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Prêmio 'The Best' pode inaugurar ou adiar uma nova era no futebol mundial

Catherine Ivill/FIFA via Getty Images
Imagem: Catherine Ivill/FIFA via Getty Images

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

24/09/2018 04h00

As últimas dez eleições de melhor do mundo da Fifa estiveram polarizadas entre dois nomes, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Mas nesta segunda-feira (24), às 15 horas (de Brasília), a edição que escolherá o maior destaque da temporada passada pode quebrar tal padrão. Com o argentino fora da disputa, o prêmio ‘The Best’ está entre CR7, Luka Modric e Mohamed Salah e pode inaugurar uma nova era no futebol — ou adiá-la.

O domínio Messi-Cristiano Ronaldo se dá desde 2008, quando o português venceu seu primeiro prêmio. O craque do Barcelona levou a melhor no ano seguinte e desde então ambos disputaram cabeça a cabeça para acumular cinco prêmios cada. Nestes anos todos, eles só não ocuparam as duas primeiras colocações em 2010, quando CR7 não esteve entre os finalistas.

A dupla de craques viveu disputa particular durante uma década inteira, e na opinião pública, um virou o antagonista do outro. Se Cristiano Ronaldo for coroado pela sexta vez neste ano e passar à frente de Messi pela primeira vez nesta conta, a discussão sobre ‘qual dos dois é melhor’ estará aquecida por pelo menos mais uma temporada — ainda mais porque o argentino começou bem a atual campanha, inclusive melhor que CR7.

O ‘The Best’, portanto, pode vir a alimentar um dos maiores debates futebolísticos deste século. Mas também pode inaugurar um novo momento, mais diverso. Basta que Modric ou Salah sejam coroados. Neste caso, a premiação tende a abrir caminho para nomes que despontam como sucessores de CR7 e Messi no Olimpo do futebol. Mbappé, Isco, De Bruyne, Griezmann, até Neymar e Coutinho podem ganhar fôlego nas premiações.

A teoria passa pela forma como os melhores do mundo são eleitos. Um painel de ex-craques escolhe dez concorrentes, que então recebem votos de torcedores; técnicos e capitães de todas as seleções filiadas à Fifa; e jornalistas de todos esses países. Em uma eleição subjetiva como esta, há certa tendência de que os votos sejam influenciados pelo histórico de cada candidato — não só a temporada que está sob votação, como pede a Fifa.

Desta forma acaba tendo vantagem quem é mais regular ao longo de várias temporadas (como Messi e CR7), e parece mais regular quem sempre está em premiações; criando um esquema  que se auto-alimenta. É por tudo isso que um prêmio na sala de estar de Luka Modric ou Mo Salah passaria um recado poderoso ao mundo do futebol, de que existe, sim, craques para além de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

Como os concorrentes chegam

Cristiano Ronaldo busca seu sexto prêmio, o terceiro seguido. Ele venceu a Liga dos Campeões da Europa com o Real Madrid e teve desempenho individual impressionante, com 15 gols marcados — na temporada toda, foram 44 em 44 jogos. Na Copa do Mundo na Rússia esteve melhor do que nas anteriores, anotando inclusive uma tripleta contra a Espanha, mas ainda assim foi eliminado nas oitavas de final com uma seleção portuguesa pouco convincente.

Luka Modric apresenta credenciais parecidas, tendo vencido a Liga dos Campeões junto com CR7 pelo Real Madrid. Mas a principal carta na manga do croata é a surpreendente presença da Croácia na final da Copa do Mundo. Ele foi o principal nome de sua seleção, tendo sido essencial para a melhor campanha da história do país em Mundiais. Por isso, ficou com o prêmio de melhor jogador do Mundial.

Mo Salah talvez tenha sido a grande sensação da temporada. Fez 44 gols em 52 jogos e foi o nome da caminhada do Liverpool até a final da Liga dos Campeões (perdida justamente para o Real de CR7 e Modric). O egípcio chamou a atenção pela explosão de qualidade e de números logo em sua primeira temporada no futebol inglês, mas viveu momento difícil nas semanas mais importantes de sua carreira. Uma lesão sofrida na final da Champions o deixou baleado para a Copa do Mundo, na qual ficou muito aquém do que dele se esperava.

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