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Casagrande tem conversa particular com Diogo Vitor e vê santista assustado

Casagrande conversou com jovens santistas nesta quinta-feira - Divulgação/Santos FC
Casagrande conversou com jovens santistas nesta quinta-feira Imagem: Divulgação/Santos FC

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

17/05/2018 15h51

O ex-atacante e hoje comentarista da TV Globo, Walter Casagrande, realizou uma palestra para alertar os jovens contra as drogas nesta quinta-feira, na Vila Belmiro. Casão falou para atletas de todas as categorias de base do clube paulista. Antes disso, ele conversou com o meia Diogo Vitor, que foi flagrado recentemente em exame antidoping por conta de uso de cocaína.

O UOL Esporte apurou que o encontro de Casagrande e Diogo Vitor durou pouco mais de dez minutos e que o comentarista da Globo pediu para que a conversa fosse particular.

Casagrande revelou parte da conversa com Diogo Vitor. Ele disse que o jogador está bastante assustado, mas empenhado em se recuperar para voltar ao futebol após a punição da Fifa. O atacante santista já está suspenso preventivamente.

“O moleque (Diogo Vitor) está assustado. Caiu o chão. Um monte de dúvida na cabeça. Eu fui preso, por exemplo, não sabia o que fazer. Senti uma coisa boa nele. Está assustado, mas está a fim de vencer. Ele se abriu o mais profundo. Ele é bom talento, pode ser um grande jogador no Brasil, ir pra Europa”, afirmou Casagrande.

O ex-centroavante do Corinthians também revelou uma orientação que passou a Diogo Vitor. Casagrande alertou o jogador contra as mentiras. O comentarista lembrou que viu o santista em entrevistas se alegrando ao contar suas mentiras no clube paulista, entre elas, a morte de sua avó que não aconteceu.

Para Casagrande, a mentira é “porta para as drogas” e, por isso, Diogo Vitor precisa se conscientizar que os seus problemas extracampo não são engraçados e, sim, preocupantes e perigoso.  

“Ele não pode achar graça, ser gozado. Quando ele fez gol contra o Corinthians, ele contou história que faltou no treino, que a avó atendeu e ele falou que ela havia morrido, contou sorrindo. Aquilo não é engraçado. A mentira não é legal. O cara que usa droga começa a mentir. Ele tem que mentir. A mentira evolui e aí se perde. A mentira é o caminho mais arriscado para usar droga. Quando você mente não esta no padrão social”, explicou.

Além de orientar Diogo Vitor, o comentarista apoia uma recuperação interna dentro do clube, com a participação de profissionais da medicina: psicólogo e psiquiatra. Casagrande é contra a punição de suspender o jogador dos gramados.

“Droga social não aumenta o rendimento do atleta: cocaína, maconha. O Diogo não usou cocaína para jogar melhor, ele não resistiu. Se não resistiu na véspera, antevéspera, ele está começando a perder o controle da vida, está começando uma dependência. Não tem que ser punido por seis meses, um ano, o caminho é um ajuda de psicólogos, psiquiatras. O Diogo fez um gol contra o Corinthians no Pacaembu, virou manchete, por que usaria drogas? Alguma coisa está diferente, algum deslumbre, quem pode resolver isso é psicólogo, psiquiatra. Quem usa droga não é bandido. Quem é bandido é o traficante. Tem que ajudar, ele tem que ter um futuro brilhante. A coisa não acabou, a casa não caiu, ele vai ser aquilo que ele quer, o Santos vai ajudar”, disse em palestra aos jovens atletas do Santos.

“Conversei com o Diogo Vitor, com um futuro brilhante, fez uma coisa errada. A primeira coisa é falar que foi ele quem fez. Fui artilheiro do primeiro campeonato que participei. Começaram as festas, as pessoas, fiquei deslumbrado, achei que era um deus. Eu fui preso com porte de cocaína e senti que a coisa ficou feia e aí tive medo do meu sonho não ser realizado, pensei que fossem me crucificar. Fui ajudado pelo clube, como o Santos faz com o Diogo Vitor. Precisamos estar preparados para sucesso. Deslumbramento sempre vai vir, é um risco incontrolável”, concluiu.

Diogo Vitor realiza tratamento no CT Rei Pelé. O UOL revelou no mês passado que o clube paulista pretendia “internar” o jogador para ajuda-lo na recuperação. A diretoria santista ainda estuda reduzir o salário de R$ 80 mil mensais do atleta.

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