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Perto de fechar 150 jogos, Sasha renasce no Inter: "Nunca pensei em sair"

Eduardo Sasha diz que nunca pensou em deixar o Internacional e comemora fase - Ricardo Duarte/SC Internacional
Eduardo Sasha diz que nunca pensou em deixar o Internacional e comemora fase Imagem: Ricardo Duarte/SC Internacional

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

26/10/2017 04h00

A vida é um eterno recomeço. E um jogador do Inter sabe bem o que isso quer dizer. Prestes a completar 150 jogos pelo Colorado, Eduardo Sasha é exemplo claro do quanto é importante saber se reinventar e reconstruir-se. De novo e de novo.

Em 2014, o atacante vivia seu primeiro bom momento, sofreu uma fratura no tornozelo direito, passou por cirurgia e parou por três meses. Voltou e precisou correr atrás. Recomeçou e viveu seu ápice em 2015, no primeiro semestre, mas em seguida teve dois problemas. Primeiro, em maio, passou por nova cirurgia no tornozelo por conta de uma Lesão por Esforço Repetido (LER). Em setembro, outra cirurgia no mesmo local e novamente um período longo afastado.

Veio 2016 e Sasha começou a temporada em alta. Fez gols e virou titular, até que as dores voltaram. Ele não quis deixar o time na reta final da campanha que acabou com o rebaixamento para Série B, jogou suportando dores, mas em janeiro precisou passar novamente pela mesa de cirurgia.

2017, então, começou para o atacante apenas em maio. Antes, correu em março, voltou a treinar em abril, mas apenas no quinto mês do ano é que o jogador de 25 anos reestreou. Um novo começo, de novo. Na esteira da perseverança, ele conseguiu se firmar no time, hoje é peça fundamental e se diz honrado com a chance de romper 150 jogos. Confira a entrevista exclusiva de Sasha ao UOL Esporte.

UOL: Como está sendo este recomeço no Inter depois de um 2017 em que você ficou fora por lesão, passou por cirurgia...
Não é nenhuma novidade. Já passei por situações parecidas no fim de 2014 e no meio de 2015. Então já vivi isso, sei como é que é. Comecei o ano me recuperando de cirurgia. É difícil ficar parado quatro ou cinco meses. E para poder voltar o ritmo sem fazer uma pré-temporada, voltar atrás dos companheiros... Mas como eu sabia como funcionava, que tem que trabalhar bastante, às vezes até dobrado para poder chegar ao nível dos companheiros, o caminho do trabalho eu já conhecia pelas situações que passei nos últimos dois ou três anos.

UOL: No ano passado você chegou a citar que jogou sentindo dores... Chegou a pensar em deixar o Inter, tentar reconstruir a carreira em outro lugar?
No meio do ano passado para o fim ficou difícil de jogar. Estava com dor, mas não queria parar naquele momento para fazer a cirurgia. Queria que fosse em dezembro, mas não tinha horário com médico, ficou para janeiro. A cirurgia espero que tenha resolvido e seja a última. Foi um período difícil que fiquei parado. Agora tudo está voltando ao normal. Ainda falta pegar sequência, isso não são dois ou três meses que te deixará no ritmo que é desde o começo do ano. Foi difícil, sim. Mas em momento algum pensei em sair. Pensei em voltar para devolver o Inter de onde ele nunca devia ter saído, mas são coisas que acontecem. Meu pensamento era trabalhar para voltar, sabia que seria difícil pelas circunstâncias do ano passado, mas consegui dar a volta por cima.

UOL: Você deve completar 150 jogos contra o CRB na semana que vem, o que isso significa?
É um número importante. Me sinto muito honrado de estar fazendo 150 jogos pelo clube. A gente que começo aqui desde os nove anos, só pensava em jogar algum dia pelo Inter. Agora chegar a 150 jogos é muito gratificante e será um dia inesquecível.

Sasha comemora gol do Inter contra o Universidad de Chile - AFP PHOTO / Vinicius COSTA - AFP PHOTO / Vinicius COSTA
Imagem: AFP PHOTO / Vinicius COSTA

UOL: Hoje muito se fala da sua capacidade tática, de voltar para ajudar na marcação... O quanto isso te ajuda e quando você começou a dar atenção a isso?
Sempre foi uma característica minha desde a base. Sempre aprendemos que o futebol teria essas coisas, de atacante ter que marcar mais, de voltar para ajudar. É algo que vem de mim, com ensinamentos que tive no Inter. É de costume, já estou acostumado a fazer. É um pouco de sacrifício para marcar, chegar na área, mas a sequência de jogos de facilita para ter ritmo e poder defender e atacar também.

UOL: As críticas te incomodaram?
Todo recomeço é difícil. Ainda mais pelo que aconteceu no ano passado. Sabia que podia ajudar muito o Inter neste momento que está agora. As críticas são normais e temos que saber aceitar. Tentei me preparar da melhor forma possível para estar nas melhores condições e ajudar o clube. Temos é que ressaltar o momento que estamos vivendo, vitórias e a liderança do campeonato.

UOL: O que você acha da reconstrução do elenco para 2018? A direção fala em manter 80% dos jogadores do grupo atual...
Sem dúvida, o clube tem que pensar assim no ano que vem, será diferente. Série B é diferente da Série A. Mas como o clube fez um bom time neste ano para conseguir o acesso, tenho certeza que vão montar um grande time para disputar os campeonatos que vem pela frente. Reconstrução está sendo feita agora. Já começou a ser feita neste ano. A base está sendo montada para no ano que vem pegar peças pontuais e montar um elenco, um grupo mais forte para entrar para disputa de títulos. O Inter se acostumou a ganhar grandes campeonatos e o que entraremos será para disputar o título.

UOL: Você disse recentemente que ainda não está 100%. Acha que este nível só vem em 2018, até pela ausência da pré-temporada deste ano para você?
Temos 11 meses de temporada. Ficar praticamente a metade de fora sem jogar, é difícil recuperar assim em três ou quatro meses. Ano que vem será bom, vou conseguir aumentar meu nível mais do que neste ano por começar no mesmo nível dos colegas, uma pré-temporada, isso será muito importante.

UOL: Ano passado ainda teve a polêmica envolvendo o Grêmio. O Inter foi campeão gaúcho e você dançou a 'valsa dos 15 anos'. Quando o Grêmio ganhou a Copa do Brasil, Luan respondeu se dirigindo a você. O que você achou disso tudo? Gostaria de responder alguma coisa?
Foi aquele momento, já passou, não tem que relembrar. Futebol é momento, cada um aproveitou seu momento e vida que segue.

Eduardo Sasha comemora gol para o Inter diante do Juventude na decisão do Campeonato Gaúcho - Ricardo Duarte/SC Internacional - Ricardo Duarte/SC Internacional
Imagem: Ricardo Duarte/SC Internacional

UOL: Uma curiosidade de muitas pessoas é sobre seu apelido. Sasha não é nome. Como surgiu isso e te incomodou alguma vez?
Sempre aceitei de boa. Foi pela questão do meu irmão que jogava numa escolinha do bairro. Chamavam ele de Xuxa (apresentadora da TV) por causa do cabelo. Depois descobriram que era irmão dele, pegou o Sasha (nome da filha da Xuxa). Vem desde sete oito anos, praticamente nasci Sasha (risos). Então já estou acostumado com isso. 

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