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Túlio Maravilha é condenado por fraude em campanha eleitoral de 2010

Decisão contra Túlio Maravilha saiu nesta sexta-feira no MP-GO - Fernando Soutello/AGIF
Decisão contra Túlio Maravilha saiu nesta sexta-feira no MP-GO Imagem: Fernando Soutello/AGIF

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

28/09/2018 17h00

O ex-atacante Túlio Maravilha foi condenado nesta sexta-feira a 2 anos e 9 meses de prisão por omitir doações de campanha para a eleição de 2010. O juiz Antônio Cézar Meneses, da 133ª Zona Eleitoral, declarou o antigo atacante do Botafogo e o seu assessor parlamentar, Maikell Rosa dos Reis, culpados por forjarem recibos usados durante o período pré-eleitoral. O campeão brasileiro de 1995 brigava na época por uma vaga de deputado estadual.

As penas, entretanto, acabaram modificadas pelo próprio juiz na decisão final publicada pelo Ministério Público de Goiás. Túlio permanecerá o período sob a obrigação de prestar serviços à comunidade, além de passar 5h nos sábados e domingos em estabelecimento do sistema prisional. Maikell tem as mesmas obrigações, mas por um período menor – 2 anos e 3 meses.

Para condenar Túlio, o MP-GO se baseou em laudos periciais de documentoscopia, que comprovaram as alterações dos recibos para alterar a origem do dinheiro utilizado na campanha. A entidade julgou que o tesoureiro agiu de maneira voluntária sob a anuência do candidato.

A denúncia que resultou na condenação de Túlio é assinada pelo promotor eleitoral Fernando Krebs, que descobriu seis fraudes na prestação de contas para a eleição de 2010. A sentença ainda cobra do ex-jogador e do tesoureiro o pagamento de dias-multa no valor de um salário mínimo vigente de oito anos atrás.

“Ao declararem falsamente os verdadeiros doadores, a Justiça Eleitoral foi impedida de saber a origem do dinheiro da campanha, se originária de agiotagem, tráfico de drogas, jogatina ou outra fonte, ainda que lícita, mas cujo doador ficou desconhecido, em razão do esquema montado pelo tesoureiro a mando e em favor de Túlio Maravilha”, afirmou Krebs, em declaração divulgada pelo MP-GO.

Em contato com o UOL Esporte, a defesa de Túlio se mostrou indignada com a condenação e classificou a decisão como frágil. O advogado Guilherme Vilela Pato, que representa o ex-atacante, emitiu uma nota oficial para se manifestar sobre o veredito divulgado nesta sexta.

“A defesa de Túlio, embora ainda não tenha sido oficialmente intimada sobre a decisão, recebeu com irresignação a notícia da condenação pela imprensa. A denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral não encontra qualquer sustentação no processo”, declarou.

“Depois de uma longa instrução processual, na qual várias testemunhas foram ouvidas em Juízo, nenhum elemento de prova demonstrou a participação ou o prévio conhecimento de Túlio acerca dos alegados delitos eleitorais. Pelo contrário, todos os elementos de prova colhidos em Juízo estão a demonstrar a total improcedência da leviana acusação lançada contra Túlio”, acrescenta Guilherme Vilela Pato.

“Respeitamos a posição do Juízo de primeiro grau, mas temos absoluta convicção e confiança de que a sentença será inteiramente reformada em grau de recurso e a verdade prevalecerá; pois, condenações baseadas em meras ilações desprovidas de provas concretas devem ser e são repudiadas pelo ordenamento jurídico vigente. Acreditamos em Túlio e na reforma da sentença”, conclui o advogado.

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