ivo é um cara que já me ajudou bastante. Eu comentei uma vez que precisava pagar a escola das crianças; ele veio e pagou a mensalidade do meu filho. É o paizão, é o Felipão da várzea", contou o atacante de 36 anos, autor de dois gols na goleada, em conversa com o UOL Esporte.

"Do que precisar, ele te ajuda. Já pagou conta de água, conta de luz de atleta. Ele vai lá e ajuda. É um cara sensacional em todas as áreas, e tenta ajudar todo mundo sempre quando pode", acrescentou Marcelo, a fim de ratificar o status de paizão do treinador campeão.

Ivo Petry Trieste - Divulgação/Taça Kaiser - Divulgação/Taça Kaiser
Treinador pagou até transporte de jogadores durante a preparação
Imagem: Divulgação/Taça Kaiser

Além de Marcelo, outros atletas do Trieste já foram agraciados com uma ajudinha de Petry. Desde as contas de luz e água relatadas pelo atacante até dinheiro para táxi ou Uber, o treinador procura abraçar a realidade de todos os seus comandados, que, em sua maioria, dividem os treinamentos do time com suas profissões.

Com diálogo, Petry administrou uma equipe com atletas com vivências distintas. Se Marcelo atuou como profissional, assim como o volante Rodrigo Mancha (ex-Santos) e o lateral Lino (ex-São Paulo), o atacante Maranhão se divide entre os treinos e o serviço como servente de pedreiro.

"Tem que ter diálogo. Trabalhamos duas vezes por semana, às vezes na temporada nem tem treino. Vamos administrando. Por exemplo, às vezes tem jogador que não pode treinar de noite; aí encaixamos em outro horário. O bom é que aqui todo mundo sabe jogar", disse Petry à reportagem, orgulhoso da comparação com o atual campeão brasileiro.

"Como o Felipão lá na seleção e no Palmeiras, aqui também é uma família. Tanto no amador quanto no profissional, não basta só saber de futebol. Você tem que ter gestão de pessoas, saber trabalhar com essas pessoas. Felipão é exemplo, uma pessoa extraordinária", consagrado em um campeonato nacional, assim como o seu exemplo palmeirense.

* O repórter viajou a convite da Kaiser

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