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Brasil segura força de Cavani e Suárez para manter defesa invicta pós-Copa

Defesa brasileira bloqueia ataque uruguai com Cavani e Suárez - Reuters/Peter Cziborra
Defesa brasileira bloqueia ataque uruguai com Cavani e Suárez Imagem: Reuters/Peter Cziborra

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Londres (Inglaterra)

17/11/2018 12h00

É um detalhe que, em qualquer outra circunstância, provavelmente passaria batido, mas uma fala de Neymar ao fim da vitória de 1 a 0 sobre o Uruguai, na última sexta-feira (16), no Emirates Stadium, em Londres, chamou a atenção. Ao abordar o resultado, o craque da seleção ressaltou especialmente um ponto: a força da defesa brasileira, que, em cinco amistosos após a Copa do Mundo, não foi vazada nem uma só vez até aqui.

A situação é, mesmo, especial. E ganha contornos ainda mais representativos a partir da dupla que teve pela frente no clássico sul-americano, com Luis  Suárez e Edinson  Cavani exigindo a todo o momento durante a partida. Nos outros amistosos depois do Mundial, o Brasil não teve oponentes do mesmo porte nas vitórias sobre EUA (2 a 0), El Salvador (5 a 0), Arábia Saudita (2 a 0) e Argentina (1 a 0).

Foi o quinto jogo sem sofrer gol e, coincidência ou não, somente um jogador se manteve em campo ao longo de todos os minutos: o zagueiro Marquinhos, que começou como titular nos cinco amistosos e não foi substituído nenhuma vez. Nem mesmo o próprio Neymar sustenta números assim. Depois da frustração na Rússia, não deixa de ser emblemático para o ex-corintiano.

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O hoje defensor do PSG está se firmando como um dos pilares do time comandado por Tite neste novo ciclo e, no confronto com os uruguaios, mostrou mais uma vez que contribui não apenas na marcação, mas também na saída de bola de qualidade da equipe.

O Brasil somou 600 passes trocados durante a partida, um número ressaltado pela própria comissão técnica em entrevista coletiva.

Uma parcela considerável disso passa pela postura de Marquinhos e Miranda, que, mesmo pressionados, evitam recorrer ao chutão para frente e tentam sempre sair jogando. A sobriedade que demonstram apenas respalda uma marca impressionante: a seleção não sofreu gol em 21 dos 27 compromissos disputados com Tite no comando.

A manutenção da mesma eficiência do ciclo anterior põe em xeque também a propagada necessidade de renovação do setor.

Não que ela não exista, mas, ao menos até a Copa de América de 2019, deverá ser colocada de lado. Miranda e Thiago Silva, ambos com 34 anos, não estão facilitando a entrada de novos nomes como o versátil Éder  Militão, 20, que atravessa excelente fase no Porto e pode ser aproveitado na posição no futuro. Pablo, 27, e Dedé, 30, correm por fora nessa briga ainda em aberto.

Tite fez um paralelo, inclusive, com o Manchester City e o trabalho realizado pelo espanhol Pep Guardiola.

"Grandes equipes são aquelas que invariavelmente marcam e fizemos gols em 28 jogos, cria-se oportunidade, não é só falatório. Hoje, tivemos 12 finalizações, quatro no gol. Um sistema de marcação forte e bem estruturado também, mas vamos botando volume. Queremos uma equipe equilibrada. Vi uma referência aqui na Inglaterra, que é para mim também, o (Manchester) City está fazendo jogos sem tomar gol. Encontrar o equilíbrio é a ideia", analisou o treinador.

O Brasil encerra a temporada com o último teste contra Camarões na próxima terça-feira (20), em Milton Keynes, nos arredores de Londres.

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