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Polícia investiga estupro e diz que Daniel, ex-SP, era conhecido da família

Vinicius Boreki

Colaboração para o UOL, em Curitiba

01/11/2018 14h19

A Polícia Civil de São José dos Pinhais investiga a acusação de estupro envolvendo Daniel, ex-São Paulo, no dia em que ele foi assassinado na Região Metropolitana de Curitiba. O ato foi apontado por Edison Brittes Jr, o Juninho, responsável pela morte do jogador, como motivo para cometer o crime.

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (1º), Amadeu Trevisan, delegado-titular da Polícia Civil de São José dos Pinhais, afirmou que as autoridades ainda não sabem se o estupro realmente houve ou se Daniel apenas deitou ao lado de Cristiana Brittes, esposa de Juninho.

"Não sabemos se houve tentativa de estupro ou se a vítima só deitou ao lado da cama", afirmou Trevisan.

Mensagens de WhatsApp do celular de Daniel, anexadas ao processo, mostram o jogador conversando com um amigo dizendo que pretendia "comer a mãe da aniversariante". Dezessete minutos depois, o meia mandou outra mensagem: "Comi ela, moleque", seguida de risadas e fotos ao lado de uma mulher, aparentemente dormindo. Uma foto também comprova o arrombamento da porta.

"Mesmo que tenha havido uma tentativa de estupro, a reação foi totalmente desproporcional. Ainda que tenha havido o estupro, como que ele poderia agir dessa forma?", questiona Trevisan.

A defesa de Juninho disse ao UOL Esporte que o empresário ouviu gritos de "socorro" vindo do quarto em que sua esposa Cristiana estava dormindo. Ao se dirigir ao local, teria encontrado a porta trancada e a arrombou. Na versão dele, ele se deparou com Daniel sem calças em cima da mulher e começou a agredi-lo.

Uma testemunha que prestou depoimento na última quarta-feira (31) afirma que Juninho e os demais agressores teriam colocado Daniel no porta-malas de um carro e saído com uma faca. O jogador foi encontrado quase degolado e sem o pênis em um matagal em São José dos Pinhais.

Em sua declaração, Juninho afirmou que Daniel não era conhecido da família e teria entrado em um Uber de um casal de amigos para se juntar ao after party. Antes disso, eles comemoraram o aniversário da filha de Juninho em uma casa noturna de Curitiba.

A polícia, por outro lado, afirma que Daniel era conhecido da família. O jogador teria marcado presença no aniversário da filha de Juninho um ano antes.

Além de Juninho, também foram presas preventivamente a mulher dele, Cristiana, e a filha de 18 anos. De acordo com o delegado, as duas foram detidas para "averiguações" e possivelmente ajudaram no crime. As prisões preventivas têm prazo de 30 dias.

"Todos que estavam no local do crime podem ser entendidos como cúmplices. Inclusive as mulheres podem ser chamadas de coautoras", afirmou.

O próximo passo da investigação será encontrar os outros homens que agrediram Daniel e participaram do crime. "Nós estávamos atrás da autoria, e ela já está materializada. Sozinho, ele não fez isso. Com certeza, mais pessoas participaram do assassinato", completou Trevisan.

Defesa fala em "elementos de convicção muito fortes"

O advogado de defesa, Claudio Dalledone, também concedeu entrevista coletiva e afirmou que Juninho possuía "elementos de convicção muito fortes" em sua versão sobre o crime.

"Primeiro a predisposição em contar o que aconteceu de forma espontânea, se apresentou espontaneamente, franqueou a entrada dos policiais em sua casa, entregou o veículo Veloster, a polícia não precisou capturá-lo", afirmou.

O veículo Veloster foi utilizado por Juninho para levar o corpo de Daniel até o matagal em que ele foi encontrado. A polícia apreendeu o carro para passar por uma perícia. A casa do empresário foi periciada na manhã desta quinta-feira.

"Ele matou o jogador de futebol, porque o jogador de futebol estava tentando estuprar a mulher dele", prosseguiu Dalledone, que disse que duas famílias estavam "destruídas".

"Uma pelo falecimento (do Daniel) de uma forma trágica. E querer fugir dessa realidade é algo contornável. E outra família está inteira presa. Estamos auxiliando a autoridade policial e o poder judiciário para se evidenciar o que aconteceu", prosseguiu.

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