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Com Kia, brasileiro acena com proposta por time português da Liga Europa

Vitoria de Guimarães, que atua na Liga Europa, pode ser adquirido pelo Banco BMG - REUTERS/Miguel Vidal
Vitoria de Guimarães, que atua na Liga Europa, pode ser adquirido pelo Banco BMG Imagem: REUTERS/Miguel Vidal

Marcus Alves e Thiago Fernandes

Do UOL, em Lisboa e Belo Horizonte

27/01/2018 04h00

Mecenas da dupla Cruzeiro e Atlético-MG e sempre procurado por outras equipes para algum ‘socorro’ nos cofres, o Banco BMG deve entrar de vez no futebol português e mantém contato para a compra do Vitória de Guimarães.

O negócio é significativo por se tratar de um clube que encerrou em quarto lugar a última temporada local e que, nos últimos cinco anos, jogou a Liga Europa em três deles. As conversas são confirmadas entre as partes e, conforme se assegura no mercado, envolvem a participação do empresário Giuliano Bertolucci e de seu parceiro iraniano Kia Joorabchian.

Essa não é a primeira vez que o trio se junta em uma investida para compra de um time em Portugal. O Estoril, que pertence ao fundo de investimento TFM (ex-Traffic), foi consultado antes. Procurado pelo UOL Esporte, o entorno de Bertolucci e de seu braço-direito nega a participação da dupla.

Os três, BMG, Kia e Bertolucci, atuam em parceria nas transferências. Os agentes representaram o BMG em acordos ligados ao zagueiro Felipe, do Porto, Jemerson, do Monaco, Bernard, do Shakhtar Donetsk, e outros nomes.

Aliado à sua força esportiva, o Vitória de Guimarães desperta a cobiça por ter as suas contas em dia, vindo, inclusive, de um lucro de 2,8 milhões de euros (R$ 10,6 milhões) na temporada passada, cifra recorde desde que se tornou uma sociedade anônima esportiva em 2013. Entre outros fatores, pesou a venda de atletas como os brasileiros Dalbert, hoje na Inter de Milão, e Tiquinho Soares, no Porto.

Sensação no momento, Raphinha, ex-Avaí, tem ida encaminhada para o Sporting em uma transação de 6,5 milhões de euros (R$ 24,7 milhões). Ele tem a carreira comandada pelo ex-jogador Deco, próximo ao presidente do Vitória, Júlio Mendes.

Em contato com a reportagem, Mendes confirmou as conversas com o BMG, mas despistou sobre uma possível venda. “Nos falamos, tivemos diversas reuniões sobre esse assunto, mas não chegamos a qualquer acordo, então, não há nada agora”, disse, em contato ao UOL Esporte.

No mercado, o negócio é dado como selado e chegaria a quase 10 milhões de euros (R$ 38 milhões) pelo controle maioritário de suas ações. Hoje, o Vitória de Guimarães é dono de 40% delas, mas conserva, conforme o seu estatuto, a decisão sobre os seus administradores. O empresário Mário Ferreira, radicado na África do Sul, detém a outra fatia do percentual. Ele adquiriu o seu pedaço por 2 milhões de euros em 2013, conforme informado à reportagem.

O BMG já projeta até mesmo o cenário para atuar como sócio majoritário do clube, com Flávio Guimarães, filho do empresário Ricardo Guimarães, assumindo o novo braço esportivo do banco em Portugal. A empresa já conta no Brasil com o Coimbra, do interior de Minas Gerais, que serve como alicerce na captação e compra de jogadores.

Não seria o primeiro time mais brasileiro na primeira divisão portuguesa. Além do Estoril, o Portimonense, da região turística do Algarve, é comandado pelo empresário Teodoro Fonseca, que trabalhou com Hulk e outros atletas, e tem o ex-atacante Robson Ponte como um de seus homens fortes.

O BMG não tem atuação no mercado financeiro em Portugal e, por isso, provocou estranheza no passado ao batizar o museu do Porto, que desde 2013 se chama Museu Futebol Clube do Porto by BMG. Em prestação de contas, os Dragões anunciaram ter recebido 8 milhões de euros (R$ 30 milhões) pelo patrocínio e contrato de naming rights até 2025.
 

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