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Definida há tempos, barca do Flu só "engrenou" após chegada de Autuori

Abad, Autuori e Fabiano Camargo: parte da cúpula de futebol do Flu - Lucas Merçon/Fluminense
Abad, Autuori e Fabiano Camargo: parte da cúpula de futebol do Flu Imagem: Lucas Merçon/Fluminense

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

30/12/2017 04h00

A barca lotada de tripulantes que zarpou das Laranjeiras nesta última quinta-feira já tinha os nomes definidos cerca de 10 dias atrás. O plano de cortes radicais no elenco, no entanto, já vinha sendo debatido e amadurecido no clube. De posse de um relatório de uma consultoria internacional, Diogo Bueno, vice de finanças, tratou sobre o tema em reunião do Conselho Diretor, no mês de outubro, e falou da importância de enxugar os gastos.

Na última terça-feira, Bueno e outros vice-presidentes se reuniram com o presidente Pedro Abad para colocar o plano em curso. No dia seguinte, o Comitê Gestor apenas executou o que já vinha sendo desenhado há meses e que só tardou por conta conta das ausências de um vice de futebol e de um diretor esportivo, cargos posteriormente ocupados por Fabiano Camargo e Paulo Autuori. Com os postos enfim ocupados, o Flu acelerou as medidas traçadas há meses nas Laranjeiras.

O encontro derradeiro antes do anúncio teve a presença do presidente Abad, do CEO Marcus Vinicius Freire, de Autuori, Camargo e do gerente Marcelo Teixeira, este incumbido de dar a notícia aos jogadores mais experientes. O assessor da presidência Marcelo Penha também foi convocado para a missão de falar com parte dos atletas.

Antes de definir quem deixaria o clube, os responsáveis pegaram a calculadora e passaram a definir os eleitos, cujos nomes passaram pelo crivo do técnico Abel Braga, representado na reunião final pelo novo diretor esportivo. Altos salários e baixo desempenho estavam na mira do grupo, que estima que conseguirá economizar algo na casa dos R$ 20 milhões por ano com o corte.

Na parte "amadora" do clube, a questão também contou com a participação de Miguel Pachá, vice-presidente de Interesses Legais do Flu, que analisou as questões jurídicas envolvidas nesta ação e deu o aval para a operação.

"O caso deu algum ruído por causa dessa coragem e transparência que tivemos. Passou a impressão que não foi planejado, mas foi planejado. Poderia ter sido feito mais cedo se já tivéssemos o Autuori e o Fabiano", disse Marcus Vinicius Freire, CEO do Tricolor.

As dispensas já foram feitas, mas as negociações começarão a partir da primeira semana de janeiro. O Fluminense monta uma operação para quitar tudo até março, mas tentará acordos amigáveis com os oito jogadores, o que é bem improvável, já que o Flu acenará com valores menores que a dívida mas com promessa de pagamento mais rápido.

"Estamos buscando investidores nacionais e internacionais para recomprar a dívida do clube permitindo o seu alongamento", explicou Diogo Bueno.

Além dos oito que deixaram o clube, o Fluminense também aliviou sua folha salarial com a saída de Wellington Silva para o Internacional, e a iminente venda de Wendel para o Sporting. Principais ativos deste enxuto Fluminense, Gustavo Scarpa e Henrique Dourado são assediados e uma oferta sedutora poderá tirar os dois do clube, que não trata nenhum de seus atletas como inegociáveis.

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