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Algoz do Brasil já salvou mais de 500 crianças e quer construir hospitais

Kanu foi o algoz da seleção brasileira nas semifinais da Olimpíada de Atlanta, em 1996 - Ben Radford /Allsport
Kanu foi o algoz da seleção brasileira nas semifinais da Olimpíada de Atlanta, em 1996 Imagem: Ben Radford /Allsport

Do UOL, em São Paulo

22/09/2018 04h00

"Nós salvamos mais de 540 vidas. Isso vale mais do que o futebol". A frase é de autoria de um ex-atacante que deve sua vida ao futebol e é um velho conhecido dos brasileiros. Nwankwo Kanu, o nigeriano de quase dois metros de altura que foi o maior vilão do Brasil na Olimpíada de 1996, hoje dedica boa parte de seu tempo a ajudar crianças com problemas cardíacos. Ele mesmo quase morreu por esse motivo.

A vida de Kanu mudou justamente em 1996. Nos Jogos de Atlanta, ele foi o protagonista da eliminação brasileira nas semifinais. Anotou o gol de empate por 3 a 3 no fim do segundo tempo e também fez o gol de ouro na prorrogação, assegurando a vaga na decisão. A Nigéria seria campeã ao vencer também a Argentina.

O ouro olímpico garantiu destaque mundial àquela geração de jovens jogadores nigerianos. Kanu, por exemplo, foi vendido do Ajax para a Inter de Milão, em uma época na qual o futebol italiano reunia grandes estrelas do futebol. Logo depois, no entanto, uma avaliação médica da Inter detectou que Kanu tinha um problema cardíaco. Especialistas alertaram que sua carreira deveria ser encerrada se ele quisesse continuar vivo.

Roberto Carlos e Kanu se enfrentam em jogo da Olimpíada de Atlanta, em 1996 - David Cannon/Getty Images - David Cannon/Getty Images
Kanu enfrenta marcação de Roberto Carlos na Olimpíada de 1996, em Atlanta
Imagem: David Cannon/Getty Images

O nigeriano buscou outras saídas. Fez uma cirurgia nos Estados Unidos e em 1997 estava apto a jogar novamente. Na Inter, porém, ele mal atuou e só voltou a se destacar quando foi para o Arsenal. Mas além das mudanças no gramado, o susto do diagnóstico de 1996 fez Kanu olhar para as crianças com problemas similares.

O atacante criou uma fundação cujo objetivo principal é ajudar crianças a terem as cirurgias cardíacas que necessitam para sobreviver.

"Temos parcerias com hospitais, fazemos check-ups, conversamos com os pais, damos instruções e levamos crianças para outros países para fazerem as cirurgias. O objetivo da fundação é construir hospitais próprios especializados em coração na África, começando pela Nigéria. Tudo ficaria mais fácil. Como jogador, você conquista títulos e é ótimo, mas esse projeto vale muito mais", disse ele ao "The Guardian".

Kanu foi profissional no futebol durante cerca de 20 anos. Acumulou fama, dinheiro e títulos. Mas como se envolveu com filantropia logo no começo da carreira, ele argumenta que não consegue simplesmente curtir a aposentadoria sem ajudar as pessoas.

"Algumas pessoas me veem como uma lenda, mas isso não quer dizer que eu deveria me esconder, viajar pelo mundo de férias e ficar bebendo champanhe ou vendo TV. Sou uma pessoa que quer impactar as vidas das pessoas".

A fundação de Kanu tem outros projetos além de ajudar crianças com problemas cardíacos. Ele também criou uma academia de futebol, ajuda a encaminhar os jovens a escolas pagando mensalidades e também tenta oferecer moradia aos que não têm casa.

E tudo começou pouco depois de ele eliminar o Brasil e conquistar um título inédito para o futebol africano. "Não existe teste maior do que ficar entre a vida e a morte. Se você escapa disso, você pode lidar com qualquer coisa. Essa situação me deu força para encarar o que for necessário e mudou a forma como eu via a vida".

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