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Nada de gols ou dribles: nova estatística deve ajudar e valorizar volantes

Kroos é o líder da nova estatística na atual temporada, desbancando até Messi e CR7 - Reprodução/Instagram
Kroos é o líder da nova estatística na atual temporada, desbancando até Messi e CR7 Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL, em São Paulo

29/09/2018 04h00

Gols, assistências e dribles. Esses são os parâmetros mais comuns no futebol quando são analisados jogadores com funções ofensivas. Dois volantes alemães, no entanto, estão tentando incluir uma nova estatística nas discussões e avaliações. Para eles, é preciso valorizar também aqueles que conseguem fazer transições importantes para o ataque sem necessariamente marcarem gols, darem assistências ou saírem driblando todo mundo.

Foi assim que eles abraçaram o conceito de "packing". Basicamente, ele compara quantos adversários estão entre a linha da bola e o gol quando o jogador analisado recebe a bola e quando ele conclui sua ação. Ou seja, se um volante recebe a bola e, de alguma maneira (correndo, girando, driblando, lançando...), reduz o número de adversários até o gol quando a entrega a um companheiro, ele pontua nesse sistema.

A cada adversário a menos entre a linha da bola e o gol, o jogador analisado ganha um ponto. Em proporção menor, o receptor do passe na sequência também pontua, já que seu posicionamento pode ser decisivo para a eficiência do lance.

Messi comemora gol de falta contra o PSV - AP Photo/Manu Fernandez - AP Photo/Manu Fernandez
Messi é o líder no quesito defensores superados em suas ações com a bola
Imagem: AP Photo/Manu Fernandez

A ideia surgiu de dois volantes que foram companheiros no Bayer Leverkusen: Stefan Reinartz e Jens Hegeler. O primeiro se aposentou em 2016; Hegeler, por sua vez, tem 30 anos e está no Bristol City, da segunda divisão inglesa. Juntos, eles criaram a Impect, empresa que analisa jogadores das principais ligas do mundo dando valor ao “packing”.

Reinartz e Hegeler achavam que tinham em comum a principal virtude de cada um: fazer a bola passar por adversários em direção ao gol.

“Reinartz não era um driblador espetacular, mas passava muito bem a bola, algo que não era tão analisado. Ele aprofundava as jogadas. Talvez agora essa estatística mostre que um bom passador pode ser tão ou mais valioso que aquele jogador que tem finalizações espetaculares, mas sem resultado efetivo”, opinou Lukas Keppler, diretor da Impect, ao “The New York Times”.

Colocando em prática esse conceito de “packing”, um alemão se destaca neste início de temporada europeia. Toni Kroos, do Real Madrid, atingiu média de 79 pontos por jogo e lidera essa estatística. Ou seja, somando todas suas ações com bola, ele conseguiu fazer a bola ultrapassar 79 vezes os adversários até o gol.

Já entre os melhores receptores desses movimentos em direção ao gol o destaque foi o belga Eden Hazard, do Chelsea. Lionel Messi, por sua vez, lidera a estatística quando são considerados apenas os adversários defensivos que foram “ultrapassados” por suas ações. Na Copa do Mundo da Rússia, em termos coletivos, o primeiro lugar ficou com a Bélgica, algoz do Brasil nas quartas de final.

A Impect, por sua vez, está crescendo no mercado com sua estatística inovadora. Já vende suas análises a uma emissora alemã de TV e a 15 clubes, entre eles o primeiro cliente da elite do Inglês, o Huddersfield Town. São mais de 60 analistas coletando dados para abastecer esse sistema que, segundo os volantes alemães, diminuirá a injustiça com quem não faz golaços nem dá dribles vistosos.

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