PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Renato completa 2 anos de Grêmio e passa de ídolo a "quase Deus" no clube

Renato já era ídolo e ganhou ainda mais prestígio com títulos conquistados recentemente - REUTERS/Agustin Marcarian
Renato já era ídolo e ganhou ainda mais prestígio com títulos conquistados recentemente Imagem: REUTERS/Agustin Marcarian

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

18/09/2018 04h00

Renato Gaúcho completa, nesta terça-feira (18), dois anos à frente do Grêmio. Com quatro conquistas obtidas no período, o treinador não só manteve o status de ídolo como renovou o clima de adoração e tem se isolado na lista de maiores referências na história do Tricolor. Resultado do desempenho, da quebra de paradigma sobre o estilo de jogo do time, mas também fruto da personalidade de uma figura que vai virar estátua no clube.

A história do Grêmio, no alto de seus 115 anos, tem personagens ricos e emblemáticos. Eurico Lara, Oswaldo Rolla, Gessy, Alcindo 'Bugre', Airton Ferreira da Silva, Hugo De León, Felipão, Jardel, Danrlei... Mas nenhum deles chega ao mesmo nível de Renato junto ao torcedor e em representatividade. O ex-atacante tem, cada vez mais, se tornado sinônimo de Grêmio.

"Eu já escrevi quatro livros sobre o Grêmio, então eu pesquiso muito sobre a história do clube. Existem muitos ídolos, como o Airton Pavilhão, De León, Eurico Lara. Em certos aspectos, eles são similares ao Renato. Mas o Renato foi campeão da Libertadores e do mundo e conseguiu uma rica história como treinador. Ele é um prodígio", contou Eduardo Bueno, o Peninha, jornalista e historiador, gremista inveterado. "Acho que ele é o meu maior ídolo, mesmo que a tendência seja ter um ídolo quando ele encerra a carreira", completou.

Renato Portaluppi é o primeiro brasileiro campeão da Libertadores como jogador e treinador. As conquistas de 1983 se somaram aos quatro títulos conquistados nos últimos 24 meses.

Para chegar a esse estágio, o treinador uniu o simbolismo com a prática. Craque com irreverência, ele encarna o adversário que o rival não quer enfrentar e gosta de provocar, dentro e fora de campo. Na prática, é o jogador que decidiu quando foi preciso e o treinador que tirou o clube da fila.

"O Roger tem méritos, é um grande treinador. Mas sem o Renato a gente não teria vencido todos esses títulos que ganhamos", resumiu Geromel em recente entrevista.

Renato sabe e o Grêmio também. A relação entre ambos é diferente. O atual treinador, que sucedeu Roger Machado em setembro de 2016, tem uma espécie de domínio do clube. Procura participar de todos os setores do departamento de futebol e possui grande influência no dia a dia de trabalho, desde as óbvias atividades em campo como ações em gabinetes.

"Me meto em todos os setores por saber que tudo estoura no campo. Então eu vou ao departamento médico, na parte física, na nutricionista, vou até a diretoria, vou ao presidente, ao jogador. Eu vou por me garantir. Eu converso. Eu me preocupo com tudo. Uma área que não andar vai entrar no campo e estourar no treinador", disse Renato ao UOL Esporte em 2017.

O exemplo mais recente está na demissão de dois médicos. Márcio Bolzoni e Felipe Do Canto foram dispensados após as lesões de Jael e André. A decisão foi da diretoria, mas a comissão técnica liderada por Renato era crítica do tratamento dado a ambos os centroavantes. Em 2017, em outro episódio semelhante, o setor de análise de desempenho recebeu o acréscimo dos serviços de uma espécie de espião indicado pelo técnico. Ao fim da temporada, o coordenador da área, Eduardo Cecconi, deixou o clube.

"O Renato é extremamente respeitoso com a hierarquia. Ele acata ordens, ideias… Até se tem uma ideia de fora que não, que pode ser diferente. Ele pode discordar, mas respeita as decisões hierárquicas", contou Odorico Roman, vice de futebol do Grêmio até o início do ano. "Sem dúvida o Renato é um ídolo que se encontra em estágio superior", acrescenta.

Na atual temporada, com o tri da Libertadores já no armário, Renato acumulou episódios onde ganhou mais idolatria da massa também pelas declarações. No primeiro semestre, chegou a dizer que o Internacional de Odair Hellmann jogava como time de Série B. Recusou oferta do Flamengo, reafirmou identificação com o clube e foi um dos responsáveis por trazer a público a confusão com os colorados, que pediram parcimônia aos gremistas na hora de comemorar.

Esse ano o Renato ainda se mostrou mais debochado e fingidor de arrogante, eu não creio que ele seja arrogante, então acho que ele finge muito bem. É difícil falar que é o maior ídolo por estar vivo, mas se impõe como isso. Com esse status pela trajetória dele", apontou Bueno.

Aos olhos da diretoria, Renato é o treinador ideal, capaz de promover jovens e de gerir o vestiário com o controle total. Ao mesmo tempo, o Grêmio entende que nenhum outro clube daria tamanha liberdade a um técnico. A identificação histórica entre Portaluppi e o tricolor favorece a relação que pode se encaixar facilmente no conceito de manager. Essa ideia se confirma em Porto Alegre também pelos jogadores indicados. Desde o ano passado, a lista de contratações passou diretamente pelo crivo do chefe.

Léo Moura, Bruno Cortez, Cícero, Cristian, Marinho, Jael e André. Todos eles foram solicitados por Renato e acabaram sendo contratados. O mito do ídolo que treina o time ajuda a explicar, por exemplo, a transformação do próprio Jael, que de criticado passou a ser desfalque lamentado.

"O Renato é um cara fantástico, com personalidade marcante. Irônico. Debochado, ferino, bonito e treinador maravilhoso. Uma pena que recuperando o futebol do Grêmio dos anos 1950 e 1960, o futebol bonito. Acho que o Renato, virou e mexeu, vai acabar se impondo como maior ídolo do Grêmio", resumiu Peninha.

O novo status sustenta um pedido de Renato que caiu nas graças de todos. Dirigentes, torcedores e conselheiros. A estátua do ídolo está em fase final de acabamento e será instalada na esplanada da Arena, em data ainda a ser confirmada. Com a peça única em seu acervo, o Grêmio vai materializar aquilo que para muitos gremistas já é óbvio. O atual treinador tem um lugar mais que especial no Olimpo tricolor.

Futebol