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Time grego tem treinador e legião brasileira após dispensar 'Ribéry gordo'

Steeven Ribéry atuou no time B do Bayern de Munique antes de passar pela Grécia - Divulgação/fcbayern.com
Steeven Ribéry atuou no time B do Bayern de Munique antes de passar pela Grécia Imagem: Divulgação/fcbayern.com

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

27/11/2018 04h00

Steeven Ribéry, 23 anos, virou notícia em setembro ao ser dispensado pelo Apollon Larissa, da Grécia, após não ser aprovado nos exames médicos. O irmão mais novo de Franck Ribéry, astro do Bayern de Munique, acabou liberado com menos de duas semanas no clube por estar 12 quilos acima do peso, e a decisão teve participação de um brasileiro: Marcello Troisi, treinador do time que luta por vaga na elite do futebol grego.

Troisi está há quase seis anos trabalhando nos Bálcãs. Primeiro na Albânia, e agora na Grécia. O encontro com o membro da família Ribéry foi no início desta temporada.

"O Ribéry tem muita qualidade, era para ser a estrela do nosso time aqui. Eu precisava botar ele para jogar a curto prazo, mas não deu. Se eu fizesse algo específico, poderia ter lesões. Ele tem propensão a lesão. E o custo era alto para o clube, estava acima do peso… Chegou aqui 12 quilos acima do peso", conta Troisi, ao UOL Esporte.

Steeven nasceu às margens do Canal da Mancha, na comuna de Bolonha-Sobre-o-Mar, e começou a carreira em 2014. Nos últimos quatro anos, rodou pelo Bayern de Munique (onde ficou sempre no time B), Boulogne, clube que joga a terceira divisão da França, e Ajaccio. Em agosto, chegou ao Apollon. O sobrenome famoso deveria ajudar a atrair holofotes e poderia impulsionar a campanha em busca de vaga na elite grega, mas nada disso.

"Ele ficou uns dez dias no clube, no máximo. Ainda participou de um amistoso e só. Ficou abaixo do esperado. Deu repercussão grande, claro, mas infelizmente não teve jeito. Se fosse o outro irmão, seria melhor", brinca Marcello, natural de Santos e radicado na Grécia há dois anos.

Além do sobrepeso e do risco de lesão, Steeven ainda tinha outro elemento que dificultou o trabalho: a língua. O caçula dos Ribéry não deu sinais de que falava inglês e complicou a comunicação no dia a dia.

"Ele não falava nem 'oi' em inglês, então você imagina… A comunicação era muito ruim e isso faz diferença", cita Marcello Troisi. "Eu ainda tentei conversar com ele, o clube também. Houve tentativa de um novo acordo para ele ficar e entrar em forma, mas a posição era de termos inegociáveis, e ele saiu", relata o treinador. "Que eu saiba, o Ribéry voltou para a França. Está parado, provavelmente em casa. E dificilmente ele vai jogar a curto prazo", completa.

Colônia de brasileiros no Apollon

Lucas Poletto, ex-Santos e Grêmio, fechou com Apollon Larissa-GRE - Divulgação - Divulgação
Lucas Poletto, ex-Santos e Grêmio, foi último brasileiro a chegar ao Apollon Larissa
Imagem: Divulgação

Na última temporada antes da reforma no formato das principais ligas da Grécia, o Apollon voltou de férias com apenas quatro jogadores no elenco. O trabalho de garimpo por reforços foi intenso e rendeu quatro contratações com português na ponta da língua.

O grupo de jogadores do Larissa tem quatro brasileiros: Lucas Ramos, volante com passagem por Guarani e XV de Jaú; Marcolino, meia também ex-Guarani; Lucão, centroavante revelado pelo Arsenal-MG, e Lucas Poletto, que deixou o Grêmio após a Copa do Mundo.

"A segunda divisão da Grécia tem muitos africanos, gente da Sérvia e vários brasileiros. No Apollon temos quatro, e eles ajudam muito. Aqui o futebol é mais baseado na força, com muita disciplina tática, com conhecimento tático. Mas o jogador brasileiro tem drible, é ofensivo. Não limito eles e acredito que essa é a nossa diferença no campeonato", opina Troisi.

Marcello Troisi, treinador do Apollon Larissa - Divulgacão - Divulgacão
Marcello Troisi, treinador brasileiro, está na Grécia após trabalhar na Albânia
Imagem: Divulgacão

O Apollon Larissa arrancou bem, sem derrota nas quatro primeiras rodadas, e atualizou suas metas para o ano. O objetivo é terminar entre os seis primeiros para garantir lugar na Superliga 2, a novíssima divisão de acesso nacional que será lançada em 2019/2020. O jeito de jogar tem surpreendido os rivais e explora bem o jeitinho brasileiro.

"Eu prefiro time com posse de bola, com rapidez. O nosso ataque é forte. A gente usa um camisa 10 e três atacantes. Um centroavante rápido para manter o setor ágil. E com pressão a toda hora, não deixando o adversário jogar. Nossa equipe tem atuado bem assim. Com homens rápidos lá na frente, seguramos até quatro adversários", explica Marcello Troisi, treinador com licenças B, A e Pro da UEFA.

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