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Após anos de "quase", Palmeiras finalmente briga por todos os títulos

Jogadores do Palmeiras comemoram gol marcado contra o Atlético-PR - Ale Cabral/AGIF
Jogadores do Palmeiras comemoram gol marcado contra o Atlético-PR Imagem: Ale Cabral/AGIF

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

25/09/2018 04h00

"O Palmeiras vem se organizando nos últimos dois anos, fazendo o inverso de outras equipes. A tendência é que o Palmeiras comece a beber água limpa em breve, enquanto outros times passarão dificuldade". A frase é do diretor de futebol, Alexandre Mattos, em sua coletiva de apresentação em 2015.

Ela reflete o projeto que virou fixação desde 2013, com a eleição de Paulo Nobre, com a equipe ainda na Série B. As chegadas do executivo, da Crefisa e de jogadores cobiçados por todo o país viraram a marca da reestruturação em 2015, depois de o time praticamente assumir que estava falido e que precisava de um tempo para "voltar a beber a água limpa".

Em 2018, já com Maurício Galiotte no comando, os planos viraram realidade, justificando o alto investimento do Alviverde em contratações de atletas, funcionários e até na reforma da estrutura do Centro de Treinamento.

CT do Palmeiras - Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação - Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
CT do Palmeiras foi reformado e virou referência no país: seleção usou instalações
Imagem: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

A um ponto da liderança do Campeonato Brasileiro - mesmo jogando com uma escalação alternativa -, na semifinal da Copa do Brasil e com a vaga bem encaminhada para a semifinal da Libertadores, o palmeirense pensa se é possível conquistar a tríplice coroa. A discussão de hoje seria considerada sem nenhum sentido há quatro anos, quando o clube comemorou com muito alívio o fato de não ir à Segundona pela terceira vez na história.

Sempre pressionado pelos milhões investidos e pelas mais de 50 contratações desde a chegada da Crefisa, o clube precisou enfrentar a alta expectativa da torcida que esqueceu o passado recente. Agora, só o título é considerado um bom resultado. Não à toa, Alexandre Mattos e companhia já pensam até em 2019 e asseguraram três reforços.

Em 2015, o Alviverde conseguiu o início da redenção, com a conquista da Copa do Brasil, em cima do Santos, na revanche da derrota da final do Paulista do mesmo ano, mas ficou longe de brigar pelo Brasileirão. Em 2016, liderado por Cuca, caiu na semifinal do Paulista, na fase de grupos da Libertadores e nas quartas de final da Copa do Brasil.

A série de quedas colocou ainda mais pressão em cima do time, que conseguia liderar o Brasileirão. O Flamengo ameaçou transformar o sonho em pesadelo, mas Dudu, Gabriel Jesus e companhia foram mais fortes para garantir o eneacampeonato. A Libertadores, então, voltava a ser o foco.

Mina deixa o campo chorando por lesão durante Palmeiras x Barcelona - Antônio Cícero/Photopress/Estadão Conteúdo - Antônio Cícero/Photopress/Estadão Conteúdo
Palmeiras de Mina foi eliminado por equatorianos na Libertadores de 2017
Imagem: Antônio Cícero/Photopress/Estadão Conteúdo

Em 2017, com a saída de Paulo Nobre, o ambiente político no Palmeiras começou a se deteriorar. O ano começou com a expectativa de ir ao Mundial e sofreu o primeiro baque com a eliminação para a Ponte Preta na semifinal do Paulista, o que promoveu o retorno de Cuca à Academia de Futebol.

O treinador não conseguiu um resultado muito melhor do que na temporada anterior: foi eliminado nas quartas da Copa do Brasil, nas oitavas de final da Libertadores e precisou se consolar com o vice do Brasileirão. No fim do ano, a diretoria detectou que o discurso do "projeto Mundial" e a superexposição do time pelo alto investimento pressionavam demais os atletas.

"Sou enfático em dizer que os erros eu assumo para mim. E uma das maiores glórias foi o retorno da dignidade do torcedor, o que eu divido com funcionários, jogadores e todo mundo. O Palmeiras vive um momento ímpar de sua história, de arrecadação, de protagonismo... E isso transforma tudo aqui em muito maior. Todos os clubes têm problemas, mas aqui a fala é maior, tem mais gente falando, mais blogueiro se posicionando, mais especulação, mais invenção", desabafou Mattos, em meio a uma das crises de 2017.

Em 2018, o mesmo filme começou a ser visto pela diretoria. A solução foi promover o retorno de outro treinador com história no clube. Felipão chegou, implantou com sucesso o rodízio de atletas e vê sua equipe voltar a empolgar os torcedores.

Felipão conversa com Mattos, Cícero Souza e Maurício Galiotte - Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação - Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
Felipão conversa com Mattos, Cícero Souza e Maurício Galiotte
Imagem: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

"Vacinado", o treinador admitiu que tem chance de conquistar as competições, mas freou a empolgação. Com a equipe alternativa, o Palmeiras está a um ponto da liderança do Brasileirão. Com os titulares, já venceu o Colo Colo por 2 a 0 fora de casa nas quartas de Libertadores e tem a tarefa mais difícil de passar pelo Cruzeiro na quarta-feira depois de perder em casa por 1 a 0 na ida.

"Ganhar as três e o Mundial?", respondeu Felipão, com bom humor. "Nossa senhora! Nós temos que ganhar uma competição. Sonhamos com as três, com as quatro. Mas temos que dar o passo para chegar em alguma. E vencer o Cruzeiro é o primeiro passo", falou no domingo depois de ganhar do Sport.

Para garantir que o time siga na briga por todas as competições que disputar, o Alviverde, inclusive, já age no mercado. Além de tentar manter a base, a diretoria já encaminhou três reforços para 2019: Zé Rafael, meia do Bahia, Arthur, atacante que se destaca no Ceará, e Raphael Veiga, que está emprestado no Atlético-PR e é dos destaques das últimas partidas da equipe paranaense.

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