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Solari era "classe média" no Real Madrid galáctico de "Zidanes e Pavones"

Solari (dir) aquecia com Beckham e brincava com Ronaldo e Figo - Alex Livessey/Getty Images
Solari (dir) aquecia com Beckham e brincava com Ronaldo e Figo Imagem: Alex Livessey/Getty Images

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

31/10/2018 04h00

Santiago Solari estreia como técnico do Real Madrid nesta quarta-feira, a partir das 15h30 (de Brasília), contra o modesto Melilla, da terceira divisão, a fim de trazer para o banco de reservas a fama de quando calçava chuteiras na famosa Era dos Galácticos. Com Ronaldo, Figo, Zidane e Beckham, o argentino era o “trabalhador”, sempre disposto a preencher lacunas, e não escondeu que quer um time "brigador" logo neste primeiro desafio.

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No Real Madrid de “Zidanes e Pavones”, referência criada para descrever o time que continha estrelas do tamanho do francês e apostas da base como o defensor espanhol, o atual técnico interino do clube surgia como alguém alheio às duas classificações. O argentino atuou entre 2000 e 2005 pela equipe mais vitoriosa do futebol espanhol.

“Solari era um dos muito poucos que não era nem uma coisa e nem outra neste Real de 'Zidanes e Pavones'. Hoje em dia, poderiam chamar como a ‘classe média’ daquele time”, descreveu o jornalista Gonzalo Cabeza, em perfil publicado no El Confidencial.

Canhoto por natureza, Solari costumeiramente aparecia em uma ou outra escalação de titular no meio das estrelas. Era comum ver o jogador reforçar o meio-campo, atuar como um extremo ou até improvisado na lateral, quando Roberto Carlos perdia alguma partida.

A soma de partidas com a camisa blanca ultrapassa as 200. Nestas idas e vindas entre as celebridades da bola, o “trabalhador da classe média”, como reforça o El Confidencial,  tem uma lembrança importante: a participação direta em um dos gols mais importantes da história do Real Madrid.

Solari Bayer Leverkusen Real Madrid - Phil Cole/Getty Images - Phil Cole/Getty Images
Solari atuou os 90min contra o Bayer
Imagem: Phil Cole/Getty Images

Foi Solari quem lançou a bola para Roberto Carlos dar a assistência para Zidane acertar o lindo chute de primeira na decisão da Liga dos Campeões contra o Bayer Leverkusen. O Real Madrid venceu por 2 a 1 e se sagrou campeão europeu.

A relação com Zidane, com a oportunidade dada ao argentino como treinador do time principal, ultrapassa a aposentadoria dos dois.

O francês agora vira exemplo de como deixar o Castilla e fazer história como treinador das atuais estrelas merengues.

Culto leitor de Tolstoi

Segundo relatos dos anos 2000, reproduzidos pelo próprio El Confidencial, Solari era como um “sindicalista” do estrelado elenco madridista. O argentino exibia um perfil diferente ao das grandes estrelas, como o lado publicitário e carismático de Beckham e Ronaldo.

Em vez dos comerciais e de aproveitar fora de campo a fama por pertencer a um esquadrão, Solari se rendia aos livros. O argentino é descrito como alguém culto, e o próprio gosta de reforçar este lado.

Solari Figo Ronaldo Samuel - Denis Doyle/Getty Images - Denis Doyle/Getty Images
Solari brinca com Figo, Ronaldo e Samuel durante um dos treinos do Real "galático"
Imagem: Denis Doyle/Getty Images

Em entrevista concedida à revista Libero, por exemplo, o ex-meia cita simplesmente Leon Tolstoi para falar sobre o grande ídolo da infância no futebol: o uruguaio Enzo Francescoli, que fez história no River Plate.

“Para cercar Francescoli e abraçar sua genialidade, talvez fossem necessárias as 800 páginas de um romance de Tolstoi. Assim consegue se descrever o jogador, o goleador, o ídolo, o líder e o companheiro”, filosofou.

Carregando o grande autor russo embaixo dos braços, Solari inicia uma nova trajetória. Do trabalhador “classe média”, agora o argentino se torna estrela e o alvo – pelo menos por algumas semanas, enquanto o Real Madrid não consegue contratar um novo nome para o banco de reservas.

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