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Dirigente português é quem cuida dos "mimos" de Neymar no PSG

Antero Henrique (à esq.) conversa com Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, e Maxwell - FRANCK FIFE/AFP
Antero Henrique (à esq.) conversa com Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, e Maxwell Imagem: FRANCK FIFE/AFP

João Henrique Marques

Do UOL, em Paris

25/10/2017 04h00

Uma liberação de Neymar para viajar ao Brasil dias antes de jogo da seleção em agosto causou estranheza no elenco do Paris Saint-Germain. A folga foi articulada nos bastidores com o aval do diretor esportivo, Antero Henrique. O português tem bom relacionamento com o camisa 10 e seu pai, Neymar da Silva Santos. Ele é quem cuida dos “mimos” de Neymar no PSG.

O tratamento incomum foi visto internamente como uma regalia ao camisa 10. O dirigente português então decidiu conceder o mesmo benefício a outros jogadores convocados por suas seleções. Neymar, assim, mudou a rotina de treinos no clube.

Além da liberação, o atacante tem outras regalias no clube. Segundo publicou o jornal "Le Parisien" nesta quarta-feira, há uma recomendação que os atletas tomem cuidado para não lesionar Neymar durante os treinamentos do time. O atacante já teve de ficar fora do jogo contra o Montpellier, pela sétima rodada do Campeonato Francês, após levar um pisão no pé do meia Ben Arfa em um treino.

O jogador também pôde trazer os seus preparadores físicos pessoais, Rafael Martini e Ricardo Rosa, repetindo o que já havia acontecido com Ibrahimovic, que também teve a companhia do seu preparador físico pessoal (Dario Fort) em sua passagem pelo time.

Antero Henrique é o homem de confiança do presidente do PSG, Nasser Al-Khelaïfi. O interlocutor do xeque para o trato com Neymar. Foi ele que, por exemplo, uniu Neymar e Cavani para uma conversa após seguidos atritos pela disputa de cobrança de pênalti.

Na briga com o uruguaio, Antero Henrique se posicionou a favor de Neymar, segundo apurou o UOL Esporte. O pedido passado foi o de calma ao brasileiro e a promessa de que o tempo o deixaria como o cobrador oficial do time. Pouco depois, o jornal esportivo francês "L’ Équipe" noticiou que o dirigente português já pensava em vender Cavani no mercado de inverno europeu, que será aberto em janeiro.

Para contratar Neymar, o diretor esportivo foi considerado pelo pai do jogador figura tão importante quanto a do ex-jogador do PSG e agora coordenador esportivo, o brasileiro Maxwell. Pedidos contratuais, como o acerto de bonificações e a presença de preparadores físicos pessoais no clube foram articulados pelo português. Assim como toda a negociação financeira da transação. A garantia do acordo já havia sido passada ao xeque bem antes do anúncio oficial.

“Fiquei nervoso. Passava dias pedindo ao Antero que perguntassem ao pai do Neymar se tinha necessidade de demora, se algo havia mudado”, destacou Al-Khelaifi na apresentação do brasileiro no início de agosto.

O histórico de Antero Henrique

O dirigente português estreou no cargo em 2005 com o Porto. Foi lá que iniciou o relacionamento com um dos maiores agentes do futebol, o israelense Pini Zahavi, com quem conduziu a negociação de Neymar. Na época, os dois foram os responsáveis pelas contratações de Lucho González e Lisandro López pelo clube português.

Os jogadores argentinos marcaram época no Porto. Lisandro foi tricampeão português no clube. Lucho contabilizou seis conquistas nacionais. Algo que elevou o moral de Antero Henrique.

Outra contratação de sucesso conduzida pelo português para o clube foi a do brasileiro Hulk. Em 2008, o Porto pagou cerca de 19 milhões de euros ao Verdy Tokyo, do Japão, pelo então desconhecido atacante. Cinco anos depois o vendeu para o Zenit, da Rússia, por 40 milhões de euros.

Outro orgulho do dirigente é a contratação do centroavante Falcao Garcia. O jogador trocou o River Plate, da Argentina, pelo Porto, por 5,4 milhões de euros. A aquisição foi um sucesso. Assim como Hulk, o colombiano deixou o clube por 40 milhões de euros, valor pago pelo Atlético de Madri, da Espanha.

Nas contas da imprensa portuguesa, o lucro do Porto na gestão do diretor esportivo foi de 386 milhões de euros nos 11 anos de trabalho.

O bom relacionamento criado com o Porto ainda foi utilizado uma última vez por Antero Henrique na contratação de Neymar. Foi por meio do clube na cidade portuguesa que o brasileiro realizou os exames médicos com o PSG despistando jornalistas que o seguiam durante a turbulenta saída do Barcelona.

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