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Artilheiro dos gols feios fugia dos dribles e usou intuição para ser ídolo

Iglesias foi capa da revista "El Gráfico" como o rei dos gols - Reprodução/El Gráfico - Reprodução/El Gráfico
Imagem: Reprodução/El Gráfico

Do UOL, em São Paulo

27/10/2017 04h00

“Meus gols foram todos muito feios”. É assim que um famoso atacante argentino define sua carreira. José Raúl Iglesias, ou apenas Toti Iglesias, foi um dos maiores artilheiros do país na década de 1980, defendeu quatro times na Espanha e ficou conhecido como um grande finalizador. Mas ele era “grosso”, assumia isso e nem tentava driblar seus adversários.

“Como não tinha técnica, nem me expunha tentando driblar. Eu recebia a bola, devolvia rapidamente e ia buscar um bom posicionamento. Eu não conseguiria passar nem por você no ‘mano a mano’”, resumiu ele ao repórter da revista “Un Caño”.

Então como um atacante pouco habilidoso se tornou ídolo do Racing, passou por dez times argentinos e ainda foi vendido por um valor alto na época para o futebol colombiano? Iglesias não pensava duas vezes antes de finalizar e estava sempre pronto para chutar a gol. A intuição de que a bola chegaria a seus pés funcionava muito bem, segundo ele.

“Você precisa estar um segundo à frente do marcador. É preciso ter intuição. Essa era uma de minhas virtudes, assim como a velocidade. A bola vinha e eu já imaginava o que podia acontecer. Nunca estava com o pé inteiro apoiado no gramado: na área, você precisa estar sempre na ponta dos pés, isso te permite chegar meio segundo antes”, ensina.

Foi assim que Iglesias marcou 117 gols em 288 partidas na elite argentina, defendendo times como San Lorenzo, Rosario Central, Estudiantes e Racing. Na segunda divisão, ele teve números ainda mais marcantes. Pelo Huracán, por exemplo, foram 36 gols em 37 jogos. No Sarmiento de Junín, 25 gols em 38 partidas.

No Racing, inclusive, ele teve uma relação rápida e intensa. Ficou menos de um ano no clube, mas foi tempo suficiente para se tornar ídolo, com direito até a música personalizada que fazia referência a sua facilidade de estufar as redes.

E o carinho da torcida não diminuiu por ter deixado o clube para defender o Junior Barranquilla, da Colômbia. “O Racing precisava de dinheiro. Eu fiquei dois dias sem saber o que fazer. Não queria sair do Racing, mas tinha já 31 anos, então decidi sacrificar a glória e pensar no meu futuro”, justificou.

Iglesias também tinha uma marca registrada. Quando fazia um gol, dava um mortal na comemoração. A pirueta, no entanto, nunca saía perfeita. Na maioria das vezes, ele caía sentado. “Todos riam e diziam que era ridículo. Eu dava muita risada também, mas curtia o gol”.

Mas seu cartão de visitas mesmo era o gol. Por isso, ele defendia uma máxima, que sempre compartilhou com outros atacantes. “Se um companheiro te pede a bola, fala para ele ir buscar o rebote, porque você vai chutar para o gol”. Afinal, para Toti Iglesias, centroavante deve ser egoísta em campo. Com ele isso funcionou.

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