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Campello obteve R$ 41 milhões em empréstimos em 9 meses de Vasco

Alexandre Campello conseguiu aprovar empréstimo no Conselho Deliberativo - Rafael Ribeiro / Flickr do Vasco
Alexandre Campello conseguiu aprovar empréstimo no Conselho Deliberativo Imagem: Rafael Ribeiro / Flickr do Vasco

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

20/09/2018 04h00

Com uma herança de dívidas ocasionadas pelas gestões anteriores de Eurico Miranda e Roberto Dinamite, o presidente Alexandre Campello tem recorrido a empréstimos em um primeiro momento para lidar com o cenário sombrio das finanças do Vasco. Desde que assumiu, em janeiro deste ano, o mandatário já obteve R$ 41 milhões deste modo.

A primeira vez que recorreu a tal caminho foi de maneira privada com o empresário Carlos Leite, que agencia vários jogadores cruzmaltinos. Com juros mais em conta, o agente emprestou cerca de R$ 10 milhões. O valor foi pago posteriormente com parte da venda do atacante Paulinho para o Bayer Leverkusen por 18,5 milhões de euros (cerca de R$ 76 milhões).

Prestação de contas da venda de Paulinho feita por Campello para conselheiros - Divulgação - Divulgação
Prestação de contas da venda de Paulinho feita por Campello para conselheiros
Imagem: Divulgação

Leite, aliás, já havia sido solicitado para ajuda no último ano da gestão Eurico Miranda, quando emprestou cerca de R$ 20 milhões que foram pagos na sequência com a venda de atletas do próprio empresário, como Luan, Mateus Vital e Madson.

Na última segunda-feira, o Conselho Deliberativo aprovou após muita polêmica um novo empréstimo, desta vez junto ao sistema bancário, no valor de R$ 31 milhões. Como garantia, o clube colocou à disposição cotas da TV Globo e da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro).

Fluxo de caixa do Vasco até julho (valendo) de 2018 - Divulgação - Divulgação
Fluxo de caixa do Vasco até julho de 2018 apresentado por Campello
Imagem: Divulgação

Inicialmente, a intenção de Campello era obter R$ 38 milhões no mês passado, mas como os conselheiros decidiram por adiar a votação para que a diretoria explicasse de forma mais detalhada a necessidade da cota, os juros mudaram, e no novo cálculo houve a redução em R$ 7 milhões.

Após realizar o processo burocrático para a obtenção dos R$ 31 milhões, o Vasco pretende quitar os salários do mês de agosto em atraso e honrar os compromissos até o fim da temporada. Porém, de acordo com o vice-presidente de Controladoria, Adriano Mendes, para que o clube não feche o ano no vermelho, outras engenharias financeiras terão de ser feitas.

"É possível que se tenha a necessidade de um algo a mais porque, na verdade, o buraco de caixa deve ser em torno de R$ 50 milhões, talvez um pouco mais. Então falta alguma coisa a mais que a gente pretende suprir com a eficiência do clube na redução de gastos e no aumento de receitas, algo que já está acontecendo com o programa de sócios, inclusive", declarou à "Rádio Brasil" o dirigente, fazendo um adendo: "Ele (empréstimo) não entra para fechar um ano. Ele entra para sustentar um planejamento de três anos". 

Fluxo de caixa de agosto até dezembro 2018 apresentado por Campello - Divulgação - Divulgação
Fluxo de caixa de agosto até dezembro de 2018 apresentado por Campello
Imagem: Divulgação

Apesar de votarem em favor do empréstimo na segunda reunião, os conselheiros cobraram maior transparência em prestações de contas, além da entrega de mais documentos ao Conselho Fiscal. Até o momento, o presidente do Vasco encaminhou somente o balanço do primeiro trimestre.

Segundo Adriano Mendes, a ideia é depender cada vez menos de empréstimos:

"O que queremos mudar, e que é a batalha dessa administração, é que a gente dependa menos de empréstimo para pagar folha, que o Vasco ande sozinho, se torne sustentável, e que retorne a grandeza que na verdade ele nunca deixou de ter, mas uma grandeza que não espelha, que é limitada pela falta de dinheiro que a gente vê no clube hoje em dia".

Plano de 100 mil sócios até 2020

A principal bandeira da gestão Campello para levantar as finanças do clube está no plano de sócios. Atualmente com cerca de 20 mil, o Vasco quer alcançar 100 mil até 2020.

"O Vasco ter 20 milhões de receita líquida com sócios acho até pouco dado o tamanho da paixão que o Vasco tem. A receita praticamente já dobrou, mas queremos muito mais. Queremos chegar em 100 mil sócios em 2020", declarou Mendes.

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