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Ex-Corinthians ficou tetraplégico e relembra ajuda de Neto, Luxa e Vampeta

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Gustavo Setti e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

03/11/2018 04h00

Tudo mudou na vida de Adil em setembro de 2000. Foi quando ele sofreu um grave acidente de carro e ficou tetraplégico. Ele evoluiu muito desde então, voltou a caminhar, mas não se esquece de quem o ajudou na época. O ex-jogador do Corinthians é grato a nomes como Neto, Vanderlei Luxemburgo, Vampeta e Luizão.

O acidente aconteceu próximo a Rio Pomba, que fica a 250km de Belo Horizonte, quando Adil estava no banco do passageiro de um Tempra, que bateu em uma árvore durante forte chuva. O ponta ficou cerca de quatro meses internado e grande parte do tempo sem movimentos.

“Eu estava já com 35 anos e me preparando pra encerrar a minha carreira e ingressar como auxiliar e posteriormente treinador, mas veio o acidente e não deu. O meu ex-sogro perdeu o controle e colidiu numa curva com uma árvore que estava do meu lado, então eu tive uma lesão medular instantânea, na C-5 e C-6, e eu fiquei tetraplégico imediatamente”, disse em entrevista ao UOL Esporte.

A ajuda de outras personalidades do futebol veio rápida, e Adil listou alguns nomes. “O Vampeta estava na Itália e ligou de lá para saber se eu precisava de alguma ajuda financeira, o próprio Luizão também, que, apesar de serem jogadores com quem eu não joguei, a gente tinha muita afinidade. O Neto foi o primeiro jogador a chegar no hospital quando eu sofri o acidente. Ele morava em São Paulo, pegou o avião e veio me visitar. O Dr. Joaquim Grava ligava muito para mim, e o Vanderlei Luxemburgo estava sempre com o Dr. Joaquim. O Luxemburgo ligava e dava uma força”, contou.

Atualmente com 53 anos, o ex-jogador vive em São João Nepomuceno (MG), é independente, anda com muletas e dirige para onde quiser. Ele não esquece as pessoas que o ajudaram, mas acredita que a própria força foi o mais importante para conseguir se recuperar.

“Como diz o Dr. Joaquim Grava, os títulos que faltaram na minha carreira acabei ganhando na recuperação. As pessoas que me ajudaram foram super importante, mas o maior objetivo veio de mim realmente. Eu aguentei a pressão, vivenciei pessoas revoltadas no hospital, e eu estava sempre sorrindo, sempre alegre e sempre com a vontade de viver. Isso foi o maior combustível que eu acabei adquirindo. A minha marca sempre foi o sorriso, a disposição e a correria”, explicou.

Melhor momento da carreira foi no Corinthians

Adil defendeu 28 clubes ao longo da carreira, mas não tem dúvidas ao dizer que o melhor momento foi vestindo a camisa do Corinthians. Ele chegou a disputar três títulos pelo clube, o Paulista de 1993, o Torneio Rio-São Paulo de 1993 e o Brasileiro de 1994, mas acabou com o vice em todos. Para o ex-jogador, isso não é um problema.

“Foi o Corinthians que me proporcionou esse reconhecimento nacional e a oportunidade de participar na decisão dos títulos. Apesar de eu ter jogado no Cruzeiro e no Grêmio, ter jogado em um time de massa como o Corinthians foi o diferencial. Foi a camisa, o entusiasmo do torcedor e a entrega que me marcaram muito.”

Adil diz que não guarda mágoa de Nelsinho - Williams Aguiar/Sport Club do Recife
Adil diz que não guarda mágoa de Nelsinho
Imagem: Williams Aguiar/Sport Club do Recife
A decisão do título do Paulista de 1993, porém, ainda deixa dúvidas na cabeça de Adil. Afinal, ele não sabe depois de 25 anos o motivo de ter sido substituído por Tupãzinho pelo técnico Nelsinho Baptista.

“Em 1993, foram jogadas 37 partidas no Paulista, e eu joguei 36. No primeiro jogo da final, eu fui muito bem e ganhamos por 1 a 0, gol do Viola. Mas no jogo final, o Nelsinho Baptista me tira com 15 minutos, e eu, sinceramente, não sei até hoje o que aconteceu. Na hora que eu estou saindo, o Mazinho desce pela direita, a bola sobra para o Evair e vai para o Zinho, que fez o gol de pé direito”, relembrou.

Apesar disso, o ex-ponta esquerda não guarda mágoas do treinador. Os dois chegaram a se encontrar em um almoço anos atrás, e Adil garante que tudo ficou bem.

“Eu era recém-casado na época e tinha um filho. Se ele me pegasse um ano atrás, eu tinha dado nele, mas na hora pensei no meu filho e na minha carreira, mas foi uma coisa que me chateou. Depois, ninguém comentou mais nada e logo em seguida surgiu a proposta do Grêmio, que era muito vantajosa financeiramente para mim. Há alguns anos, eu acabei encontrando o Nelsinho em um almoço de fim de ano, e o tratei com a maior tranquilidade e educação. Lógico que na época eu fiquei magoado por tudo que eu tinha feito durante o Paulista de 93, mas não adianta a gente guardar rancor”, falou.

O ex-jogador chegou a trabalhar com futebol após o fim da carreira, mas agora celebra a vida e a saúde em São João Nepomuceno. “Um amigo me convidou para gerenciar o Sobradinho-DF e depois estive no Tupi de Juiz de Fora também como gerente de futebol. Eu não quero ser rico. Quero ser rico de saúde e quero poder deixar algum legado com a experiencia que eu passei. Aquilo que eu vivenciei é o mais importante para mim”, disse Adil.

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