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Por que os gols de Scocco surpreendem quem o acompanhou no Inter

Scocco não dexou saudades no Internacional em passagem que durou 21 jogos - Alexandre Lops/AI Inter
Scocco não dexou saudades no Internacional em passagem que durou 21 jogos Imagem: Alexandre Lops/AI Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

22/09/2017 12h29

Mais gols em um jogo do que em quase um ano. Foi isso que aconteceu com Scooco comparando a noite desta quinta-feira, quando marcou cinco vezes na goleada do River sobre o Jorge Willstermann por 8 a 0, pelas quartas de final da Copa Libertadores, e sua passagem pelo Internacional. Entre julho de 2013 e janeiro de 2014 foram lesões, problemas fora de campo, a 'falta de adrenalina' e uma passagem que rendeu mais piadas do que boas lembranças.

Contratado como goleador do Newell's Old Boys e com passagem pela seleção argentina, "El Nacho" foi recebido com festa em Porto Alegre. Os torcedores do Inter - aproximadamente 200 - encararam frio de 3ºC e foram para o aeroporto da capital gaúcha às 6h30 munidos de instrumentos, bandeiras, faixas, camisas, tudo para celebrar a chegada. Mal sabiam o que lhes esperava.

No clube, Scocco tinha uma legião gringa para facilitar adaptação. D'Alessandro e Guiñazu, identificados e ídolos da torcida, e o uruguaio Forlán tentavam deixar o jogador mais enturmado. A estreia já foi discreta, em 9 de agosto contra o Atlético-PR, comandado pelo técnico Dunga. O primeiro gol (e o segundo no mesmo jogo) foi dia 13 do mesmo mês, contra o Botafogo. Ao todo foram quatro em 21 jogos.

Não demorou para virem os primeiros problemas: lesões. Scocco ficou entre idas e vindas no departamento médico durante quase todo ano de 2013. Trabalhou separado do grupo por muitas semanas, tanto que, em tom de brincadeira, a caixa de areia utilizada para exercícios de recuperação do CT Parque Gigante, do Inter, foi nomeada 'Caixa de Areia Nacho Scocco'. Até hoje quando se passa pelo local alguém - seja do clube ou imprensa - faz tal referência. Ela segue lá, agora sem ninguém a utilizar com tanta frequência.

Longe do protagonismo e com o time distante das primeiras posições a despeito do investimento alto, Scocco apresentou outro problema: o comportamento. Reclamou do futebol brasileiro para colegas de time e ex-companheiros. Pediu para direção repetidas autorizações para voltar à Argentina. Não parecia disposto a jogar pelo Colorado.

Fora de campo, a contratação também deu problema. O Inter atrasou a última parcela dos R$ 14,5 milhões acordados em pagamento com o Newell's. O clube argentino entrou na Justiça e pediu a volta do jogador ou o pagamento imediato. Ou seja, sem jogar, sem vontade de atuar, Scocco ainda trazia dor de cabeça aos advogados.

Tanto fez o gringo (ou não fez) que em janeiro se atrasou para reapresentação do elenco visando a temporada 2014. Alegou, de pronto, que tinha perdido o voo que o traria de Buenos Aires. Mas na chegada disse a verdade. Não veio porque não queria. Relatou ao vice de futebol da época - mesmo da atual direção - Roberto Melo que não 'estava com adrenalina de jogar no Brasil'.

Sem opção, ele foi vendido ao Sunderland, da Inglaterra, dias depois, por R$ 16,5 milhões. O valor computava a última parcela da dívida com o Newell's, assumida pelos ingleses.

Até hoje Scocco é sinônimo de um jogador que não deu certo no clube gaúcho por falta de empenho. "Ele não jogou aqui porque não quis. Achou que seria titular absoluto e desistiu de tentar", disse um profissional que trabalhou no clube na época e solicitou anonimato. Nesta quinta-feira, ele voltou ao noticiário, mas da melhor forma, sendo o grande destaque da goleada do River Plate, que enfrentará o Lanús na semifinal da Libertadores. O outro finalista sai do confronto entre Grêmio e Barcelona-EQU.

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