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Ex-Corinthians: mulheres em hotel não influenciaram em vice da Copa do BR

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Marcello De Vico e Vanderlei Lima

Do UOL, em Santos e São Paulo

26/08/2018 04h00

Copa do Brasil de 2001. Depois de empatar a primeira final por 2 a 2 no estádio Olímpico, em Porto Alegre, o Corinthians tinha sua torcida a favor no jogo de volta para levar a melhor sobre o Grêmio e conquistar o título nacional. Mas não foi o que aconteceu. Apesar dos cerca de 80 mil torcedores presentes no Morumbi, o time gaúcho foi superior ao paulista e com uma vitória por 3 a 1 (gols de Marinho, Zinho e Marcelinho Paraíba) ficou com a taça. Mas o que aconteceu dentro de casa com o forte time do Corinthians, que contava com estrelas como Marcelinho Carioca, Ricardinho e Muller? Muito se fala até hoje de uma suposta presença feminina no hotel em que o elenco estava concentrado, às vésperas da partida. Mas de acordo com Otacílio, um dos integrantes do time corintiano, o episódio não influenciou dentro de campo.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o ex-volante do Corinthians confirmou a suspeita do técnico Vanderlei Luxemburgo quanto a uma possível ida de mulheres para o hotel e disse que o impasse se estendeu pela madrugada, com uma reunião entre comissão técnica e jogadores para descobrir o que de fato estava acontecendo. Porém, de acordo com Otacílio, o episódio em nada influenciou na partida feita pelo Corinthians no dia seguinte: 17 de junho de 2001.

Otacílio, ex-jogador, ao lado do lateral direito Lucas (esq. para dir.) - Arquivo pessoal/Otacílio - Arquivo pessoal/Otacílio
Otacílio e o lateral direito Lucas
Imagem: Arquivo pessoal/Otacílio
"O que aconteceu? Nós tivemos uma intertemporada em Rio Preto na época. Nós jogamos lá e depois tivemos mais uma semana lá, mas o Vanderlei nos liberou no domingo e cada um saiu e foi para um lado. Nós fizemos um churrasco e foi dia de folga, então, coincidentemente, na véspera daquela final, nós estávamos naquele hotel Paulista Wall Street, perto da Avenida Paulista, e o Vanderlei concentrava muito lá com o Corinthians e também com o Palmeiras, ele gostava de lá, e conhecia todo mundo. E ele estava na recepção e, coincidentemente, chegaram duas, três meninas, e na hora que foram fazer as fichas de entrada no hotel, elas falaram que eram de São José do Rio Preto, e o Vanderlei achou estranho, pensou: 'pô, nós estávamos lá na semana passada, o que essas meninas estão fazendo aqui'? E aí o Vanderlei começou a querer entender, saber quem foi que trouxe essas meninas para o hotel. Ele achou que foi algum ou alguns jogadores do nosso grupo e eu sei que o pau quebrou, reunião à noite, foi aquela confusão... Uma hora da manhã nos reunimos para saber quem foi e ninguém falava nada, e parece que teve um jogador que a menina ligou para o quarto dele e o Luxemburgo ficou sabendo, e não apareceu quem era e deu uma confusão danada", recordou.

"Mas na verdade perdemos o título porque o nosso time não jogou bem e a gente acabou perdendo aquele jogo. Foi a decisão mais doída nossa, tínhamos tudo para ganhar. Essa situação do hotel não influenciou porque a gente tinha um grupo tranquilo, muito unido, muito forte. A gente vinha de um ano de muita concentração, foram 251 dias em um ano, então a gente já vinha num processo de cansaço mental e físico, mas o grupo era unido e forte pra caramba, foi dentro de campo mesmo que nós perdemos. E o Grêmio tinha um timaço: Tite, Mauro Galvão, Zinho, Marcelinho Paraíba, Marinho zagueiro, Danrlei, o próprio Roger, hoje treinador [Roger Machado], e os caras todos voando", acrescentou Otacílio.

Perdeu uma, mas ganhou duas e 'calou' Maracanã

Otacílio disputou três finais de Copa do Brasil na carreira. Só perdeu a de 2001, pelo Corinthians. Conquistou o título da competição no ano seguinte, ainda pelo clube alvinegro, e já havia levado a taça em 1997, justamente atuando pelo Grêmio, algoz do Corinthians em 2001. E não foi qualquer título. O volante vinha de um período de certa desconfiança da torcida no Botafogo e, depois de chegar ao clube gaúcho, logo foi campeão em pleno Maracanã lotado.

"Foi marcante demais, por quê? Porque quando eu saí do Botafogo, eu tinha uma cobrança muito grande da torcida e, menos de três meses depois, você volta a jogar no Rio de Janeiro, uma final da Copa do Brasil onde eu fui eleito o melhor jogador em campo... Para mim foi como se eu estivesse dando uma volta por cima dentro de casa, eu calei a boca. Os torcedores às vezes não entendem porque o nosso trabalho depende muito dos resultados e nem sempre o nosso trabalho é reconhecido, principalmente na função de volante, que na época era mais uma posição de proteção, a gente não parecia tanto para o torcedor, mas taticamente era uma função muito importante e a sensação de ter sido campeão no Maracanã foi a mesma, só que ao contrário, daquela que nós perdemos em 1995, no Pacaembu, para o Santos [pelo Fluminense], e melhor ainda", contou Otacílio.

Otacílio (3º da esq. para dir.) fez parte do Corinthians campeão da Copa do Brasil de 2002 - JOEDSON ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE - JOEDSON ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
Otacílio (3º da esq. para dir.) fez parte do Corinthians campeão da Copa do Brasil de 2002
Imagem: JOEDSON ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

"Eu sempre fui flamenguista desde criança, então foi uma sensação muito louca porque aquele Maraca lotado, a torcida do Flamengo cantando e faltando 15 minutos estavam sendo campeões, 2 a 1; e a jogada do gol de empate eu roubo a bola do Jorginho e toco no Roger, que hoje é treinador, e ele vai no fundo, cruza e o Carlos Miguel dá uma cavadinha por cima do Zé Carlos. E aí aquele barulho ensurdecedor, você escuta aquele silêncio e alguns torcedores do Grêmio do outro lado da arquibancada cantando e fazendo aquela festa, foi uma loucura", completou.

Santos x Flu épico no Pacaembu: "marcou demais"

Além da derrota para o Grêmio em 2001, outro revés marcou bastante a carreira de Otacílio. Ainda no início da carreira, pelo Fluminense, ele esteve presente em um dos jogos mais épicos da história do Campeonato Brasileiro: Santos x Fluminense, pelas semifinais. O time carioca abriu 4 a 1 no primeiro jogo, no Maracanã, mas não conseguiu segurar o time de Giovanni, que fez 5 a 2 na partida de volta e ficou com a vaga na grande decisão.

Otacílo, ex-jogador, ao lado do técnico Marcelo Chamusca (dir. para esq.) - Arquivo pessoal / Otacílio - Arquivo pessoal / Otacílio
Otacílo e o técnico Marcelo Chamusca
Imagem: Arquivo pessoal / Otacílio
"Marcou demais com certeza, até pela vitória que tivemos em casa, por 4 a 1, pelo time que tínhamos, pelo momento do Fluminense naquela época, e nós tínhamos a convicção de que, se a gente passasse pelo Santos, nós seríamos campeões. E a gente fez um jogo excelente no Maracanã e, naquele jogo do Pacaembu, deu tudo certo para o Santos. A gente nunca imaginava que fosse tomar a quantidade de gols que nós tomamos", disse Otacílio, para depois negar que o Fluminense tenha entrado de salto no jogo do Pacaembu.

"Não, a gente pensou como sempre: vamos entrar para ganhar. O empate (na verdade podia perder por 2 gols) favorecia a gente, mas vamos fazer o resultado, e o Joel Santana é um treinador determinado, muito objetivo, ele era um cara que não gostava muito de jogar lá atrás, ele gostava de jogar mais no campo do adversário, então nós entramos como jogamos o campeonato todo, mas infelizmente deu tudo errado. Logo no início do jogo o Renato Gaúcho, de frente, perdeu o gol, e depois eu faço um pênalti; O Valdeir uma hora saiu de frente e não conseguiu fazer o gol também, foi aquela tarde que deu tudo errado. E depois no vestiário do Pacaembu, ninguém acreditava o que tinha acontecido, foi aquela coisa assim mesmo: e agora? Nós tínhamos a convicção de que, passando pelo Santos, a gente ia com muita vontade para cima do Botafogo", acrescentou.

Renato Gaúcho merece seleção: "Tite teve sua chance"

Companheiro de Renato Gaúcho quando jogador, Otacílio - hoje empresário no mundo do futebol - acredita que o atual técnico do Grêmio mereça ter uma chance para comandar a seleção brasileira. Segundo ele, o trabalho feito pelo amigo no clube gaúcho faz com que ainda há esperança de se resgatar a alegria no futebol brasileiro.

Renato Gaúcho acompanha jogo entre Flamengo e Grêmio - Thiago Ribeiro/AGIF - Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
"Vejo hoje o Renato Gaúcho como o cara preparadíssimo para assumir a seleção brasileira. Até se ele assumisse após Copa, não seria uma surpresa para mim, pelo bom trabalho que ele vem fazendo no Grêmio. O Grêmio antes do Renato é um e depois do Renato é outro. O Renato vem provando que o futebol brasileiro ainda existe e que a esperança é que a gente possa resgatar a alegria do futebol brasileiro", opina Otacílio.

De acordo com o ex-jogador, hoje com 45 anos, Tite, apesar de considerá-lo um bom treinador, teve a sua chance de mostrar serviço na Copa do Mundo de 2018, em que o Brasil acabou eliminado ainda nas quartas de final pela Bélgica.

"Eu não teria nenhuma dúvida. Eu colocaria o Renato, até pelo trabalho que ele vem fazendo. Eu gosto muito do Tite, o Tite é um cara vitorioso demais, mas com a seleção na última Copa do Mundo, ele teve uma oportunidade muito grande de se marcar, porque o Brasil, para mim, era favoritíssimo, ainda mais depois da eliminação da Argentina e Alemanha, e, de repente, nós não tivemos a capacidade de passar, com todo o respeito pela Bélgica. Então é o momento de renovar, e um cara como o Renato Gaúcho, pela história, pelas vitórias que ele tem dentro do futebol, por tudo que conhece de futebol, essa coisa do boleiro ainda, de falar a língua do jogador", finalizou.

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