PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Saiba quem é o chef de cozinha que foi parceiro e treinou com Tite

Chef de cozinha Altemir Pessali jogou com Tite nos anos 90 e tem amizade até hoje - Arquivo pessoal
Chef de cozinha Altemir Pessali jogou com Tite nos anos 90 e tem amizade até hoje Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

26/02/2018 04h00

Altemir Pessali é um dos chefs de cozinha mais conceituados do Rio de Grande do Sul. Quem o vê trabalhando na brasa ou com sua especialidade cogumelos em seus três restaurantes, não imagina que antes de usar avental ele ganhava a vida com meião e chuteira. O mais curioso é que a história de Pessali se cruza com a do técnico Tite. Ele foi companheiro de time do técnico, depois foi comandado por ele e nutre uma amizade até hoje.

Pessali foi zagueiro nos anos 90 e chegou a jogar no Japão e no Fluminense. Mas a maior parte da carreira ele atuou em times do interior do Rio Grande do Sul. Foi lá que ele conheceu Tite quando o técnico chegou em Bento Gonçalves para atuar no Esportivo. Altemir conta que o futuro comandante do Brasil já se destacava nos gramados.

Chef de cozinha Altemir Pessali e sua esposa - Arquivo pessoal/UOL - Arquivo pessoal/UOL
Imagem: Arquivo pessoal/UOL

“O Tite como atleta era muito técnico, um volante adiantado, um camisa 8, tinha um ótimo cabeceio, excelente passe, finalizava muito bem, mas gostava de carimbar a bola. Ele sempre dizia: ‘quem se antecipa, tem preferência’. Ele sempre recebia a bola e dava continuidade à jogada, se adiantava ao atacante. Sabia distribuir o jogo. Ele dizia que tem que jogar com inteligência, pensar bem. O resultado bom não é 10 x 0, é o meio a zero. Tudo na vida é cautela e paciência”, conta.

Como jogador, Tite já dava sinais de que seria um grande técnico. Mostrava boa visão de jogo, exercia liderança sobre o grupo e até orientava os colegas. Dava conselhos, prezava os valores da família e da religião. Dizia: ‘gurizada, tem que procurar isso aqui. Faz isso, faz certo, não fica se iludindo. Hoje você é elogiado e em um segundo sua vida pode sair do céu ao inferno”.

Mas Pessali ressalta que Tite também nunca foi bonzinho. Era justo e cobrava forte quando preciso. Ele sentiu isso na pele em um episódio curioso quando atuava no Guarany de Garibaldi e foi treinado por Tite em seu primeiro trabalho como técnico. Ele teve que entrar na linha e levou uma senhora bronca do treinador.

“Eu sempre fui um cara que briguei com a balança. E teve um fim de semana que eu tive um churrasco, a gente comeu e bebeu tudo, eu voltei com 4 kg acima do peso. Aí me pesaram e falaram: ‘Pessali é maluco’. Sei que no dia seguinte ele me fez perder 4,5kg em um dia. Me fez treinar, até me emprestou uma jaqueta plástica para perder líquido. Eu ralei viu...”, brinca. “Ele é justo. Ele não passa a mão na cabeça de alguém que fez algo errado. Eu fiz algo errado e ele me cobrou por isso. Mas não deixou de gostar de mim”.

Hoje, quando Pessali vê Tite em uma posição de destaque no comando da seleção brasileira, sente orgulho e observa que mesmo com o passar do tempo tudo continua igual. “Quando eu vejo ele na televisão, passa um filme na cabeça, não mudou nada. O jeito de falar, o jeito que ele lida com pessoas, ele aglutina muito as pessoas, o pensamento, a cabeça, ele administra bem isso”.

Hoje, com caminhos tão diferentes, os dois não se veem com frequência, mas ainda têm muito carinho pelo outro. Tite chegou a enviar uma mensagem afetuosa para o amigo em uma participação no programa Estrelas, da TV Globo.

Chef de cozinha Altemir Pessali - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

E ainda carregam coincidências. Ambos tiveram uma lesão parecida no joelho e penduraram a chuteira jovens. Altemir parou aos 31 anos e foi aí que começou a sua história com a culinária. Descendente de italianos, ele já gostava de cozinhar, se espelhava na mãe que era uma grande cozinheira e chegou a trabalhar como garçom em um restaurante. Quando parou, não pensou duas vezes. Pegou as reservas que havia ganhado no futebol e abriu o restaurante em sociedade com a esposa Clege. O primeiro foi o Primo Camilo, em 2002.

Depois, abriu o Mamma Gemma e o Pizza entre Vinhos, no Vale dos Vinhedos. Pessali ganhou projeção na gastronomia e hoje é contratado para cozinhar em vários eventos fechados. Mas até hoje leva o futebol para dentro da cozinha e ainda vê muitas semelhanças com Tite, seja pelo amor à profissão como pela forma de gerenciar o trabalho.

“Sou descendente de italianos, estou acostumado sempre com pratos, perfume, aromas de temperos, carnes, massas e tantas coisas boas que a culinária nos proporciona. Não quero fazer com que meu cliente goste de mim por uma coisa fantástica que fiz, fora do comum, quero que goste pelo sabor. Minha comida é sabor. Comida boa agrega pessoas à mesa, as pessoas ficam felizes, é um momento especial”, conta.

“Tanto na parte da gastronomia quanto do futebol, nós dois temos que administrar o grupo. O Tite tem que administrar craques, e eu, a minha equipe e ingredientes. Até na fisionomia somos bem parecidos e também na parte de profissional porque o Tite tem um Cleber Xavier que está com ele até hoje e tenho meus guris que estão comigo há 15, 20 anos. Sozinho não se faz nada, pode ser futebol ou gastronomia”.

Ex-zagueiro Altemir Pessali atuou no futebol japonês - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Carreira como jogador teve passagem pelo Fluminense

Do futebol, ele ainda guarda boas lembranças a começar pelo seu próprio nome. Altemir era o nome de um zagueiro do Grêmio na década de 70 e seu pai decidiu colocar o nome do filho quando traçou seu destino: será jogador. E assim foi feito.

Mais jovem, ele morava ao lado do clube Esportivo, em Bento Gonçalves, e convivia com os jogadores. Queria ser centroavante e fez vários testes. Mas não teve sucesso e percebeu que não tinha talento para a função. Fez a escolha certa ao optar pela zaga.

Passou por times pequenos do Rio Grande do Sul como o São José e o Esportivo. Atuou no Kawasaki Frontale, do Japão, e defendeu até o Fluminense. Mas não tem boas memórias da equipe. “Na época, o clube não passava por uma boa situação financeira, existiam vários grupos, não teve aquele senso de equipe. Acabou não fazendo um bom campeonato, grupo era bom, mas era totalmente dividido. Tinha um descompromisso profissional muito grande do Fluminense na época, tanto que caiu para a segunda divisão”.

Futebol