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Jair faz diferente de Loss, aposta em defesa forte e se dá bem com Pedrinho

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

27/09/2018 04h00

A recuperação da confiança do Corinthians em cinco jogos talvez seja o maior mérito de Jair Ventura em um período curto que culmina na passagem para a final da Copa do Brasil. Contratado recentemente, o treinador ainda coloca ideias em prática, mas tomou decisões diferentes ao antecessor Osmar Loss e teve resultado positivo ao menos no principal objetivo corintiano do semestre, já que venceu o Flamengo e se garantiu na decisão contra o Cruzeiro.

A escolha por um time bastante defensivo para o duelo de ida contra o Fla, no Maracanã, rendeu críticas, mas foi elogiada por jogadores e estabilizou inicialmente a crise de resultados e confiança do time. Três dias antes, com uma equipe que teve dois volantes em vez de três, o Corinthians havia tido mais dificuldades defensivas e sofrido derrota para o Palmeiras no Allianz Parque.

Jair, então, seguiu uma característica sua e muito alinhada ao Corinthians dos últimos 11 anos. Em momentos de maior dificuldade, a proteção da meta é a maior prioridade e surtiu efeito. O time conteve o Flamengo, passou pelo Sport no Brasileirão mesmo sem um bom futebol e deu sinais de evolução no último domingo ao empatar com o Internacional. O gol adversário foi irregular, e Cássio não trabalhou tanto nesta partida.

Enquanto Loss priorizou a titularidade de Pedro Henrique, Jair assumiu a equipe e rapidamente tomou uma importante decisão ao declarar Léo Santos na equipe principal. É verdade que Osmar havia aumentado o espaço para o jovem no elenco e apostado nele como uma peça versátil, mas a escolha do sucessor em manter Léo tem se mostrado acertada. Após ser batido no gol de Deyverson, justamente na estreia do novo técnico, o desempenho dele tem crescido gradualmente.

Alterar algumas escolhas ofensivas também fez parte desse começo de trabalho de Jair, que abriu mão de Roger depois de três partidas ruins em seu início e definiu um time sem centroavante. A medida também visou a adaptação da equipe para a Copa do Brasil, já que o ex-atacante colorado não tem condições de jogo no torneio. Além disso, Jonathas ainda não conseguiu uma sequência sem se lesionar.

Apesar disso, Pedrinho foi sacado do time, o que tem a ver não apenas com o ataque. Aberto pelos lados, o jovem não oferece o mesmo suporte à defesa que Clayson e Romero. Na estreia de Jair, o Palmeiras venceu com gol que se iniciou, justamente, com uma construção de Marcos Rocha no setor defendido por ele. O plano, então, passou a ser apostar em uma opção de banco.

E até aqui, indiscutivelmente, o novo treinador tem sido êxito nas apostas. Só 18 segundos depois de entrar na vaga de Clayson, Pedrinho acertou o chute que deu a vitória contra o Flamengo. "Tudo tem uma estratégia. O Jair vem conversando para treinar mais que a oportunidade iria aparecer. É uma forma de explorar minhas qualidades e conseguir as vitórias", contou o jovem.

Nesse período de adaptação, Jair Ventura fez algumas escolhas até que mudam tradições do cotidiano do Corinthians. A principal delas provavelmente tenha sido decretar o fim do rodízio de capitães e entregar a braçadeira, em definitivo, para o goleiro Cássio. A rotina dos auxiliares também mudou, sem o rodízio que Fábio Carille e Osmar Loss promovia, e com um papel mais destacado para o assistente dele, Emílio Faro, presente em todas as viagens e no banco de reservas.

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